Após mais uma apresentação da temporada, orquestra inicia os preparativos para o quarto e último concerto da série, que celebra a música e a cultura amazônica.
Após realizar o terceiro concerto, realizado no dia 23 de outubro no Teatro ICBEU, a Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) iniciou os preparativos para a quarta e última apresentação da Série Amazônia em 2026, que, segundo informações, será divulgada em breve. A série tem como proposta aproximar a música erudita da identidade cultural da região, valorizando compositores, histórias e manifestações tradicionais da Amazônia.
A iniciativa também busca ampliar o espaço para obras autorais e mostrar como elementos da cultura regional podem ganhar novas interpretações por meio da música clássica.
A preparação ocorre após a apresentação realizada na sexta-feira (23), no Teatro ICBEU, em Manaus. O terceiro concerto reuniu composições de diferentes estilos e épocas, com destaque para uma obra inspirada em uma história de guerreira indígena.
Terceiro concerto reuniu música clássica e identidade amazônica
Sob a regência do maestro Rubens Cláudio, a apresentação teve no repertório a Suíte Pulcinella, do compositor russo Igor Stravinsky; o poema sinfônico Uiara, do amazonense Timóteo Esteves; e a Suíte Florestal, do carioca Alexandre Caldi.
As obras apresentaram diferentes linguagens musicais. Enquanto Stravinsky representa uma referência do repertório erudito internacional, a composição de Alexandre Caldi incorpora ritmos e manifestações culturais da região, como o baque acreano, o lundu marajoara, o carimbó e o boi-bumbá.
A combinação permitiu ao público reconhecer elementos da cultura amazônica dentro de uma apresentação sinfônica, proposta que orienta a Série Amazônia desde o início da temporada.
Maestro destaca evolução da orquestra
Responsável pela condução dos músicos, Rubens Cláudio ressaltou o crescimento artístico e técnico da orquestra ao longo das apresentações. Segundo ele, interpretar uma composição inédita exige dedicação dos instrumentistas e sensibilidade para transformar a partitura em uma experiência capaz de envolver os espectadores.
“É emocionante ver o público vibrando e se emocionando através do som da orquestra”, afirmou.
O maestro também destacou que a série tem potencial para continuar explorando a produção musical da região, especialmente por meio de pesquisas e da descoberta de novas composições.
“A Série Amazônia é uma série que veio para ficar. Pesquisas e mais pesquisas, muito material ainda para ser explorado”, disse.
Composição amazonense retrata história de guerreira indígena
Um dos momentos centrais da noite foi a execução de Uiara, obra assinada por Timóteo Esteves, músico que também integra a OSA como violoncelista e chefe de naipe. Além de compor a peça, ele participou da apresentação como instrumentista.
Inspirada em uma narrativa envolvendo conflitos familiares, mistério e a figura de uma guerreira indígena, a composição procura transformar os acontecimentos da história em sensações e imagens construídas pelos instrumentos.
Antes da execução, o público teve contato com a narrativa que inspirou a obra. A explicação ajudou os espectadores a acompanhar a sequência musical e compreender as diferentes atmosferas criadas ao longo da apresentação.
Timóteo contou que ouvir sua composição interpretada pela orquestra foi uma experiência especialmente emocionante.
“Fiquei muito emocionado e energizado. A gente esperava força da obra, mas, ao vivo, a intensidade é outra”, afirmou.
O compositor também explicou que a história da guerreira indígena foi o ponto de partida para desenvolver a peça.
“Essa história da Índia Guerreira, que passa por toda essa situação com os familiares, é realmente tocante e foi o que me motivou a escrever uma obra com essa energia, com esse brilho, com esse mistério”, disse.
Público reconhece elementos da cultura regional
A apresentação também chamou a atenção dos espectadores pela capacidade de contar uma história sem utilizar palavras. Para a dona de casa Nilce Bandeira, conhecer previamente a narrativa facilitou a compreensão da composição e permitiu visualizar os acontecimentos representados pela música.
“Achamos bem interessante porque conseguimos visualizar a história que ele contou antes, retratou na música”, relatou.
O diretor do Teatro ICBEU, Baldoino Leite, ressaltou a aproximação entre a música erudita e as manifestações culturais do Amazonas, especialmente pela presença de referências ao boi-bumbá na composição de Timóteo.
“De fato, Uiara nos toca porque fala de nós. É emocionante reconhecer elementos do boi-bumbá na música clássica”, afirmou.
Patrocínio e apoio cultural
A temporada 2026 da Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) conta com Patrocínio Amazônia/Master da Manaus Airport, Patrocínio Rio Solimões da Bemol e Patrocínio Rio Negro da Samel.
A OSA conta também com o apoio cultural do Sistema Encontro das Águas, Fundação Rede Amazônica, CAUA, Museu da Amazônia (MUSA) e Hotel dos Frades, reforçando o compromisso de instituições públicas e privadas com o fortalecimento da cultura e da música de concerto na região amazônica.
A realização da Série Amazônia, da Orquestra Sinfônica da Amazônia, é uma ação conjunta da OSA com a Associação Amazônia de Produção, Organização e incentivos artísticos (Apoiar AM).
Orquestra Residente do ICBEU
A Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) recebe o apoio cultural do ICBEU desde sua fundação, em 2024. A OSA é orquestra residente do Instituto Cultural Brasil–Estados Unidos (ICBEU), parceria que contribui para o fortalecimento e a difusão da música de concerto no Amazonas.







