Especialista da FAPCOM analisa avanço das redes sociais no consumo de notícias
Redes sociais e plataformas de vídeo se tornaram, pela primeira vez, a forma mais utilizada de acessar notícias online no mundo, superando sites e aplicativos jornalísticos. O dado é do Digital News Report 2026, do Reuters Institute, que também mostra que 77% das pessoas consomem vídeos de notícias online semanalmente.
Para Luís Mauro Sá Martino, doutor em Ciências Sociais e professor da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), o levantamento confirma um cenário que já orienta a formação de profissionais de comunicação na instituição: ensinar a informar com profundidade num ambiente marcado por vídeos curtos e notificações constantes.
“A atenção sempre foi disputada pelos meios de comunicação, mas as plataformas digitais transformaram essa dinâmica em uma competição permanente. Isso muda a forma como as pessoas se informam, aprendem e se relacionam com o conhecimento”, afirma o professor da FAPCOM.
Na avaliação do pesquisador, o problema não está necessariamente nos formatos curtos, mas na predominância de uma lógica de consumo fragmentado. Vídeos rápidos, segundo ele, podem até funcionar como porta de entrada para temas complexos, desde que não se tornem a única via de acesso a eles.
“Vídeos curtos podem informar, despertar interesse e até incentivar o aprofundamento de um tema. O problema surge quando questões complexas passam a ser consumidas exclusivamente dessa forma, pois algumas exigem contexto, reflexão e tempo para serem compreendidas”, explica.
O cenário atravessa diferentes fases da vida: crianças e adolescentes crescem em contato com estímulos rápidos, enquanto adultos também incorporam esse ritmo ao consumo de informação. Na educação, o desafio é dialogar com esses hábitos sem transformar o aprendizado em uma sucessão de estímulos rápidos, questão que a FAPCOM leva para dentro da sala de aula, especialmente nos cursos voltados à formação de jornalistas, publicitários e produtores de conteúdo.
Nos cursos superiores de comunicação, a questão ganha outra dimensão: são esses estudantes que estão sendo preparados para produzir as informações que chegarão a esse público. Por isso, a formação oferecida pela FAPCOM não se limita a ensinar como tornar uma mensagem mais atrativa, mas passa também por preservar contexto, clareza e capacidade de análise em diferentes formatos.
Esse equilíbrio, defende Martino, também depende de entender os limites entre tornar uma mensagem acessível e reduzir sua complexidade.
“Não podemos confundir objetividade com superficialidade. Comunicar de forma clara e acessível é diferente de simplificar excessivamente temas que exigem análise”, ressalta.
Para o professor, essa responsabilidade não é só de quem produz informação. O próprio usuário também precisa desenvolver critérios para selecionar o que consome e reconhecer quando um tema exige mais tempo e aprofundamento.
“É preciso desenvolver a capacidade de compreender e refletir sobre aquilo que consumimos. Uma sociedade bem informada depende também da disposição para dedicar tempo aos temas que impactam a vida coletiva”, conclui Martino, para quem formar esse olhar crítico, tanto de quem produz quanto de quem consome informação, é um dos papéis centrais da FAPCOM na formação de comunicadores.
Sobre a FAPCOM
Fundada em 2005 pela Pia Sociedade de São Paulo (Paulinas e Paulinos), a FAPCOM – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, é uma instituição de ensino superior reconhecida pela excelência na formação em Comunicação, Filosofia e áreas correlatas. Com uma proposta que integra conhecimento, ética, inovação e responsabilidade social, a faculdade prepara profissionais para os desafios do mercado contemporâneo por meio de uma formação humanística, crítica e alinhada às transformações da sociedade e da tecnologia.







