Curso capacita moradores para operar e realizar a manutenção de sistemas de bombeamento movidos à energia solar, fortalecendo a gestão comunitária do abastecimento de água

A formação Agente Comunitário de Energia – Sistemas de Bombeamento Solar está reunindo mais de 20 moradores de comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé em um processo de capacitação voltado à operação, ao monitoramento e à manutenção de sistemas de bombeamento movidos à energia solar. A iniciativa integra o cronograma do Projeto Puxirum d’Água, desenvolvido pelo Instituto Puxirum, e busca fortalecer a autonomia das comunidades na gestão de seus sistemas de abastecimento de água por meio da formação técnica de agentes comunitários. A etapa formativa segue até o início de agosto, combinando atividades teóricas e práticas realizadas nas comunidades participantes.

A programação aborda temas como eletricidade básica, segurança elétrica, eficiência energética, sistemas fotovoltaicos, bombeamento solar, manutenção preventiva, diagnóstico de falhas, gestão comunitária e habilidades socioemocionais aplicadas ao trabalho coletivo. Participam da formação moradores das comunidades São João do Lago do Tupé, Nossa Senhora do Livramento, Colônia Central, Julião e Agrovila, selecionados por meio de inscrições realizadas de forma online e presencial junto às próprias comunidades.

Ao longo da capacitação, os participantes revisam conceitos fundamentais de eletricidade e aprofundam conhecimentos sobre sistemas fotovoltaicos aplicados ao bombeamento de água, aprendendo desde o funcionamento dos equipamentos até procedimentos de monitoramento, manutenção preventiva e identificação de falhas simples. A formação também estimula o desenvolvimento de habilidades como liderança comunitária, comunicação, trabalho em equipe e mediação de conflitos, preparando os participantes para atuarem como multiplicadores do conhecimento em suas próprias comunidades.

“Essa formação está diretamente ligada ao principal objetivo do Projeto Puxirum d’Água, que é a implantação dos sistemas de bombeamento movidos à energia solar. Para isso, é fundamental que os comunitários adquiram conhecimentos básicos sobre energia elétrica, instalações elétricas e energia solar. Eles vão conhecer todo o funcionamento do sistema para estarem aptos a realizar manutenções preventivas e corretivas nos equipamentos que serão instalados”, ressaltou o engenheiro eletricista do Instituto Puxirum, José Neto.

Formação prática

A formação possui carga horária de 40 horas, sendo quatro horas em ambiente virtual e 36 horas presenciais. Após a etapa inicial de aulas online sobre fundamentos da eletricidade, segurança e uso consciente da energia, os participantes seguem para os módulos presenciais, que incluem conteúdos teóricos e atividades práticas de instalação dos sistemas de bombeamento solar. As atividades presenciais ocorrem entre os dias 15 de julho e 1º de agosto, com aulas teóricas e práticas distribuídas entre as comunidades Julião e Agrovila, em grupos reduzidos, permitindo maior aproveitamento durante a instalação dos sistemas.

Além de preparar moradores para operar e acompanhar os sistemas de bombeamento movidos à energia solar, a formação busca consolidar capacidades permanentes dentro das comunidades, reduzindo a dependência de assistência externa e fortalecendo a gestão local da infraestrutura implantada. A proposta faz parte da estratégia do Projeto Puxirum d’Água de integrar infraestrutura, tecnologias sustentáveis e formação comunitária para ampliar a segurança hídrica e a resiliência das comunidades ribeirinhas diante das interrupções no fornecimento de energia elétrica e dos impactos das mudanças climáticas.

“O curso, até o momento, está sendo excelente. As placas solares representam uma solução para os problemas que enfrentamos com a falta de energia e, consequentemente, com o abastecimento de água. Por isso, é muito importante que a gente se aproprie desse conhecimento. Agora teremos condições de entender melhor como o sistema funciona e ajudar a cuidar dele. É um aprendizado que vai trazer benefícios para toda a comunidade”, destacou a liderança comunitária da comunidade São João do Lago do Tupé, Sílvia da Silva.

Parcerias

A formação conta com o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), por meio do projeto Profissionais do Futuro, financiado pelo Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha (BMZ). Também apoiam a iniciativa o Instituto Federal do Amazonas (IFAM), a EDP e o Fundo Casa Socioambiental, contribuindo para o fortalecimento técnico e pedagógico da formação desenvolvida junto às comunidades da RDS do Tupé.

“No Profissionais do Futuro, desenvolvemos um trabalho voltado à educação profissional, à empregabilidade, à inserção no mercado de trabalho e à melhoria da qualidade de vida da população brasileira. Projetos como o Projeto Puxirum d’Água significa faz com que o conhecimento permaneça nas comunidades e gere resultados duradouros”, afirmou Marcelo Ramos, coordenador de Empregabilidade do projeto Profissionais do Futuro, da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ).

TEXTO: Luiggi Bacelar 

FOTO: Levi Monteiro/ Instituto Puxirum 

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