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    Home»Saúde»Desinformação sobre autismo explode 15.000% na América Latina após pandemia, aponta estudo
    Saúde

    Desinformação sobre autismo explode 15.000% na América Latina após pandemia, aponta estudo

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM20 de novembro de 2025Nenhum comentário4 Mins Read
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    Levantamento da Autistas Brasil e FGV mapeia 150 falsas causas e 150 falsas curas sobre o TEA em 1,6 mil comunidades conspiratórias no Telegram
     

    A desinformação sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) deu um salto sem precedentes na América Latina e no Caribe: cresceu mais de 15.000% desde o início da pandemia de COVID-19. É o que revela um estudo divulgado pela Autistas Brasil, em parceria com o Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas da FGV (DesinfoPop/FGV). A pesquisa analisou 58,5 milhões de conteúdos compartilhados em 1.659 grupos e canais de teorias da conspiração no Telegram entre 2015 e 2025, envolvendo mais de 5,3 milhões de usuários.

    Além de mapear o avanço das narrativas, o estudo identificou e classificou 150 falsas causas e 150 falsas “curas” para o autismo disseminadas nesses ambientes digitais — algumas perigosas e com potencial de causar danos irreversíveis à saúde de crianças e adolescentes. Entre os conteúdos analisados, 47.261 publicações tratavam especificamente de autismo, alcançando 4,1 milhões de pessoas e acumulando 99,3 milhões de visualizações.

    Brasil lidera disseminação no continente

    O Brasil aparece como o principal polo de circulação dessas teorias conspiratórias:
    • 48% do conteúdo sobre autismo mapeado na região é produzido em comunidades brasileiras
    • 10.591 publicações foram encontradas apenas no país
    • O conteúdo atingiu 1,7 milhão de usuários e somou 13,9 milhões de visualizações

    Argentina, México, Venezuela e Colômbia também estão entre os países com maior circulação de desinformação sobre autismo.

    Das telas de celular ao prato: as narrativas falsas mais comuns

    O mapeamento revela teorias que vão desde as já conhecidas alegações antivacina até teorias extremas e sem qualquer base científica. Entre as falsas causas atribuídas ao autismo, aparecem itens como:

    • uso de 5G, Wi-Fi e micro-ondas
    • consumo de salgadinhos como Doritos
    • presença de “parasitas” no corpo
    • inversão do campo magnético da Terra
    • alimentos industrializados e corantes
    • cosméticos, desodorantes e até água da torneira

    Já entre as falsas curas, foram identificadas práticas perigosas e, em alguns casos, criminosas, como:

    • ingestão de dióxido de cloro (CDS/MMS)
    • ozonioterapia e eletrochoque de Tesla
    • uso de prata coloidal, azul de metileno e protocolos de “desparasitação” tóxicos
    • dietas extremas e suplementação sem orientação médica

    Essas supostas curas são frequentemente usadas para exploração financeira de famílias, especialmente daquelas que buscam respostas e apoio após o diagnóstico.

    “Estamos diante de uma epidemia silenciosa de desinformação. A cada nova teoria sem base científica, o que está em jogo não é apenas a verdade, mas a segurança e a dignidade das pessoas autistas e de suas famílias. O estudo mostra como a desinformação se tornou um negócio — explorando a dor e a esperança de quem busca respostas. Precisamos urgentemente de políticas públicas, educação midiática e responsabilidade das plataformas digitais para conter essa onda de desinformação e proteger quem mais precisa de apoio, não de engano.” — Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil

    Impacto humano: famílias são alvos fáceis

    O estudo alerta que a combinação entre desinformação, desespero e promessa de cura cria terreno fértil para exploração emocional e financeira. Pais e cuidadores relatam sentir-se pressionados a testar métodos perigosos, muitas vezes apresentados como “a solução que médicos não querem que você saiba”.

    As narrativas também alimentam preconceito, dificultam a inclusão e reforçam mitos que afastam famílias de acompanhamento médico, terapias baseadas em evidências e suporte adequado.

    Como o estudo foi conduzido

    A pesquisa utilizou coleta automatizada de dados de grupos abertos no Telegram e seguiu protocolos éticos, com anonimização completa das informações em conformidade com a LGPD. Foram aplicadas análises de redes, séries temporais, conteúdo e sobreposições temáticas para compreender como as narrativas se constroem, se conectam e se retroalimentam.

    Sobre a Autistas Brasil

    A Autistas Brasil atua desde 2020 na defesa dos direitos das pessoas autistas e pela efetivação de políticas públicas inclusivas em todo o território nacional. A entidade é referência no debate sobre educação inclusiva e direitos humanos, participando de instâncias consultivas e fóruns de controle social em diversas áreas.

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