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    Home»Saúde»O que é puerpério e como ele pode afetar a saúde mental?
    Saúde

    O que é puerpério e como ele pode afetar a saúde mental?

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM25 de maio de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Fase após o parto envolve mudanças no corpo, queda hormonal e adaptação à maternidade real, diz psicóloga. Tristeza persistente, irritação e sensação de incapacidade exigem atenção; rede de apoio e acompanhamento profissional podem ajudar

    Muitas mulheres só descobrem o que é o puerpério quando já estão dentro dele. Depois do nascimento do bebê, entre noites mal dormidas, alterações no corpo, inseguranças, cobranças e uma rotina completamente nova, é comum que a mãe perceba que algo mudou, mas nem sempre consiga nomear o que está vivendo. É nessa fase que o seu  organismo passa por uma readaptação depois da gestação e do parto, com mudanças hormonais, recuperação física e produção de leite.

    Embora seja comum em maternidades e consultórios, o termo ainda é pouco conhecido por muitas mulheres no pós-parto. Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, a falta de informação pode fazer com que mudanças emocionais importantes sejam confundidas com algo esperado da maternidade ou vividas em silêncio.

    “O puerpério está muito mais relacionado à adaptação orgânica. Já o pós-parto está muito mais relacionado à adaptação psicológica”, diz.

    A OMS estima que cerca de 13% das mulheres que acabaram de dar à luz apresentam algum transtorno mental, principalmente depressão. Em países em desenvolvimento, a prevalência no pós-parto pode chegar a 19,8%. No Brasil, estudo da Fiocruz aponta que mais de uma em cada quatro mulheres apresenta sintomas de depressão entre seis e 18 meses após o nascimento do bebê.

    Para Rafaela, um dos fatores que ajudam a explicar o sofrimento emocional no período é o encontro entre a maternidade imaginada e a maternidade real. Durante a gestação, muitas mulheres constroem expectativas sobre como será o bebê, a amamentação, a participação do parceiro e a própria forma de maternar. Depois do nascimento, essa expectativa pode não se confirmar.

    “O puerpério romantizado é vendido para muitas pessoas. Mas o puerpério real é diferente. A mulher vai ter que lidar com o bebê real, não com o bebê idealizado; com a maternidade real, não com a maternidade idealizada; com a amamentação real, não com a amamentação idealizada”, avalia.

    O bebê pode chorar mais do que a mãe esperava. A amamentação pode doer ou não acontecer como havia sido planejada. O parceiro pode não dividir os cuidados da forma combinada. A rotina da casa pode mudar de maneira brusca. A mulher também pode sentir falta de sono e de tempo para cuidados básicos.

    Segundo a psicóloga, essa realidade pode levar a alterações emocionais importantes, principalmente quando se soma à queda hormonal do pós-parto, à privação de sono e à falta de apoio.

    Outro fator citado por Rafaela é a sensação de invisibilidade da mãe depois do nascimento do bebê.

    “As pessoas vão visitar o bebê, não a mãe. Durante a gestação, ela recebe mimos, todo mundo quer saber dela. Quando o bebê nasce, muitas vezes ninguém pergunta como ela está”, afirma.

    Segundo a especialista, quando o cuidado se concentra apenas no bebê, a mulher pode se sentir invisível e ter mais dificuldade para falar sobre o próprio sofrimento. Visitas longas, palpites e cobranças sobre amamentação, sono e rotina também podem aumentar a sobrecarga no pós-parto.

    Quais são os sinais de alerta?

    Oscilações emocionais nos primeiros dias após o parto podem ocorrer. Muitas mulheres ficam mais sensíveis, choram com facilidade, sentem irritação ou alternam momentos de alegria e tristeza. Esse quadro é conhecido como baby blues ou tristeza pós-parto.

    O baby blues é diferente da depressão pós-parto. Ele costuma ser transitório, dura poucas semanas e pode aparecer nos primeiros dias depois do nascimento, com choro, ansiedade, irritabilidade e mudanças de humor. Quando os sintomas persistem ou se intensificam, é preciso investigar.

    O Ministério da Saúde lista entre os sintomas da depressão pós-parto tristeza intensa, desespero constante, perda de interesse por atividades, alterações no sono e no apetite, culpa, ansiedade, dificuldade de concentração e pensamentos de morte ou de fazer mal a si mesma ou ao bebê.

    Rafaela recomenda atenção a mudanças como irritabilidade intensa, choro frequente, pesadelos, pensamentos repetitivos sobre o mesmo assunto, alteração importante de apetite, isolamento e sensação persistente de não dar conta.

    Mulheres que já tinham histórico de depressão, ansiedade ou outros transtornos antes da gestação precisam de acompanhamento mais próximo. Segundo a psicóloga, interromper medicação por conta própria ao descobrir a gravidez não é indicado. A orientação, além de um psicólogo perinatal, é procurar o psiquiatra para avaliar a conduta mais segura.

    Casos com alucinações, pensamentos desconexos, perda de contato com a realidade ou risco para a mãe e para o bebê exigem atendimento imediato.

    O que a mãe deve fazer se não estiver bem?

    A orientação é falar com alguém de confiança e procurar avaliação profissional quando a tristeza, a irritação, a ansiedade ou a sensação de incapacidade causam sofrimento ou começam a interferir na rotina.

    No SUS, a mulher pode relatar os sintomas nas consultas de pré-natal ou pós-parto, ao obstetra, à equipe da unidade de saúde ou a outro profissional que acompanhe a família. A partir disso, pode ser encaminhada para avaliação em saúde mental.

    O que a rede de apoio pode fazer?

    Para familiares e amigos, a ajuda no pós-parto deve reduzir a sobrecarga, não aumentá-la. A orientação é evitar visitas longas, diminuir cobranças, observar mudanças de comportamento e perguntar como a mulher está.

    Também é importante evitar frases que minimizem o sofrimento, como dizer que a mãe deveria estar feliz ou que tudo é normal porque ela acabou de ter um bebê. Segundo Rafaela, esse tipo de reação pode fazer com que a mulher demore mais para pedir ajuda.

    A psicóloga afirma que a rede de apoio deve observar mudanças de comportamento e incentivar a busca por atendimento quando o sofrimento persiste.

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