As investigações para combater o núcleo da organização criminosa ultrapassaram as fronteiras do Amazonas, alcançando estados da Paraíba, Roraima e Santa Catarina
As Forças de Segurança do Amazonas, por meio da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), prenderam, nesta quarta-feira (20/05), 20 investigados por agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro de R$ 24 milhões, como parte da Operação “Covil do Mamon”. Os envolvidos integram duas organizações criminosas responsáveis, ainda, por homicídios consumados e tentados, tortura, sequestro e cárcere privado. Entre eles, dois são policiais militares e foram capturados no estado de Santa Catarina.
“Na manhã de hoje (quarta-feira), a Polícia Civil realizou mais uma investigação qualificada para combater dois núcleos de organizações criminosas, que estavam voltadas para auferir lucro através de extorsão e agiotagem. Essa operação foi coordenada pelo Departamento de Polícia Metropolitana. (…) O núcleo operacional, o núcleo financeiro e o núcleo mandatário dessas organizações foram presos e responderão por uma série de crime”, afirmou o delegado-geral da PC-AM, Bruno Fraga.
A desarticulação dos grupos contou com apoio dos departamentos de Polícia Metropolitana (DPM), Inteligência de Polícia Civil (DIPC) e Polícia Técnico Científica (DPTC), além da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e Polícia Militar do Amazonas (PMAM). A ação conjunta entre as Forças de Inteligência e de Segurança, inclusive, foi essencial para a prisão dos dois policiais militares em Santa Catarina.
“O trabalho conjunto, esse esforço de comunicação entre as agências de inteligência, o nosso núcleo de inteligência da Polícia Civil, foi fundamental para que nós conseguíssemos localizá-los no estado de Santa Catarina e a prisão foi efetuada”, completou o delegado-geral da PC-AM.
A PC-AM cumpriu 31 mandados de busca e apreensão e o sequestro de 42 veículos e sete imóveis, além do bloqueio judicial de contas bancárias e suspensão das atividades de sete pessoas jurídicas ligadas aos investigados.
“A investigação foi exitosa porque conseguiu identificar toda a cadeia criminosa e todos os responsáveis por cada etapa da cadeia criminosa. Uma vez que nós alcançamos o núcleo diretivo, o núcleo operacional, núcleo logístico e o núcleo financeiro da organização criminosa. Então, estão presas as lideranças, estão presos os cobradores, estão presos aqueles que abastecem de insumos a organização criminosa, através da logística de veículos, logística de armas e, também, alcançamos aqueles que executam as ações diretas e criminosas de cobranças a juros exorbitantes”, disse o delegado do 20º Distrito Integrado de Polícia (DIP), responsável pela investigação, Fernando Bezerra.
Esquema
De acordo com as investigações, os grupos criminosos operavam um esquema de empréstimos e juros exorbitantes, no qual o não pagamento nas datas estipuladas resultava em um sistema organizado de cobranças violentas. As vítimas eram submetidas a ameaças, extorsões, tortura, sequestros e, em alguns casos, homicídios.
“É importante lembrar que não se trata de simples empréstimos. São, na realidade, casos de empréstimos a juros abusivos, extorsivos. Temos casos de R$ 150 emprestados que se tornaram R$ 45 mil de dívida. Temos casos que a dívida progrediu em uma progressão que não se justifica para mais de R$ 400 mil. É uma forma extremamente inescrupulosa de cobranças através de lesão corporal, ameaças acintosas. Temos catalogados homicídios, também derivados desses atos de cobrança”, relatou o delegado Fernando Bezerra.
As investigações também identificaram que o esquema de lavagem de dinheiro ultrapassava as fronteiras do Amazonas, alcançando os estados da Paraíba e Roraima, além de Santa Catarina – onde os policiais militares foram presos, na manhã desta quarta-feira (20/05). Dos 20 presos, sete foram interceptados em Manaus e 13 fora do Amazonas. Durante a operação, foram apreendidos ainda diversos itens utilizados pelas organizações.
“Aqui, nós temos armas de fogo, nós temos espadas, nós temos também mídias em geral, computadores, celulares. Nós vamos fazer uma avaliação acerca de todo esse material para, justamente, averiguar se ainda há outros alvos a serem incluídos nessa investigação, porque nós temos consciência de que a investigação não para por aí e vem a segunda fase (dessa investigação)”, concluiu o delegado do 20º DIP.
Conforme o diretor de comunicação da PMAM, major Andrey Oliveira, os policiais militares presos já respondiam a processo criminal e estavam suspensos das atividades policiais. “Reafirmamos que Polícia Militar do Amazonas não compactua com esses casos de corrupção policial. Eles já respondiam a um processo administrativo disciplinar anterior e aguardaremos o desfecho dessa investigação da Polícia Civil, desse novo caso, para colocar ação administrativa novamente em cima desses policiais e, quem sabe, conseguir a exclusão de policiais que não compactuam com o dever da Polícia Militar, de preservar a união pública e de ser uma instituição correta de segurança”, enfatizou.
FOTO: Arthur Castro/Secom




