No Dia Mundial do Diabetes, estudo aponta crescimento de 45% nos casos na América do Sul e Central até 2050
O controle do diabetes não depende apenas da alimentação, da medicação e da prática de atividades físicas. As condições ambientais também podem interferir na resposta do organismo e exigir adaptações na rotina do autocuidado. Em períodos de temperaturas extremas, tanto o frio quanto o calor podem representar desafios adicionais para quem convive com a doença.
O alerta ganha relevância diante do avanço dos casos. Segundo a 11ª edição do Atlas de Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF), publicada em 2025, cerca de 588,7 milhões de adultos entre 20 e 79 anos vivem com diabetes no mundo.
A estimativa é que esse contingente alcance 852,5 milhões até 2050, um crescimento de 45%. Na América do Sul e Central, a projeção também é de aumento de 45%, passando de 35,4 milhões para 51,5 milhões de pessoas no período.
As variações de temperatura podem influenciar a estabilidade da glicemia por diferentes mecanismos. No frio, por exemplo, o organismo responde às baixas temperaturas liberando hormônios relacionados ao estresse, como o cortisol, que podem elevar a concentração de glicose no sangue. A estação também pode dificultar a manutenção de atividades físicas ao ar livre e favorecer mudanças nos hábitos alimentares.
Já durante períodos de calor intenso, a preocupação envolve principalmente a desidratação. Pessoas com diabetes podem perder líquidos mais rapidamente, e a falta de hidratação adequada pode elevar os níveis de glicose no sangue. Além disso, temperaturas elevadas podem alterar a maneira como o organismo utiliza a insulina e aumentar a necessidade de monitoramento da glicemia.
“Não existe uma estação do ano em que o cuidado com o diabetes possa ser deixado em segundo plano. O que muda são os fatores aos quais a pessoa precisa estar atenta. No frio, é importante observar possíveis alterações da glicemia e manter a atividade física. No calor, a hidratação e a proteção contra temperaturas elevadas ganham ainda mais importância”, explica Andrezza Silvano Barreto, enfermeira da Vuelo Pharma.
Outro ponto de atenção é a conservação dos medicamentos e equipamentos utilizados no tratamento. A exposição da insulina a temperaturas extremas, tanto ao calor quanto ao frio intenso, pode comprometer sua eficácia.
Por isso, o armazenamento deve seguir as orientações do fabricante, evitando exposição direta ao sol, permanência em veículos quentes e congelamento.
A especialista também chama a atenção para os cuidados com a pele e os pés, especialmente em pessoas que apresentam alterações de sensibilidade ou circulação. O ressecamento, as fissuras e pequenos ferimentos podem passar despercebidos e evoluir para complicações quando não recebem a atenção adequada.
Entre as medidas recomendadas estão manter a hidratação, verificar a glicemia conforme a orientação da equipe de saúde, preservar a rotina de atividades físicas dentro das condições adequadas, proteger os medicamentos de temperaturas extremas e observar diariamente a pele e os pés.
“Pequenas alterações podem passar despercebidas, principalmente quando existe perda de sensibilidade nos pés. Por isso, o autocuidado precisa incluir a observação diária da pele e a procura por avaliação profissional diante de feridas, alterações de coloração ou lesões que não cicatrizam”, reforça a enfermeira.
O Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro, busca ampliar a conscientização sobre a doença, seus fatores de risco, diagnóstico e formas de prevenção de complicações. Para quem já recebeu o diagnóstico, a informação e o acompanhamento profissional continuam sendo fundamentais para um tratamento seguro em diferentes condições climáticas.







