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    Home»Meio Ambiente»O que um parasita encontrado em onças e jaguatiricas pode nos ensinar sobre saúde, biodiversidade e equilíbrio ambiental? 
    Meio Ambiente

    O que um parasita encontrado em onças e jaguatiricas pode nos ensinar sobre saúde, biodiversidade e equilíbrio ambiental? 

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM20 de maio de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Estudo científico publicado em 2025, com participação do Instituto Ampara Animal, buscou novas descobertas sobre a circulação de parasitas do gênero Cytauxzoon em felinos silvestres brasileiros, como onças-pardas e jaguatiricas, em diferentes biomas do país. 

    Mas o que isso significa? E por que esses estudos são importantes para a conservação da biodiversidade e para a saúde dos ecossistemas? 

    Sobre a doença: citauxzoonose felina 

    A citauxzoonose felina é uma doença causada por hemoparasitas transmitidos por carrapatos. Nos Estados Unidos, a espécie mais conhecida é o Cytauxzoon felis, responsável por casos frequentemente graves e altamente letais em gatos domésticos. Já em felinos silvestres, como linces, a infecção costuma ocorrer de forma crônica e sem sinais clínicos aparentes, permitindo que esses animais atuem como reservatórios naturais do parasita.  

    No Brasil, porém, o cenário parece ser muito mais complexo. 

    Pesquisas recentes vêm mostrando que existem múltiplas linhagens e espécies de Cytauxzoon circulando na fauna brasileira, incluindo o recém-descrito Cytauxzoon brasiliensis e outras variantes geneticamente próximas ao C. felis.  

    O que aponta o estudo? 

    O estudo analisou amostras de jaguatiricas (Leopardus pardalis) e onças-pardas (Puma concolor) em áreas da Amazônia, Cerrado e Pantanal, identificando alta prevalência do parasita nessas espécies. Em alguns grupos analisados, mais de 60% dos animais estavam positivos para Cytauxzoon spp., mesmo sem apresentar sinais clínicos da doença.  

    Esses resultados reforçam a hipótese de que felinos silvestres brasileiros funcionam como reservatórios naturais do agente, mantendo sua circulação no ambiente ao longo do tempo. O estudo também observou que alguns animais permaneceram infectados por meses ou apresentaram sinais de reinfecção, característica já conhecida em parasitas desse grupo.  

    Outro ponto importante envolve os possíveis vetores da doença. 

    Pesquisas anteriores já levantavam a suspeita de que o carrapato Amblyomma sculptum pudesse atuar na transmissão do parasita no Brasil, especialmente em áreas onde a prevalência da infecção em felinos silvestres é extremamente alta. O novo estudo fortalece essa hipótese ao encontrar esse carrapato em animais positivos para diferentes espécies de Cytauxzoon spp.  

    Ainda assim, os pesquisadores reforçam que a dinâmica de transmissão da doença no Brasil ainda não está completamente esclarecida e necessita de mais estudos. 

    Conhecer mais sobre a saúde da biodiversidade também é proteger a saúde de todos 

    É justamente aí que entra uma discussão fundamental: a relação entre saúde, conservação e impactos humanos sobre os ecossistemas. 

    Em condições naturais e equilibradas, muitos parasitas circulam entre espécies silvestres sem causar grandes impactos aparentes. Mas esse equilíbrio pode ser facilmente rompido por ações humanas, como desmatamento, fragmentação de habitats, expansão urbana e agropecuária.  

    Essas alterações aumentam o contato entre fauna silvestre, animais domésticos e seres humanos, favorecendo eventos conhecidos como “spillover”, quando agentes infecciosos conseguem atravessar espécies diferentes. 

    Isso significa que mudanças ambientais podem aumentar riscos sanitários, favorecer o surgimento de doenças em animais domésticos e provocar desequilíbrios importantes na saúde dos ecossistemas. 

    Além disso, mesmo infecções consideradas silenciosas em animais silvestres podem se tornar um problema quando associadas a fatores como estresse ambiental, perda de diversidade genética, destruição de habitats e coinfecções com outras doenças.  

    Os pesquisadores destacam ainda que o monitoramento de Cytauxzoon spp. pode funcionar como uma importante ferramenta para compreender a saúde ambiental, servindo como bioindicador de conectividade ecológica, das relações entre hospedeiros e vetores e dos impactos ambientais sobre a fauna silvestre.  

    Ou seja, mais do que um agente de enfermidade infecciosa, o Cytauxzoon precisa ser entendido como parte de um sistema ecológico complexo e dinâmico, diretamente influenciado pelas transformações ambientais causadas pelas atividades humanas. 

    A conservação da biodiversidade, a saúde animal e a saúde humana estão conectadas. 

    Quer entender mais sobre a pesquisa e seus achados? Acesse aqui o artigo publicado

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