“Terruá Pará” e “A Pele do Ouro” conquistaram os principais prêmios dos júris; festival teve sessões no Teatro Amazonas e no Teatro Gebes Medeiros

“Terruá Pará”, de Jorane Castro, do Pará, e “A Pele do Ouro”, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo, de Roraima, foram os grandes vencedores da 8ª edição do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, encerrada na noite deste domingo (27/9), no Teatro Amazonas. Após cinco dias de programação, o festival fechou a edição com 4.081 pessoas contabilizadas nas sessões realizadas no Teatro Amazonas e no Teatro Gebes Medeiros e na cerimônia de premiação. A programação também contou com atividades formativas e debates em outros espaços culturais de Manaus.

A cerimônia reuniu realizadores, profissionais do audiovisual, jurados e público para o anúncio dos vencedores das quatro mostras competitivas: Amazônia Longas, Amazônia Curtas, Outros Nortes e Olhar Panorâmico. A noite também marcou a entrega do Prêmio Itaú Cultural Play.

O curador Victor Kaleb destacou que o Olhar do Norte nasceu da necessidade de criar um espaço de encontro e compartilhamento entre realizadores e ampliar a circulação das narrativas produzidas na região.

“Desde o começo, a ideia do festival é compartilhar o que nós produzimos, para que possamos construir juntos. O festival surgiu em um momento em que entendemos que ninguém seria grande sozinho. Nós temos muito a oferecer artisticamente ao mundo, tanto aos nossos pares quanto para que outras pessoas reconheçam o que fazemos”, afirmou.

Segundo Victor, essa construção passa também pela possibilidade de o público se reconhecer nas obras exibidas.

“O festival tem essa busca de ser uma janela dessa linguagem do audiovisual, que se conecta com muitas outras linguagens. É muito bom poder se enxergar na tela como amazônida. Nós passamos muito tempo pensando que as coisas melhores eram de fora, construindo uma narrativa que acabamos não aceitando. É por isso que nós estamos aqui fazendo esse festival”, completou.

Para o curador Diego Bauer, a participação do público nesta edição evidencia o crescimento alcançado pelo festival desde sua criação.

“Queremos agradecer a todo mundo que veio, nós fizemos a maior edição do Olhar do Norte até agora. É um privilégio exibir nossos filmes na tela de um patrimônio mundial, ter nossas obras nesse lugar. Esse crescimento do festival também tem muito a ver com isso”, destacou.

Cinema amazônico

Uma das principais novidades da oitava edição foi a estreia da Mostra Amazônia Longas. “Terruá Pará”, documentário musical dirigido por Jorane Castro, conquistou dois reconhecimentos: “Melhor Filme” pelo júri oficial e “Melhor Filme” pelo Júri Jovem.

O longa explora a diversidade e a efervescência da música produzida no Pará, combinando paisagens naturais e urbanas, depoimentos e performances de artistas em seus territórios de origem.

Em sua primeira participação no Olhar do Norte, a diretora destacou os encontros proporcionados pelo festival.

“Quero agradecer pelos três dias no festival, porque foram dias de muita troca, de esperança e de ter a certeza do cinema que nós estamos fazendo aqui. Cada um está em um lugar diferente, mas nós não estamos sozinhos. Foi isso que eu senti aqui. É a primeira vez que participo do Olhar do Norte e fico muito feliz e honrada”, pontuou.

“Jamary”, de Begê Muniz, do Amazonas, venceu o Voto Popular da Amazônia Longas e recebeu Menção Honrosa pelo roteiro. O filme acompanha Ane, uma influenciadora de 12 anos que passa as tardes brincando na vila Jamary, na região amazônica. Desafiada pelos primos, ela entra na floresta e encontra Anhangá, um encantado indígena que luta pela preservação da floresta.

“É um prazer imenso estar aqui. Fico feliz de compartilhar esse momento em casa, com vocês, uma plateia de artistas amazonenses, e me sinto privilegiado por isso e por estar no Teatro Amazonas”, disse Begê Muniz.

Amazônia Curtas

Na Mostra Amazônia Curtas, “A Pele do Ouro”, das diretoras Marcela Ulhoa e Yare Perdomo, de Roraima, recebeu os prêmios de “Melhor Filme” e “Melhor Direção”.

O documentário acompanha Patri, que escreve, narra e atua na obra. A partir de seus diários íntimos, o filme revisita memórias marcadas pela infância na Venezuela e pelos riscos assumidos na busca pelo sonhado ouro na Amazônia brasileira. Nos cadernos em que registra e desenha o que vive, a personagem revela a condição da mulher no garimpo, onde, assim como a terra, tudo é revirado e explorado.

Thiago Briglia, produtor executivo de “A Pele do Ouro”, destacou a relação construída com o festival e a importância desses espaços para ampliar a circulação das produções amazônicas.

“O festival realmente nos marcou a partir do momento em que nós passamos a frequentá-lo. Nós fazemos um filme pensando em passar no Olhar do Norte. Com essas premiações e esses espaços, conseguimos fazer com que os filmes cheguem a outros públicos e mostrem os dilemas e os desafios que existem em todos os territórios. Isso mostra que não existe uma Amazônia só, mas uma Amazônia plural, diversas Amazônias, e que nós precisamos aprofundar nossa perspectiva sobre tudo isso”, afirmou.

“Flores Secas”, de Arnaldo Barreto, do Amazonas, também se destacou na premiação, conquistando “Melhor Filme” pelo Voto Popular, “Melhor Direção de Arte”, para Hely Pinto, e “Melhor Atuação”, para Vanessa Pimentel.

Ambientada na Amazônia de 1953, entre cheias, febre amarela e silêncios da floresta, a produção acompanha Dasdor, que vive a dor de não conseguir gerar um filho. Em um território onde a maternidade parece valer mais que o afeto e a própria vontade, ela transforma amor em obsessão, em uma busca por pertencimento que conduz a história ao limite da tragédia.

“Estou muito feliz de participar deste festival porque nele tem gente em quem eu acredito muito. Só tenho a agradecer por esse prêmio, que é o primeiro que ganho no Olhar do Norte. Quero agradecer à equipe técnica, às mais de 75 pessoas, entre diretas e indiretas, que trabalharam no filme, e aos atores. É muito importante para mim estar aqui hoje recebendo esse prêmio”, afirmou Arnaldo Barreto.

Também na Amazônia Curtas, “Poronga”, de Rafael Rogante, de Rondônia, conquistou os prêmios de “Melhor Maquiagem”, para Vanúbia Soares, “Melhor Figurino”, para Osmar Scarpatti, e o Prêmio Itaú Cultural Play, no valor de R$ 15 mil.

Festival Olhar do Norte 2026

Referência do audiovisual na Região Norte, a oitava edição do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte movimentou Manaus durante cinco dias, com sessões no Teatro Amazonas e no Teatro Gebes Medeiros, além de atividades em outros espaços culturais da cidade. A agenda reuniu produções da Amazônia e de outras regiões brasileiras, entre mostras competitivas e não competitivas, ações de formação e iniciativas voltadas ao diálogo sobre cinema.

A Artrupe Produções, responsável pela realização do festival, tem no comando Diego Bauer, Victor Kaleb, Hamyle Nobre e César Nogueira.

Uma das novidades deste ano foi a estreia da mostra competitiva Amazônia de Longas-metragens, formada por obras realizadas nos estados que integram a Amazônia Legal — Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins — ou dirigidas por cineastas desses estados.

Também integraram as competições a Amazônia de Curtas-metragens, destinada a produções dos estados da Amazônia Legal; Outros Nortes, voltada a trabalhos e realizadores dos demais estados brasileiros; e Olhar Panorâmico, que apresenta uma seleção de títulos da região amazônica.

A programação contou ainda com a mostra não competitiva Olhinho, dedicada ao público infantojuvenil e aberta a produções de todo o país, além de obras convidadas pela curadoria.

A oitava edição do Festival Olhar do Norte recebeu 596 filmes inscritos. Foram 28 inscrições na Amazônia Longas, 188 na Amazônia Curtas, 325 em Outros Nortes e 55 na Olhinho.

Após as exibições presenciais, parte da seleção ganha uma janela digital por meio da parceria com a plataforma Itaú Cultural Play, que disponibilizará on-line os filmes das mostras de curtas amazônicos e panorâmicos até 12 de outubro.

A 8ª edição do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte é realizada pela Artrupe Produções, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio do Itaú e parceria do Itaú Cultural Play, Cine Set e apoio do Amazonas Shopping, Atelo e Governo do Amazonas, via Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.

A programação completa está disponível em festivalolhardonorte.com e no Instagram @olhardonorte.

Confira os vencedores

Mostra Amazônia Longas

Melhor Filme – Voto Popular: “Jamary”, de Begê Muniz – Amazonas
Melhor Filme – Júri Jovem: “Terruá Pará”, de Jorane Castro – Pará
Menção Honrosa – Roteiro: “Jamary”, de Begê Muniz – Amazonas
Melhor Filme: “Terruá Pará”, de Jorane Castro – Pará

Mostra Amazônia Curtas

Melhor Filme – Voto Popular: “Flores Secas”, de Arnaldo Barreto – Amazonas
Melhor Maquiagem: “Poronga”, Vanúbia Soares – Rondônia
Melhor Figurino: “Poronga”, Osmar Scarpatti – Rondônia
Melhor Som: “Através da Sacada”, Doriel Gomes e Eduardo Victor Rocha Sousa – Rondônia
Melhor Direção de Arte: “Flores Secas”, Hely Pinto – Amazonas
Melhor Montagem: “A Ascensão da Cigarra”, Isadora Boschiroli – Rondônia
Melhor Direção de Fotografia: “O Olhar de Antônio”, Luzo Reis – Mato Grosso
Melhor Atuação: Marcelo Ribeiro, por “Minha Tia Suzi” – Mato Grosso
Melhor Atuação: Vanessa Pimentel, por “Flores Secas” – Amazonas
Melhor Roteiro: “Minha Tia Suzi”, Juliana Capilé – Mato Grosso
Melhor Direção: “A Pele do Ouro”, Marcela Ulhoa e Yare Perdomo – Roraima
Prêmio Especial do Júri: “O Olhar de Antônio”, de Glória Albues – Mato Grosso
Prêmio Itaú Cultural Play: “Poronga”, de Rafael Rogante – Rondônia
Melhor Filme: “A Pele do Ouro”, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo – Roraima

Mostra Olhar Panorâmico

Melhor Filme – Voto Popular: “Quem é que vai nos Salvar Agora?”, de Eric Max – Amazonas
Melhor Filme: “Frutinha”, de Giovanni Ojeda – Mato Grosso

Mostra Outros Nortes

Melhor Filme – Voto Popular: “Floresta do Fim do Mundo”, de Denilson Baniwa e Felipe Bragança – Rio de Janeiro
Melhor Filme: “Tião Personal Dancer”, de Aristóteles Tothi – Goiás

FOTO: Alonso Júnior

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