Pneumologista do HUGV explica os efeitos dos poluentes no organismo e orienta quando é preciso mudar hábitos e procurar atendimento

Manaus (AM) – O céu encoberto pela fumaça voltou a chamar a atenção dos moradores de Manaus nos últimos dias exige e acende alerta para cuidados com a saúde. Além dos gases produzidos pela queima, a fumaça carrega micropartículas capazes de penetrar nas vias respiratórias e provocar efeitos até mesmo em pessoas sem histórico de doenças pulmonares. 

O pneumologista do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado ao HU Brasil, Mário Sérgio Fonseca, explica que o contato com esses poluentes pode irritar diferentes regiões do organismo. Os primeiros efeitos podem aparecer nos olhos e no nariz e alcançar as vias respiratórias, incluindo traqueia e brônquios, provocando sintomas como tosse e desconforto respiratório.

“Ela é muito mais intensa e prejudicial para aqueles que já têm doenças pulmonares prévias. Indivíduos asmáticos, por exemplo, podem entrar em crise por causa dessa exposição”, destaca o pneumologista.

Mesmo quem não possui doença respiratória prévia pode sentir os efeitos. Irritação e vermelhidão nos olhos, coceira ocular, coriza, irritação na garganta e tosse estão entre as manifestações que podem surgir durante períodos de maior exposição, explica o médico.

Exposição contínua exige maior atenção

Uma exposição pontual pode provocar desconfortos passageiros, mas o cenário merece maior atenção quando a pessoa permanece exposta à fumaça continuamente. “Uma exposição contínua faz com que essas estruturas permaneçam comprometidas. Pode causar tosse, falta de ar e desconforto respiratório e, principalmente naqueles que já são doentes crônicos pulmonares, levar a uma exacerbação que pode culminar na necessidade de procurar um serviço de urgência”, afirma Mário Sérgio.

Os efeitos também não se restringem ao aparelho respiratório. O pneumologista chama atenção para pessoas com doenças cardiovasculares e para as gestantes. Componentes presentes na fumaça, como o material particulado e o monóxido de carbono, podem representar risco maior para esses grupos.

Quando procurar atendimento?

É importante observar não apenas a presença dos sintomas, mas principalmente sua intensidade e a repercussão nas atividades cotidianas. Tosse eventual, irritação dos olhos e outros desconfortos podem ocorrer em decorrência da exposição. Alguns sinais, no entanto, precisam de maior atenção.

“Quando há uma falta de ar muito intensa, cansaço, dor torácica ou um desconforto respiratório importante que leva à limitação das atividades, são sinais de alerta que podem indicar a necessidade de procurar um serviço de urgência para uma avaliação adequada”, orienta.

Em dias de fumaça, é preciso mudar a rotina

Quando a qualidade do ar está comprometida, algumas atividades habituais também precisam ser reconsideradas. “Se tem muita fumaça no ar, fazer atividade física em ambiente aberto talvez não seja o ideal. A pessoa pode ficar extremamente desconfortável por causa disso”, explica o pneumologista.

Em casa, embora não seja possível eliminar completamente o contato com a poluição ambiental, permanecer em locais fechados e reduzir a entrada do ar externo durante os períodos de maior concentração de fumaça pode ajudar. Purificadores de ar também podem contribuir para diminuir a exposição.

Para quem precisa permanecer ao ar livre, como trabalhadores expostos durante a jornada, os cuidados devem ser reforçados. Manter uma boa hidratação, realizar pausas sempre que possível, evitar esforço físico excessivo e procurar locais com menor concentração de fumaça são algumas das medidas recomendadas pelo médico. O uso de máscaras também pode ajudar, principalmente, na proteção contra a fumaça.

Sobre a HU Brasil

O HUGV-Ufam faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

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