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    Home»Manaus»‘A gente conseguiu salvar quem dava. Foi assustador’, diz médico sobre falta de oxigênio nos hospitais
    Manaus

    ‘A gente conseguiu salvar quem dava. Foi assustador’, diz médico sobre falta de oxigênio nos hospitais

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM15 de janeiro de 2021Updated:15 de janeiro de 2021Nenhum comentário3 Mins Read
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    Um médico usou seu perfil do Instagram na noite de quinta-feira, dia 14, para relatar como foi enfrentar a falta de oxigênio no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), em Manaus, anunciada pela manhã, descrevendo o cenário, que atingiu demais unidades de saúde da capital do Amazonas, como “assustador”, que causou “sensação de impotência”, mas sem perder o esforço contínuo por salvar cada vida tanto quanto fosse possível.

    Pacientes morreram por asfixia, enquanto outros precisaram de técnica de respiração manual, exigindo manobras esforçadas dos profissionais de saúde.

    — Foi um momento desesperador — disse Anfremon D’Amazonas. — Tinha muita gente chorando porque os pacientes morriam e você não tinha o que fazer. A gente teve três perdas. De 27 pacientes, a gente perdeu três.

    Cada uma dessas perdas chocou demais a equipe. É aquela sensação de impotência. Você sabe que aquele doente precisa naquele momento de oxigênio e é a única coisa que você não tem para ofertar.

    O profissional contou no vídeo que a equipe fez o que era possível para garantir o bem-estar dos pacientes.

    — A gente tentou, na medida do possível, não deixar ninguém sem (oxigênio). E aqueles que toleravam um pouquinho mais, a gente foi personalizando esse racionamento de acordo com a gravidade e necessidade de cada paciente — afirmou. —

    A deterioração do corpo da pessoa sem o nível adequado de oxigênio é muito rápida. Os doentes dessaturam muito rapidamente, a pressão começa a cair. O doente morre de uma forma muito rápida. Foi bem dramático. Foi assustador.

    Ele parabenizou os demais funcionários do HUGV diante de todo o esforço empregado em um momento tão difícil.

    — Apesar de assustador, a equipe reagiu muito bem a todo o cenário. A gente conseguiu salvar quem dava, cara, quem podia. Infelizmente, não deu pra todo mundo — acrescentou, ainda abalado.

    Aposentada relata irmã sendo ‘ambuzada’ para sobreviver

    Visando a manter pacientes vivos, apesar da falta de balas de oxigênio, a equipe de saúde precisou usar ambus para substituir a ventilação mecânica, por meio de uma técnica manual. Daí vem o termo “ambuzar” os pacientes, como descreveu a técnica de enfermagem aposentada Solange Batista, que tem uma irmã internada no HUGV.

    O relato dela, gravado num vídeo, vem repercutindo nas redes sociais. Nele, ela conta ter sido anunciado pela manhã que o hospital não tinha mais oxigênio e que sua irmã “está sendo ‘ambuzada’ para sobreviver, com uma saturação a menos de 60%”.

    — E não é só ela, é muita gente que está com o mesmo problema — desabafou. — É muita gente. Isso é um descaso. Dentro do hospital federal eu ter que comprar uma bala de oxigênio para paciente? Isso é impossível de acontecer. Espero que as autoridades, o governo, alguém possa nos ajudar. Nós pagamos nossos impostos, nós temos direito a cobrar isso.

    FONTE: EXTRA

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