O endocrinologista Dr. Thiago Fritzen e a nutricionista Mariana Formigheri esclarecem as principais dúvidas sobre esses medicamentos, explicam quem pode utilizá-los e alertam para os riscos do uso sem acompanhamento profissional e de produtos falsificados.

As chamadas canetas para tratamento da obesidade ganharam destaque nos últimos anos e passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas que buscam controlar o excesso de peso. Ao mesmo tempo em que representam um importante avanço da medicina, o aumento da procura também trouxe desafios, como o uso indiscriminado dos medicamentos e a circulação de produtos falsificados, colocando a saúde dos pacientes em risco.

Em meio a esse cenário, entender como esses medicamentos funcionam tornou-se essencial para quem busca emagrecer com segurança. Afinal, quem realmente pode utilizá-los? Como eles agem no organismo? Quais benefícios oferecem? E quais cuidados são indispensáveis durante o tratamento?

Para responder a essas e outras dúvidas, o endocrinologista Dr. Thiago Fritzen e a nutricionista Mariana Formigheri compartilham orientações baseadas em evidências científicas e na experiência clínica, reforçando que esses medicamentos representam um importante recurso no tratamento da obesidade, desde que utilizados com indicação médica e associados à alimentação equilibrada, à prática de atividade física e ao acompanhamento profissional.

O que são as chamadas canetas para tratamento da obesidade?

Embora tenham se popularizado como “canetas emagrecedoras”, o endocrinologista Dr. Thiago Fritzen explica que esse termo não representa completamente a função desses medicamentos. Desenvolvidos para o tratamento da obesidade e de outras condições de saúde, eles oferecem benefícios que vão muito além da perda de peso.

Entre os medicamentos mais conhecidos estão a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida. Conforme o especialista, essas substâncias atuam sobre hormônios responsáveis pelo controle da fome, da saciedade e da glicose. Como consequência, o paciente tende a sentir menos fome, fica satisfeito com uma quantidade menor de alimentos e reduz o impulso de continuar comendo. Além disso, retardam o esvaziamento do estômago e auxiliam no controle glicêmico.

Os efeitos dessa ação também são percebidos na rotina alimentar. Para a nutricionista Mariana Formigheri, a redução do apetite e o aumento da saciedade fazem com que o paciente passe a consumir menores volumes de alimentos, aumente o intervalo entre as refeições e reduza até mesmo o desejo por alimentos ricos em gordura e açúcar. Ela destaca ainda a diminuição do chamado “ruído alimentar”, caracterizado pelos pensamentos constantes sobre comida, favorecendo uma relação mais equilibrada com a alimentação.

Apesar desses efeitos positivos, Mariana reforça que a diminuição do apetite não elimina a necessidade de uma alimentação equilibrada. Pelo contrário: é justamente nesse momento que o acompanhamento nutricional se torna indispensável para garantir que o organismo continue recebendo todos os nutrientes necessários durante o processo de emagrecimento.

Quem pode utilizar esses medicamentos?

Apesar da popularização desses medicamentos, o Dr. Thiago Fritzen reforça que eles não são indicados para qualquer pessoa. A decisão de iniciar o tratamento deve ser tomada após uma avaliação médica criteriosa, considerando não apenas o peso, mas também o histórico clínico, a presença de doenças associadas e as necessidades individuais de cada paciente.

De forma geral, esses medicamentos são indicados para adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30, condição que caracteriza a obesidade. Também podem ser recomendados para pessoas com IMC igual ou superior a 27, desde que apresentem doenças relacionadas ao excesso de peso, como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, pré-diabetes, colesterol elevado, apneia do sono ou doenças cardiovasculares.

O endocrinologista ressalta que o IMC é apenas um dos critérios considerados na consulta. A avaliação inclui ainda a distribuição da gordura corporal, hábitos alimentares, prática de atividade física, qualidade do sono, uso de outros medicamentos, tentativas anteriores de emagrecimento e o impacto da obesidade na saúde e na qualidade de vida do paciente.

Há ainda situações que exigem maior cautela ou contraindicam o uso dessas medicações. Gestantes, mulheres que estão amamentando e pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, por exemplo, não devem utilizar esses medicamentos para perda de peso. Pessoas com doenças gastrointestinais graves, histórico de pancreatite, alterações renais ou que fazem uso de determinados medicamentos para diabetes também precisam de uma avaliação individual antes do início do tratamento.

Para Mariana Formigheri, o acompanhamento nutricional deve começar desde a primeira dose. Segundo a especialista, esse cuidado contribui para reduzir possíveis efeitos gastrointestinais, preservar a massa muscular, prevenir deficiências nutricionais e construir hábitos alimentares que serão determinantes para manter os resultados ao longo do tempo.

Benefícios que vão além da perda de peso

Embora sejam conhecidos principalmente pelo auxílio no emagrecimento, esses medicamentos também proporcionam importantes ganhos para a saúde. Conforme o Dr. Thiago Fritzen, quando utilizados com indicação médica e acompanhamento adequado, eles contribuem para uma perda de peso clinicamente significativa e para o controle de diversas doenças associadas à obesidade.

Entre os benefícios observados estão a melhora dos níveis de glicose, da pressão arterial e do colesterol, a redução da gordura no fígado, o alívio das dores articulares, o ganho de mobilidade e a melhora da qualidade de vida. Em pacientes com diabetes tipo 2, o tratamento também pode favorecer o controle da doença e reduzir a necessidade de outros medicamentos.

Outro aspecto destacado pelo endocrinologista é a redução do risco de eventos cardiovasculares em pacientes com sobrepeso ou obesidade que já apresentam doenças cardiovasculares, reforçando que o objetivo do tratamento vai muito além da perda de peso.

Mariana Formigheri ressalta que esses benefícios tendem a ser mais duradouros quando o tratamento é acompanhado por mudanças consistentes no estilo de vida. Uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física e o acompanhamento nutricional são fundamentais não apenas para preservar a massa muscular, mas também para garantir uma adequada ingestão de nutrientes, favorecer a saúde metabólica, melhorar a relação com a alimentação e preparar o paciente para manter os resultados alcançados a longo prazo. Afinal, o objetivo do tratamento não deve ser apenas perder peso, mas promover uma transformação sustentável, com mais saúde, autonomia e qualidade de vida.

Sobre a São João

A Rede de Farmácias São João é a maior empresa do segmento no Sul do Brasil e a 4ª maior rede varejista de medicamentos do país, conforme ranking da Abrafarma – Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias. Com 1250 lojas, está presente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

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