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    Home»Manaus»Defensoria Pública aponta falhas de transparência em reajuste da Águas de Manaus após cobrança de Amom Mandel
    Manaus

    Defensoria Pública aponta falhas de transparência em reajuste da Águas de Manaus após cobrança de Amom Mandel

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM26 de maio de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    NUDECON apura reajuste de 5,52% aplicado em 2026 e investiga indícios de cobrança antes da conclusão da análise regulatória; órgão também acompanha reclamações sobre qualidade dos serviços de água e esgoto na capital

    O Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do Amazonas, o NUDECON/DPE-AM, confirmou ao gabinete do deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) que está analisando a regularidade, a transparência e a legalidade dos reajustes tarifários aplicados pela concessionária Águas de Manaus. A resposta foi enviada após ofício do parlamentar solicitando informações sobre cobranças que têm pesado no orçamento das famílias manauaras, especialmente em relação aos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

    No documento, o NUDECON informa que já havia instaurado o Procedimento Coletivo nº 01/2025 para apurar o reajuste de 12,32% aplicado pela concessionária no ano passado. A análise identificou que o índice não correspondia apenas à inflação, mas era formado por três parcelas: 6,33% referentes ao IGP-M, 3,92% relativos ao parcelamento de reajustes de 2020 e 2021, suspensos durante a pandemia, e 1,65% decorrente da 4ª Revisão Tarifária Ordinária de 2022.

    Embora o NUDECON tenha apontado que essas parcelas tinham previsão contratual e regulatória, o órgão concluiu que houve deficiência substancial no dever de informação ao consumidor. Segundo a Defensoria, a divulgação do reajuste foi insuficiente, limitada a publicações em periódicos de baixa circulação, sem comunicação clara, ostensiva e prévia nas próprias faturas de consumo. Para o órgão, essa conduta revelou potencial afronta aos princípios da boa-fé, da transparência e da informação adequada previstos no Código de Defesa do Consumidor.

    A partir dessa constatação, o NUDECON expediu recomendação à Águas de Manaus para que futuros reajustes sejam informados nas faturas dos consumidores nos dois meses anteriores à cobrança, além de serem divulgados amplamente em veículos de grande circulação, meios digitais e canais oficiais de atendimento. A Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus, a AGEMAN, também foi recomendada a fiscalizar rigorosamente o cumprimento do dever de informação e a adotar medidas administrativas e sancionatórias diante de falhas.

    A resposta também aponta uma nova frente de apuração, desta vez sobre o reajuste de 5,52% aplicado em fevereiro de 2026. O NUDECON informou que expediu ofício diretamente à Águas de Manaus cobrando esclarecimentos sobre a existência de ato administrativo específico de homologação ou autorização do reajuste, os fundamentos legais e contratuais usados para justificar o índice, a comprovação de comunicação prévia aos consumidores e ao órgão regulador, além do estágio da análise técnica eventualmente conduzida pela AGEMAN.

    Um dos pontos mais sensíveis do documento é a informação de que o NUDECON apura indícios de que o reajuste possa ter sido implementado antes da conclusão formal da análise regulatória competente. Caso essa hipótese seja confirmada, a Defensoria afirma que poderão ser adotadas medidas extrajudiciais e judiciais para a tutela coletiva dos consumidores afetados.

    Para Amom Mandel, a resposta reforça a necessidade de fiscalização permanente sobre um serviço essencial. “Água e esgoto não são luxo. Quando uma família recebe uma conta que não consegue pagar, ela precisa saber exatamente o que está sendo cobrado, por que está sendo cobrado e se aquela cobrança foi devidamente autorizada. O consumidor não pode ser o último a saber e o primeiro a pagar”, afirma o deputado.

    Além dos reajustes, o NUDECON informou que também acompanha reclamações relacionadas à qualidade dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, incluindo recomposição asfáltica, execução de obras, impactos à mobilidade urbana, cumprimento das metas de investimento, adequação técnica das intervenções e padrões mínimos de qualidade e continuidade do serviço público.

    Segundo Amom, o acompanhamento é fundamental porque a cobrança chega todos os meses, mas a qualidade do serviço nem sempre chega junto. “Em muitos bairros de Manaus, a população reclama de conta alta, rua quebrada, obra mal refeita, falta de informação e atendimento ruim. O que estamos fazendo é cobrar dos órgãos responsáveis que cada reajuste seja explicado, fiscalizado e, se houver irregularidade, corrigido. Serviço essencial precisa respeitar o bolso e a dignidade das pessoas”, destacou.

    A Defensoria afirmou, na resposta, que permanece atenta para garantir que a prestação do serviço público concedido observe não apenas o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, mas também os direitos fundamentais dos consumidores à informação adequada, à modicidade tarifária e à prestação eficiente de serviços essenciais.

    A cobrança encaminhada ao NUDECON se soma a uma série de ações de fiscalização conduzidas por Amom Mandel contra a concessionária Águas de Manaus. O deputado tem atuado como um dos principais críticos da empresa, especialmente diante das reclamações de moradores sobre contas elevadas, falhas no esgotamento sanitário, obras mal executadas e impactos diretos na infraestrutura dos bairros. Entre as medidas já adotadas, estão representações formalizadas junto ao Ministério Público do Amazonas, nas quais o parlamentar apontou desperdício de recursos públicos e falta de planejamento entre as obras de asfaltamento realizadas pela Prefeitura de Manaus e as intervenções de saneamento da concessionária. Na prática, segundo as denúncias, ruas recém-asfaltadas acabam sendo quebradas logo depois para novas obras, gerando prejuízo ao poder público e transtornos à população.

    Além das medidas formais de fiscalização, Amom também tem realizado reuniões com a direção da Águas de Manaus e com representantes de comunidades afetadas para cobrar soluções imediatas em bairros com histórico de alagamentos, problemas de esgoto, buracos abertos após intervenções e recomposição asfáltica de baixa qualidade. Para o parlamentar, a população não pode continuar pagando uma conta alta por um serviço que, em muitos casos, ainda não chega com a qualidade prometida.

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