Greenpeace Brasil celebra dados do último Deter, e reforça que o trabalho deve continuar, apesar dos retrocessos em curso no Congresso Nacional.

Dados do Deter entre agosto de 2025 e julho de 2026 registram um total de 2.874,38 km² em alertas de desmatamento, o menor número da série histórica.

São Paulo, 07 de agosto – O Greenpeace Brasil celebra os dados do DETER divulgados nesta sexta-feira, que encerram o ano referência (agosto de 2025 a julho de 2026) e mostram um resultado histórico para a Amazônia: o bioma registrou o menor número de alertas de desmatamento da série histórica, o equivalente a 2.874,38 km². Em comparação com o período anterior, a redução foi de 36%.

Além de representar o menor número de alertas desde o início da série histórica (2016), o Brasil está diante da possibilidade de alcançar, pela primeira vez, uma taxa anual de desmatamento inferior à registrada em 2012, de 4.571 km².

“Este é um resultado histórico. Se os dados consolidados do PRODES confirmarem a tendência apontada agora pelos alertas do DETER, o país poderá registrar a menor taxa de desmatamento de sua história (1998). Isso mostra que o Brasil dispõe de instrumentos capazes de conter o avanço da destruição da floresta e que o Desmatamento Zero deixou, finalmente, de ser uma ambição distante para se tornar uma meta completamente alcançável.  No campo internacional, este resultado também mostra que o Brasil, se continuar fazendo o dever de casa, tem condições de liderar a agenda global de proteção das florestas”, afirma a porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil, Ana Clis Ferreira.

Ameaças no Congresso e futuro nas mãos do STF

O Greenpeace Brasil alerta, contudo, que, embora estejamos mais perto de tornar realidade a meta de desmatamento zero até 2030, retrocessos socioambientais aprovados no Congresso, como a Nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, podem atrapalhar essa trajetória.

“Estar mais perto não significa que essa trajetória está garantida, principalmente quando o Congresso segue aprovando retrocessos que desmontam os instrumentos de fiscalização responsáveis por esse resultado, num ano em que o cenário eleitoral historicamente pressiona a agenda socioambiental e a chegada de um possível Super El Niño deve intensificar as secas e, portanto, o risco de incêndios florestais na Amazônia no segundo semestre”, completa Ferreira.

No próximo dia 12, o Supremo Tribunal Federal (STF) irá julgar a chamada “Agenda Verde”, um conjunto de ações que vai analisar a constitucionalidade de leis aprovadas pelo Congresso Nacional que tratam de três temas ligados ao meio ambiente: Moratória da Soja, Marco Temporal para as terras indígenas e Licenciamento Ambiental.

O Greenpeace Brasil acredita que esse é o momento oportuno para o país se mostrar protagonista na proteção ambiental e acelerar a trajetória rumo ao Desmatamento Zero, com políticas efetivas que vão além da fiscalização e do controle e que também garantam a proteção das florestas, o respeito aos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Isso inclui:

  • a eliminação do desmatamento das cadeias produtivas, sobretudo de grãos e gado;
  • maior rigor nos fluxos financeiros que ainda permitem que o crédito chegue a infratores ambientais;
  • planejamento de infraestrutura para a Amazônia que considere os impactos socioambientais, evite a abertura de novas frentes de desmatamento e degradação da floresta e não contribua para o aumento da insegurança e dos conflitos na região.

Sobre o Greenpeace Brasil

O Greenpeace Brasil é uma organização ativista ambiental sem fins lucrativos, que atua desde 1992 na defesa do meio ambiente. Ao lado de todas as pessoas que buscam um mundo mais verde, justo e pacífico, a organização atua há mais de 30 anos na defesa do meio ambiente, denunciando e confrontando governos, empresas e projetos que incentivam a destruição das florestas.

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