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    Home»Economia»Observatório do Instituto Brasil Orgânico aponta expansão em novos polos produtivos e registra primeira queda no número de produtores orgânicos
    Economia

    Observatório do Instituto Brasil Orgânico aponta expansão em novos polos produtivos e registra primeira queda no número de produtores orgânicos

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM12 de junho de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    Nordeste se destaca como nova fronteira de crescimento dos orgânicos

    Pela primeira vez desde o início da série histórica analisada pelo Observatório do Brasil Orgânico, o número de unidades de produção orgânica cadastradas no país apresentou retração. Os dados do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos mostram que o Brasil passou de 25.178 unidades de produção em 2025 para 23.728 em 2026, uma redução de 1.450 produtores, equivalente a 5,7%.

    No entanto, a análise realizada pelo engenheiro agrônomo Rogério Dias, coordenador do Observatório do Brasil Orgânico, do Instituto Brasil Orgânico, revela que a queda não representa necessariamente um enfraquecimento da agricultura orgânica brasileira. O principal fator foi a saída de grandes grupos certificados de extrativistas vinculados a cadeias produtivas específicas no Pará e Maranhão. Juntos, os dois estados responderam por mais de 1.800 registros a menos no Cadastro Nacional.

    “Os números mostram que não estamos diante de uma crise na agricultura orgânica. O que ocorreu foi um movimento concentrado em cadeias extrativistas organizadas em certificações coletivas. Quando uma empresa deixa de manter a certificação de um grupo, centenas de produtores saem simultaneamente do cadastro”, explica Rogério Dias, Conselheiro do IBO.

    Apesar da redução nacional, o Paraná permanece como o estado com maior número de produtores orgânicos do país, com 4.292 unidades cadastradas. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul (3.158), Bahia (1.895), São Paulo (1.632) e Pará (1.512).

    Diversos estados nordestinos registraram expansão significativa da produção orgânica. Os maiores destaques foram: a Paraíba, com crescimento de 246 unidades produtivas; a Bahia com aumento de 209 produtores; o Rio Grande do Norte com 169 novas unidades; e Pernambuco com crescimento de 137 produtores.

    Na Paraíba e no Rio Grande do Norte, o algodão orgânico aparece como um dos principais motores da expansão. Já na Bahia, o crescimento é impulsionado pela diversificação produtiva e pelo fortalecimento da Rede Povos da Mata, referência nacional em certificação participativa.

    Outro dado histórico do levantamento é a mudança no perfil da certificação orgânica brasileira. Em 2026, os Sistemas Participativos de Garantia (SPG) alcançaram 9.788 unidades produtivas, superando pela primeira vez a certificação por auditoria, que caiu para 8.855 registros. Segundo a análise do Observatório, essa mudança demonstra o fortalecimento de modelos coletivos e territoriais de organização dos produtores, especialmente em estados do Nordeste.

    Para Rogério Dias, os dados reforçam a necessidade de fortalecer e ampliar a articulação regional para monitorar tendências, identificar gargalos e apoiar o crescimento sustentável do setor.

    “O momento exige uma leitura mais aprofundada dos dados. Existem sinais claros de reorganização territorial da produção orgânica brasileira, com novas regiões ganhando protagonismo e novos modelos de certificação mostrando capacidade de expansão”, conclui.

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