Sob a gestão da Sema Amazonas ação qualifica comunitários para atuarem como multiplicadores ambientais em Unidades de Conservação
O Programa Agente Ambiental Voluntário (AAV), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), vai além da formação técnica e se torna um legado entre gerações. Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, o compromisso com a iniciativa passou de sogro para genro, e da família para a filha, refletindo como o conhecimento se transforma em prática contínua nas comunidades.
A iniciativa é implementada pela Sema Amazonas desde 2008 e, desde então, já formou mais de 1,6 mil comunitários em 37 Unidades de Conservação (UC) estaduais. A proposta é capacitar comunitários para atuar diretamente em atividades de educação ambiental e na sensibilização coletiva para proteção dos territórios onde moram.
Morador da RDS Puranga Conquista, Francisco Souza, conhecido como “Peba”, de 67 anos, foi um dos primeiros AAV formados na UC. A primeira capacitação dele ocorreu ainda por meio do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que levou a iniciativa para a UC em 2002.
“Eu sou Agente Ambiental Voluntário desde 2002, quando o Ibama começou. Fizemos um curso, foi lá pelo Tupé. Nós fizemos através da Prefeitura de Presidente Figueiredo. Depois a formação passou para a Sema e aí, toda vez que tem atualização, eu estou presente. São 24 anos como AAV”, disse.
Quando a formação retornou à RDS, por meio da Sema, em 2015, foi a vez do genro de ‘Peba’, Raimundo Leite, entrar para o time de agentes da família. Segundo ele, na época, o objetivo era apenas se adequar às regras de conservação da área.
“Eu não entendia muito como era isso, mas eu queria muito compreender, porque eu, nascido e criado na comunidade, precisava me adequar a algumas regras. Então, eu encarei logo de cara o convite que foi feito na época, de fazer parte de um grupo de Agentes Ambientais Voluntários”, relembrou.
No início, o que parecia entretenimento começou a ganhar um novo significado para Raimundo. “Fui sentindo o peso da responsabilidade de usar esse nome, de botar a farda e o comprometimento que eu tinha que ter com as comunidades, com o meu espaço e o meio ambiente. Fui percebendo que é um trabalho educativo que, de fato, forma lideranças”, relatou.
Formação de lideranças
Investir na formação de lideranças comunitárias dentro das Unidades de Conservação é uma estratégia essencial para garantir a efetividade da gestão ambiental no Amazonas. Ao capacitar moradores por meio do Programa AAV, a Sema Amazonas fortalece quem já vive e conhece profundamente o território, transformando essas pessoas em protagonistas da proteção ambiental.
Foi essa a trajetória percorrida por sogro e genro. A formação como AAV abriu portas para Francisco “Peba” assumir papéis relevantes na conservação ambiental da RDS Puranga Conquista. Previamente, foi presidente da comunidade Bela Vista do Jaraqui, em 2008, e atualmente é coordenador do Fórum Permanente em Defesa das Comunidades Ribeirinhas de Manaus (Fopec) e membro do Conselho Consultivo do Mosaico do Baixo Rio Negro.
Já Raimundo Leite é o atual presidente da Associação de Povos e Comunidades Tradicionais (APCT) da reserva, sendo hoje o principal responsável por articular as demandas das comunidades, representar os moradores junto aos órgãos públicos, coordenar ações coletivas no território e fortalecer iniciativas de conservação e desenvolvimento sustentável.
“Sinto muito orgulho em ser um dos primeiros Agentes Ambientais Voluntários da Puranga Conquista. Comecei a trabalhar isso dentro de casa com Evilásio, meu irmão, incentivando a participação dele e despertando esse interesse pela atuação socioambiental que o programa promove. Agora até a minha filha faz parte”, celebrou.
De geração em geração
Lisândra Leite, filha de Raimundo, tem apenas 19 anos e formou-se AAV em março deste ano. Agora, junto ao pai, ao avô e ao tio, integra o grupo de 17 agentes ambientais da reserva, dando continuidade ao trabalho de conservação ambiental engajado pela família.
“Quando eu tinha 16 anos, eu achei muito interessante o envolvimento para proteger a nossa floresta. Sempre tive isso porque meus pais sempre tiveram esse interesse em ensinar a gente a proteger o que é nosso, nosso território. E aí, eu, com essa curiosidade, fui nas capacitações. Agora, em 2026, recebemos o credenciamento, e eu estou muito feliz com isso, de participar desse momento, de me tornar uma protetora da natureza”, disse.
Para Raimundo, a recente formação da filha é motivo de esperança para a família. “Para mim isso é motivo de muito orgulho. Ela vai, com certeza, ser uma próxima liderança ou uma pessoa que vai levar essa bandeira daqui para frente. A gente está aí nessa luta já há um bom tempo e o trabalho do Agente Ambiental Voluntário é isso, é ser um multiplicador”, completou.
O secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, reforça a relevância de investir nesse tipo de formação. “Mais do que formar agentes, a iniciativa fortalece lideranças locais e cria uma rede de cuidado com a floresta que se perpetua no tempo. O que começa como capacitação se torna exemplo dentro de casa, inspira novas participações e amplia o cuidado com o território. É a política pública ganhando rosto, história e continuidade”, destacou.
Foto: Noir Miranda e Divulgação/Sema




