Especialista alerta que libido, ganho de massa muscular, disposição e desempenho, isoladamente, não justificam o uso de testosterona
A busca por mais músculos, libido e disposição tem colocado a testosterona no centro da rotina de homens que recorrem ao hormônio mesmo sem diagnóstico de deficiência. Em meio à popularização desse uso para melhorar a performance física, combater o cansaço ou até retardar os efeitos do envelhecimento, um novo posicionamento conjunto de três sociedades médicas brasileiras reforça um alerta: testosterona não é suplemento e sua reposição não deve ser feita para potencializar o organismo quando os níveis hormonais são adequados.
Elaborado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Associação Brasileira de Medicina Sexual e Saúde (ABEMSS), o documento estabelece critérios para o diagnóstico do hipogonadismo masculino e reforça que a indicação do tratamento deve partir da combinação entre sintomas compatíveis e deficiência hormonal comprovada.
Quando investigar a testosterona?
O diagnóstico deve combinar sintomas persistentes compatíveis com deficiência hormonal e níveis de testosterona consistentemente baixos. Entre as principais recomendações estão:
- Não basta um sintoma isolado: cansaço, baixa libido ou falta de disposição podem ter outras causas.
- O exame deve ser feito pela manhã: entre 7h e 10h.
- Um resultado baixo precisa ser confirmado: a recomendação é repetir o exame antes de estabelecer o diagnóstico.
- Sintomas e exames devem ser avaliados em conjunto: níveis baixos, sem sintomas compatíveis, não indicam automaticamente reposição.
- A investigação deve ser individualizada: é preciso avaliar as possíveis causas da alteração hormonal.
O posicionamento considera valores abaixo de 264 ng/dL como suporte bioquímico para o diagnóstico, enquanto concentrações acima de 350 ng/dL tendem a afastar a condição. É a primeira vez que as principais sociedades médicas do país cravam, em conjunto, um valor de referência tão específico para orientar esse diagnóstico.
Além de contribuir para uma avaliação mais precisa, o consenso também reforça a importância de evitar o uso de testosterona sem indicação médica. Embora níveis extremamente baixos do hormônio também estejam associados a risco cardiovascular, o perigo é ainda maior entre homens que fazem reposição sem diagnóstico de hipogonadismo, especialmente em doses superiores às produzidas naturalmente pelo organismo. Esse uso inadequado está associado a complicações graves, como infarto, AVC, trombose e embolia pulmonar.
Testosterona não é estratégia de performance
O documento também não recomenda o uso do hormônio por homens sem hipogonadismo para melhorar o desempenho físico, ganhar massa muscular, aumentar a disposição, perder peso, melhorar o controle glicêmico ou retardar o envelhecimento.
“Existe uma diferença entre repor um hormônio que está comprovadamente baixo e utilizar testosterona para tentar potencializar o organismo. A reposição tem uma indicação médica específica e não deve ser tratada como uma ferramenta para alcançar mais performance sem que exista uma deficiência diagnosticada”, explica Lucimar Ghelfi, psicóloga, psicoterapeuta sexual e cofundadora da Lucy.
Libido também exige investigação
A testosterona participa da regulação do desejo sexual, mas a queda da libido, sozinha, não significa deficiência hormonal. Estresse, falta de sono, ansiedade, depressão, medicamentos e outras condições também podem afetar o desejo.
Homens costumam atribuir qualquer queda no desejo sexual à testosterona, mas fatores de saúde geral, como qualidade do sono, alimentação e prática regular de exercício físico, pesam tanto ou mais nesse quadro. Some-se a isso a falta de erotização: o quanto o casal ainda investe em desejo, estímulo e conexão sexual no relacionamento, algo que nenhuma reposição hormonal substitui.
“Antes de pensar em reposição, é preciso entender por que aquele homem está com determinado sintoma e se existe, de fato, uma deficiência hormonal. Usar testosterona como um atalho para performance pode fazer com que outras causas deixem de ser investigadas e levar a um tratamento sem indicação”, afirma Lucimar.
Para as três sociedades, o desafio é evitar que a testosterona seja transformada em uma solução para questões de estética, libido ou desempenho quando não há indicação médica.
“A discussão não deveria ser se testosterona é boa ou ruim. A reposição pode ser necessária para determinados pacientes, mas é preciso diferenciar o tratamento de uma deficiência do uso do hormônio para buscar uma performance maior”, conclui Lucimar.
Sobre a Lucy
A Lucy é uma empresa de saúde sexual masculina fundada por Lucimar Ghelfi, Bernardo Saleme, Waldemar Krueger e Thiago Pereira, com o propósito de melhorar a qualidade de vida sexual dos homens por meio de protocolos terapêuticos baseados em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A empresa aplica o método Ghelfi, desenvolvido ao longo de 40 anos pela psicóloga e psicoterapeuta sexual masculina Lucimar Ghelfi. Um método científico voltado ao tratamento de disfunções e inadequações sexuais de causa psicogênica e oferece, por meio de aplicativo próprio, um acompanhamento estruturado, com anamnese digital baseada em critérios clínicos reconhecidos internacionalmente e orientações para que os usuários conheçam melhor o próprio corpo, identifiquem os mecanismos envolvidos na ejaculação, reduzam a ansiedade sexual, aumentem a autoconfiança e melhorem a qualidade da ereção. Desde sua fundação, a Lucy já atendeu mais de 34 mil usuários. Seu método é validado pela Sociedade Brasileira de Urologia e já foi apresentado no Congresso Brasileiro de Urologia e no Congresso Americano de Urologia em Washington.







