A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), iniciou, nesta quarta-feira, 19/8, um novo processo de capacitação de profissionais para ampliar o número unidades de saúde com o serviço de inserção do implante contraceptivo subdérmico liberador de etonogestrel. A meta é que a inserção do implante fique disponível em 60 unidades até o final de 2026, incluindo as 28 que já oferecem o serviço.
A nova etapa de ampliação foi iniciada com uma capacitação realizada na Unidade de Saúde da Família (USF) Armando Mendes, no bairro Cidade Nova, zona Norte, com a primeira turma reunindo seis médicos, de um total de 48 profissionais que serão treinados pela Semsa.
A técnica da Divisão de Atenção à Saúde da Mulher da Semsa, enfermeira Bruna Martins Meireles, informou que foram programadas oito turmas até o mês de novembro, com seis profissionais por turma.
“O treinamento tem uma parte teórica, atividade prática com modelo anatômico e prática com a inserção do implante em grupo agendado de mulheres que desejam utilizar o contraceptivo. Além de atingir profissionais de unidades de saúde que ainda não oferecem o serviço, o treinamento é direcionado para unidades de saúde que já realizam a inserção do implante, mas que têm uma demanda mais alta e precisam de mais profissionais capacitados”, explicou Bruna Meireles.
A inserção do método contraceptivo subdérmico liberador de etonogestrel foi disponibilizada na rede municipal de saúde em janeiro de 2026, com atendimento prioritário de adolescentes (a partir de 14 anos) e mulheres e homens trans em situação de vulnerabilidade social, tendo iniciado em nove estabelecimentos de saúde.
A partir do mês de julho, a Prefeitura de Manaus ampliou a oferta do contraceptivo subdérmico para atender todas as mulheres e homens trans com idade entre 14 a 49 anos, com interesse no método.
O serviço, esclarece Bruna Meireles, está disponível em unidades de saúde nas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e rural, incluindo a Unidade Básica de Saúde Móvel e as duas Unidades de Saúde Fluvial Rural, que percorrem as comunidades das calhas dos rios Negro e Amazonas, e a Maternidade Moura Tapajóz.
“A procura pelo serviço é grande e a capacitação dos profissionais é necessária para atender a demanda da rede de saúde, o que vai garantir a ampliação gradativa do serviço até novembro deste ano”, afirmou a enfermeira.
No curso realizado na USF Armando Mendes, a médica de Família e Comunidade Fabíola Kelly Santos conduziu uma etapa do treinamento e destacou a alta eficácia do implante subdérmico como método contraceptivo de longa duração, mantendo efetividade por três na prevenção à gravidez não planejada.
O implante do bastão liberador de etonogestrel é inserido sob a pele do braço, com efetividade de mais de 99%, e pode ser removido a qualquer momento, permitindo a ocorrência da gravidez.
“O implante já vem com em dispositivo automático, próprio para utilização, de uso individual e descartável. No treinamento, usamos moldes sintéticos e fazemos a prática supervisionada de inserção do implante em um grupo de mulheres”, pontuou a médica.
Ela destacou ainda que treinar um maior número de médicos para a inserção do implante é fundamental na ampliação da oferta do serviço, permitindo que as mulheres possam ter acesso a mais um método contraceptivo, que é eficiente e apresenta poucos efeitos colaterais.
“Entre os métodos contraceptivos disponíveis hoje, é o que tem menor taxa de falha. E é um método não comportamental, ou seja, não é necessário ficar lembrando de tomar medicação ou a injeção, lembrar de buscar o medicamento na Unidade de Saúde ou renovar a receita. Temos que lembrar ainda que a ocorrência de gestações não planejadas potencializa o risco de morte materna e infantil, portanto é realmente importante ampliar cada vez mais a oferta do serviço na rede de saúde”, apontou Fabíola Santos.
“Com esse novo treinamento, a USF terá mais duas profissionais com capacitação para atender a grande procura por esse serviço, que é um método mais simples e de maior praticidade na contracepção. O procedimento de inserção do implante não é demorado, mas há a necessidade de avaliação clínica, de preenchimento de prontuário e orientações ao paciente”, enfatizou Zilda Steckelberg.
A dona de casa Laura Miranda, de 42 anos, procurou o atendimento na USF Armando Mendes para inserir o contraceptivo subdérmico depois de ser informada sobre o novo serviço e foi selecionada para iniciar o uso durante o treinamento, juntamente com outras 15 mulheres.
Com cinco filhos, o mais novo tendo seis anos de idade, Laura Miranda assegurou que não planeja ter mais filhos. “Fiquei sabendo que estavam oferecendo o serviço e fiz uma consulta com a ginecologista para saber se podia utilizar o implante subdérmico. A médica recomendou, até por causa da minha idade, e acho que vai ser melhor, já que vai durar por três anos”, declarou Laura Miranda.
As pessoas interessadas em fazer uso do contraceptivo subdérmico devem procurar uma das unidades de saúde que oferecem o serviço e passar por uma avaliação clínica prévia, quando será verificado se não há algum tipo de contraindicação. As adolescentes deverão ter o acompanhamento de um adulto responsável.
Mais informações sobre a inserção do implante contraceptivo subdérmico liberador de etonogestrel podem ser consultadas no site da Semsa, no link https://www.manaus.am.gov.br/semsa/programas-e-servicos/saude-da-mulher/ .
Texto – Eurivânia Galúcio/Semsa
Foto – Divulgação/Semsa







