Reconhecimento das ferramentas de IA avançou de 79% para 84% entre as classes D/E; pesquisa também traz percepções sobre proteção digital a crianças e adolescentes

São Paulo, julho de 2026 – O crescimento da percepção positiva sobre a inteligência artificial foi a principal novidade revelada pela segunda edição do Índice Reglab de Confiança e Segurança na Economia Digital. Enquanto a percepção geral dos brasileiros sobre o ambiente digital permaneceu praticamente estável, as ferramentas de IA ampliaram seu reconhecimento entre pessoas de menor renda e ganharam confiança entre os participantes acompanhados nas duas rodadas da pesquisa: a primeira realizada em abril, e essa, agora, inédita.

Entre os entrevistados das classes D/E, o percentual que declarou conhecer ferramentas de inteligência artificial passou de 79% para 84% em 3 meses. O aumento de 5 pontos percentuais foi o maior avanço registrado por uma classe social em qualquer uma das cinco categorias avaliadas pelo estudo.

Já entre aqueles que participaram das duas edições do levantamento (20% da amostra), a confiança na IA aumentou 3,1 pontos percentuais. No mesmo período, o índice geral variou 1,1 ponto dentro da margem esperada. “Trata-se de um movimento importante em tecnologias numa fase intensa de difusão, e as próximas rodadas mostrarão se esses sinais se consolidam como uma tendência”, afirma Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab.

Reconhecimento não significa necessariamente uso

O Índice Reglab mede percepção e conhecimento declarado, não frequência de uso. Uma pessoa pode conhecer uma ferramenta sem utilizá-la ou formar sua avaliação a partir de publicidade, notícias, conversas e outras formas de contato.

O Claude apresentou o maior crescimento individual de reconhecimento entre as plataformas avaliadas, passando de aproximadamente 72% para 77%. ChatGPT e Gemini, por sua vez, já apresentam níveis de conhecimento próximos aos das principais plataformas digitais.

“A inteligência artificial está se tornando parte do repertório cotidiano de grupos sociais mais amplos. Isso não significa que as barreiras de acesso ou uso foram superadas, mas mostra que a categoria já não circula apenas entre públicos especializados”, explica Thaís Palanca, pesquisadora do Reglab e uma das autoras do estudo.

Proteção de adolescentes permanece como principal ponto de atenção

Apesar do crescimento de confiança observado em inteligência artificial, o índice geral permaneceu estável entre o primeiro e o segundo trimestres de 2026. A pesquisa foi realizada em um período marcado pela entrada em vigor do ECA Digital, pelo avanço das discussões sobre regulação de IA e concorrência digital e pela transmissão da Copa do Mundo em plataformas digitais.

O tema de proteção de adolescentes continua sendo a dimensão com menor percepção de segurança e maior desigualdade do estudo. A diferença de confiança entre as classes A/B e C/D/E chega a 8,6 pontos percentuais. As mulheres também apresentam uma percepção de confiança quase 6 pontos percentuais inferior à dos homens nessa dimensão.

“A aprovação de uma lei não muda imediatamente a percepção dos usuários. O resultado não permite avaliar a efetividade do ECA Digital, cuja implementação ainda está no início, mas estabelece uma linha de base para acompanhar se as novas regras produzirão efeitos perceptíveis ao longo do tempo”, afirma Ramos.

Sobre a pesquisa

O Índice Reglab é o primeiro indicador brasileiro que mede, de forma sistemática e periódica, como os usuários percebem a confiança e a segurança nas plataformas digitais que utilizam no dia a dia. A segunda edição do Índice Reglab ouviu 1.103 pessoas adultas conectadas à internet entre 15 e 30 de junho de 2026, a partir de um painel conduzido pela Offerwise. 

A pesquisa avaliou 24 plataformas distribuídas em cinco categorias: redes sociais, streaming e entretenimento, economia de plataforma (aplicativos de transporte), inteligência artificial e governo digital.

O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro geral de 3 pontos percentuais. As plataformas são avaliadas em quatro dimensões: confiança geral, integridade da informação, proteção de dados e proteção de adolescentes.

A pesquisa completa e seu anexo metodológico estão disponíveis no site do Reglab.

Sobre o Reglab

O Reglab é um centro de pesquisa privado que desenvolve estudos e consultoria estratégica para empresas, associações e formuladores de políticas públicas que atuam em tecnologia, mídia e mercados regulados. Fundado em 2024, o Reglab já produziu mais de 30 estudos socioeconômicos sobre os impactos da tecnologia no Brasil.

Saiba mais em www.reglab.com.br 

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