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    Home»Cidades»Imersão no hip hop inspira novos caminhos para jovens do sistema socioeducativo em Manaus
    Cidades

    Imersão no hip hop inspira novos caminhos para jovens do sistema socioeducativo em Manaus

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM4 de julho de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Ação do CNJ em parceria com a Defensoria e Sejusc apresentou a cultura hip hop como ferramenta de expressão e de construção de novos projetos

    As letras críticas do rap passaram a fazer parte do dia a dia de Maria*, de 16 anos, desde que começou a cumprir medida socioeducativa no Centro Socioeducativo de Internação Feminina, na zona Centro-Oeste de Manaus, há três meses. Nesta sexta-feira (3/7), ela apresentou uma das músicas que compôs durante a 5ª edição do projeto “Caminhos Literários no Socioeducativo: pelo direito à cultura” para outros jovens que vivem a mesma realidade.

    A adolescente cantou sobre as riquezas da Amazônia e afirmou que pretende fazer da arte o caminho para transformar sua trajetória. Entre os planos para quando deixar o sistema socioeducativo está escrever um livro sobre a própria história.

    “Vou escrever um livro contando a minha história desde que eu tinha nove anos. Vou mostrar a todos também que o rap não é um simples canto, é algo que serve muito para a nossa vida”, disse. 

    Da plateia, João*, de 17 anos, contou que está há sete meses no Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa e, nesse período, escreveu três músicas de trap, um dos subgêneros presentes na cultura hip hop. A escrita tornou-se seu novo passatempo e, segundo ele, também poderá representar uma fonte de renda para ajudar a família. 

    “Eu pretendo escrever ainda mais, sobre o que eu vivo, o que eu vivi e tudo o que aprendi. Quero poder ajudar minha família e dar todo o apoio para minha mãe com esse trabalho”, comentou. 

    Caminhos Literários no Socioeducativo

    Na sede administrativa da Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM), localizada na Avenida André Araújo, no bairro Aleixo, a iniciativa reuniu adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas para uma imersão na cultura hip hop, com o propósito de ampliar perspectivas e inspirar novas oportunidades para o futuro.

    O 1º subdefensor público-geral do Amazonas, Helom Nunes, destacou que o encontro busca oferecer esperança aos adolescentes e mostrar que é possível construir novos projetos de vida.

    “A Defensoria é uma instituição comprometida com a proteção da criança e do adolescente, inclusive daqueles em conflito com a lei. É importante nos unirmos a parceiros para promover o resgate desses jovens, isso transforma a sociedade”, afirmou. 

    Arte que transforma

    Durante uma tarde de imersão na cultura hip hop, os participantes experimentaram diferentes expressões artísticas, como música e dança, além de conversar com artistas que encontraram na cultura um caminho de transformação. Entre eles, Rafa Militão, DJ nascida na periferia de Manaus. 

    “O que vocês viram aqui foi a cultura hip hop acontecendo. E foi isso que me salvou”, declarou a artista.

    “Acredito muito na arte como ferramenta de transformação social. Também sou da quebrada e perdi vários amigos. Só não virei estatística porque encontrei a música”, completou.

    André Santos, integrante do coletivo Perifa Amazônia, apresentou aos socioeducandos as diferentes possibilidades da cultura hip hop e mostrou como sentimentos como raiva e revolta podem ser transformados em expressão artística.

    “Viemos fazer aqui o que já fazemos diariamente nas unidades socioeducativas: formar lideranças. Eles passam a entender que a cultura hip hop é um instrumento político e de transformação”, destacou. 

    Mais sobre o projeto

    A iniciativa reúne representantes do sistema de Justiça, especialistas e profissionais das áreas de cultura, educação, socioeducação e direitos humanos para discutir o acesso à cultura como direito fundamental de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas.

    Nesta edição, o movimento hip hop foi o tema central da programação, que reuniu apresentações culturais, palestras e debates voltados à reflexão sobre o papel da arte na ampliação de direitos e na construção de novas perspectivas para esses jovens. 

    “O Amazonas sempre esteve envolvido com políticas que promovem o resgate dentro do sistema. Aqui temos jovens que hoje são exemplos positivos e podem inspirar outros colegas”, afirmou Saulo Góes, magistrado representante do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Prisional e Socioeducativo do Tribunal de Justiça do Amazonas. 

    O diretor do Departamento Socioeducativo da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Gerlison Portílio, ressaltou a importância de iniciativas como essa para adolescentes privados de liberdade. 

    “Por meio da dança, da música e do grafite, os jovens têm um momento de lazer e, mais do que isso, acesso a uma cultura que pode servir de base para uma transformação”, pontuou.

    O evento foi promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) e com o apoio da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc).

    *Nomes modificados para proteger a identidade dos jovens socieducandos 

    Texto: Thamires Clair
    Fotos: Luiz Felipe Santos/ DPE-AM

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