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    Home»Mundo»Padres argentinos defendem papa Francisco contra ataques de Javier Milei
    Mundo

    Padres argentinos defendem papa Francisco contra ataques de Javier Milei

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM6 de setembro de 2023Nenhum comentário3 Mins Read
    © REUTERS
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    Padres de bairros pobres de Buenos Aires realizaram uma missa comunitária nesta terça-feira (5) para defender o papa Francisco, 86, de uma série de insultos do deputado ultraliberal e candidato à Presidência Javier Milei. O economista já fez ataques diretos ao pontífice, chamando-o de “imbecil que defende a justiça social”, “filho da puta pregando o comunismo” e “o representante do maligno na Terra”.

    Milei foi o candidato mais votado nas eleições primárias da Argentina e lidera as pesquisas antes das eleições gerais de 22 de outubro. Representante do voto raivoso contra as forças políticas tradicionais, as críticas do candidato ressoam em eleitores irritados com o alto custo de vida devido a uma inflação de 113% na Argentina, uma moeda em constante desvalorização e índices de pobreza na casa dos 40%.

    A missa foi celebrada em frente à paróquia dos Milagres de Caacupé, localizada na favela 21-24, no sul da capital argentina, na presença de mil fiéis. Algumas pessoas seguravam fotos de Francisco nas mãos.

    “Esta missa é para rejeitar injúrias e em apoio ao papa”, disse o sacerdote José “Pepe” Di Paola durante a celebração. Ele trabalhou estreitamente com Jorge Bergoglio quando o hoje pontífice era arcebispo de Buenos Aires, antes de ser nomeado a maior autoridade religiosa da Igreja Católica, em 2013.

    Francisco vivia modestamente quando era arcebispo, usava transporte público e mantinha um perfil discreto quando ia prestar assistência a bairros pobres da cidade. Essa conduta lhe rendeu o apelido de “papa das favelas”.

    “É indigno de um candidato dizer ‘a merda da justiça social’ quando parte do Evangelho, da doutrina social da igreja, é o amor ao próximo”, afirmou Di Paola, referindo-se às críticas de Milei, definiu a justiça social como “a maior aberração” política.

    “Essa pregação vai contra a fé do papa, que é a pessoa que ele ataca mas, definitivamente, o ataque vai contra nossa fé e o humanismo”, acrescentou o sacerdote. Ele afirma acreditar que o resultado das primárias, com Milei à frente, é produto “do voto de raiva” em um momento em que o país sofre.

    No entanto, após as primárias de 13 de agosto, nas quais Milei foi o candidato mais votado (29,86%), o presidenciável moderou suas palavras e disse que se for eleito e o papa visitar a Argentina, o receberia “como um chefe de Estado” por que ele é “o chefe espiritual da grande maioria dos argentinos”.

    Francisco não retornou à terra natal desde que assumiu o papado há 10 anos, em parte devido a tensões políticas no país. O pontífice, no entanto, disse que poderia viajar para lá em 2024, ainda que seja desconhecido se ele o faria se Milei conquistar a Casa Rosada.

    O político se apresenta como um candidato da terceira via, “diferente de tudo o que está aí”, e tem como principais bandeiras a anticorrupção e um neoliberalismo radical.

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