Caso investigado pela Polícia Civil de São Paulo expõe avanço de redes criminosas que monetizam violência contra animais na internet; campanha internacional liderada pelo Instituto Ampara Animal cobra responsabilização das plataformas digitais
A prisão de uma mulher investigada por torturar e matar animais para vender vídeos pela internet, realizada nesta semana pela Polícia Civil de São Paulo, reforçou a urgência da campanha global “Animal Safety”, lançada pelo Instituto Ampara Animal para pressionar plataformas digitais e autoridades públicas a combater crimes de crueldade animal em ambientes virtuais.
O caso, investigado pela Delegacia de Crimes contra os Animais do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), revelou a existência de redes criminosas que produzem e comercializam conteúdos de violência extrema contra animais para consumidores no Brasil e no exterior. Segundo a polícia, a mulher responderá por maus-tratos, zoosadismo e comercialização de vídeos de violência. A investigação teve início após denúncia encaminhada pelo Fórum Animal às autoridades paulistas.
Para os organizadores da campanha Animal Safety, o episódio confirma o crescimento de uma estrutura criminosa já monitorada por autoridades brasileiras e internacionais, envolvendo transmissões ao vivo de tortura, grupos organizados em plataformas digitais e comercialização de conteúdo violento em aplicativos, redes sociais e ambientes da deep web.
“O caso mostra que a crueldade contra animais deixou de ser um problema isolado. Existe hoje uma rede estruturada que lucra com violência extrema na internet. A campanha Animal Safety nasce justamente para enfrentar esse cenário e pressionar plataformas e autoridades a tratarem esse tema como prioridade”, afirma Juliana Camargo, presidente do Instituto Ampara Animal.
Dados do Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD), da Polícia Civil de São Paulo, apontam que entre 10 e 15 animais são mortos ou submetidos a violência extrema por noite em transmissões monitoradas pelas autoridades, especialmente em servidores privados no Discord e grupos fechados em aplicativos de mensagens.
As investigações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) também relacionam esses grupos a crimes como indução à automutilação, incentivo ao suicídio, exploração sexual de adolescentes, estupro virtual e apologia à violência extrema. Segundo os investigadores, o sofrimento animal frequentemente é utilizado como mecanismo de dessensibilização dentro dessas comunidades digitais.
A campanha Animal Safety foi criada para mobilizar organizações, especialistas, ativistas e cidadãos em diferentes países em defesa de medidas mais rígidas contra conteúdos de crueldade animal na internet. Entre as ações da campanha estão o lançamento de uma petição internacional, a articulação de mudanças legislativas e a formação de uma coalizão com entidades internacionais que atuam no enfrentamento à violência online contra animais.
Como parte da estratégia institucional, os organizadores concluíram a redação de um Projeto de Lei voltado ao enfrentamento de crimes digitais envolvendo maus-tratos contra animais. A proposta busca ampliar o debate legislativo sobre responsabilização das plataformas digitais e fortalecimento das investigações relacionadas à violência animal em ambientes virtuais.
A campanha também anunciou parceria com a Social Media Animal Cruelty Coalition (SMACC), organização internacional que monitora conteúdos de violência contra animais nas plataformas digitais. Em levantamento recente, a coalizão identificou mais de 83 mil links contendo material de crueldade animal publicados em grandes plataformas online.
Segundo a delegada Lisandréa Salvariego, do NOAD, a violência contra animais nesses ambientes digitais funciona como porta de entrada para crimes ainda mais graves.
“Os maus-tratos são a porta de entrada para outros crimes”, afirmou a delegada em entrevistas recentes sobre as investigações conduzidas pela Polícia Civil paulista.
Com alcance internacional, a campanha Animal Safety pretende ampliar a pressão pública para que empresas de tecnologia adotem mecanismos mais rápidos de identificação, remoção e denúncia de conteúdos violentos, além de fortalecer a cooperação entre plataformas digitais e autoridades policiais.
Assine o abaixo-assinado e faça parte da mudança: Assine aqui:www.animalsafety.org




