Iniciativa tem o apoio do Fundo Amazônia e deve beneficiar mais de 14 mil famílias
Comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas estão no centro das ações do projeto “Prospera na Floresta”, que tem o objetivo de contribuir para a consolidação de áreas protegidas no Amazonas por meio do incentivo a atividades econômicas sustentáveis, como cadeias produtivas da sociobiodiversidade, turismo sustentável de base comunitária e empreendedorismo na floresta. A expectativa é beneficiar mais de 14 mil famílias até 2029.
A iniciativa é executada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio do Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Abrange 22 áreas protegidas, sob gestão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Com execução prevista para quatro anos, a iniciativa atuará em uma área de mais de 20 milhões de hectares e deverá beneficiar diretamente 11.344 pessoas.
O projeto prevê atividades em áreas protegidas do Amazonas, incluindo Unidades de Conservação (UCs), Terras Indígenas (TIs) e territórios quilombolas. A atuação se concentrará no fortalecimento das cadeias produtivas da sociobiodiversidade, no incentivo ao turismo sustentável de base comunitária (TSBC), no apoio ao empreendedorismo e em ações voltadas à prosperidade indígena e ao empoderamento comunitário.
O coordenador executivo de projetos da FAS, Gil Lima, destaca que a proposta é consolidar um modelo de desenvolvimento que una conservação ambiental e geração de renda nos territórios: “O desafio na Amazônia não é apenas produzir de forma sustentável, mas estruturar cadeias que garantam escala, qualidade e acesso ao mercado. O ‘Prospera na Floresta’ atuará justamente nesse ponto, conectando produção, organização comunitária e oportunidades econômicas, o que permite transformar iniciativas locais em soluções duradouras para os territórios e com os territórios”, afirma.
Primeiros passos e metas
Desde fevereiro, o projeto tem realizado rodadas de articulação e planejamento das atividades nas comunidades envolvidas na programação do Prospera na Floresta, com o objetivo de garantir efetividade nas próximas etapas. As metas incluem a implantação de unidades de beneficiamento, a disponibilização de equipamentos para o escoamento produtivo e o apoio à construção de infraestruturas voltadas à produção sustentável. A expectativa é ampliar consideravelmente o faturamento das comunidades.
O fortalecimento comunitário passará pela capacitação de lideranças, ampliação do protagonismo feminino, produção de conteúdos pedagógicos, realização de eventos integradores e profissionalização de organizações sociais locais. As populações indígenas estão entre os públicos atendidos pelo projeto. O planejamento contempla ações nos municípios de Atalaia do Norte, Lábrea, Manicoré e Nhamundá, localizados, respectivamente, nas TIs Vale do Javari, Caititu, Lago Jauari, Pinatuba e Nhamundá-Mapuera.
Entre as estratégias previstas estão o apoio financeiro a associações femininas ligadas à sociobiodiversidade e o fortalecimento da elaboração e implementação dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs). Outro marco da iniciativa será a construção de núcleos de prosperidade indígena de apoio às populações indígenas das TIs Vale do Javari e Nhamundá-Mapuera, fortalecendo ações de governança e geração de renda.
A coordenadora do Programa Indígena da FAS, Rosa dos Anjos, do povo Mura, destaca a importância da iniciativa para fortalecer a sociobioeconomia indígena e valorizar os conhecimentos ancestrais e a relação histórica das etnias com seus territórios. “Mais do que geração de renda, esse projeto contribui para fortalecer autonomia, cultura, governança e o bem viver dos povos indígenas do Amazonas. A FAS demonstra um olhar importante ao compreender que proteger a Amazônia também significa fortalecer quem historicamente cuida desses territórios”, afirma.
No eixo do empreendedorismo em bioeconomia, as ações incluem formações em gestão, finanças, acesso a mercado e outros temas voltados ao fortalecimento de negócios comunitários, com foco na inclusão produtiva de mulheres, jovens e comunidades quilombolas.
O projeto também prevê a estruturação de programas de pré-incubação, incubação e aceleração, além do desenvolvimento de produtos, certificações e estratégias de marketing. As iniciativas incluem ainda ações de promoção comercial e fortalecimento da comunicação por meio de eventos, campanhas, catálogos e estratégias de ampliação do acesso a mercados.
A superintendente-geral adjunta da FAS, Valcleia Lima, enfatiza que a ampliação das ações reforça o compromisso com soluções sustentáveis nos territórios. “Essa expansão reforça os esforços da FAS com soluções que partem dos territórios e valorizam o protagonismo das populações locais, especialmente das mulheres indígenas. Ao investir nesses pontos, estamos construindo um modelo de desenvolvimento que respeita a biodiversidade amazônica e promove inclusão social com sustentabilidade. Esse trabalho só é possível graças aos parceiros que acreditam na floresta em pé, bem como nas populações que vivem nela”, afirma.
Acompanhe a evolução do projeto aqui.
Sobre a FAS
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.




