Ação pioneira garantiu mais de 1.300 atendimentos e a emissão de 700 registros civis para indígenas Kanamari
A aldeia Massapê, do povo Kanamari, na Terra Indígena Vale do Javari, localizada no município de Atalaia do Norte, a 1.136 quilômetros de Manaus, foi o local de uma importante ação de cidadania que marcou um avanço histórico no acesso à documentação básica para povos indígenas do Vale do Javari.
Realizada entre os dias 13 de fevereiro e 5 de março, a iniciativa levou serviços essenciais a aldeias situadas ao longo do rio Itacoaí, a cerca de nove horas de viagem de barco da sede do município. Ao todo, foram registrados 1.325 atendimentos voltados à população indígena da aldeia Massapê e comunidades indígenas próximas, todas da etnia Kanamari.
A ação foi fruto de uma ampla articulação institucional, reunindo o Cartório Almeida de Lima – Ofício Único de Atalaia do Norte, o setor de Identificação Civil, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Justiça Itinerante, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Defensoria Pública e a Prefeitura de Atalaia do Norte.
O Cartório Almeida de Lima teve papel central na iniciativa, sendo responsável por 700 atendimentos relacionados ao registro civil. Entre os serviços ofertados, destacam-se a emissão de primeira e segunda via de certidões, retificações administrativas e inclusões de nomes de etnias nos registros, que nada mais é que um importante reconhecimento da identidade cultural dos povos atendidos.
A ação superou as expectativas iniciais. A previsão era atender cerca de 300 indígenas durante o período de atuação, porém a demanda foi significativamente maior, evidenciando a necessidade reprimida por serviços de documentação civil no Vale do Javari.
Segundo a tabeliã do Ofício Único de Atalaia do Norte, Mariana Almeida de Lima, o resultado demonstra a importância de ampliar esse tipo de iniciativa.
“Superamos todas as expectativas, com 700 atendimentos realizados junto aos indígenas das aldeias do povo Kanamari. Isso mostra o quanto essas ações são necessárias. Se tivéssemos permanecido por mais tempo, certamente atenderíamos ainda mais pessoas. Nosso compromisso agora é fortalecer e ampliar essas iniciativas para continuar garantindo cidadania aos povos indígenas”, destacou.
Além de assegurar direitos fundamentais, como o acesso à documentação civil, a ação também contribui diretamente para a inclusão social, permitindo que os indígenas tenham acesso a políticas públicas, programas sociais, serviços de saúde, educação e demais direitos garantidos pelo Estado.
A iniciativa reforça o compromisso das instituições envolvidas com a promoção da cidadania, o respeito à diversidade cultural e a garantia de direitos básicos aos povos indígenas, especialmente em regiões de difícil acesso como o Vale do Javari — uma das maiores terras indígenas do Brasil e reconhecida por sua riqueza sociocultural.
Foto: Divulgação Vilomar Bispo




