Prestamos pouca atenção às plantas sem interesse econômico, mas todas são essenciais para o resgate do bioma do qual restam apenas 28% da área. Texto de Ana Carolina Petisco de Souza, Fernanda Brum, Márcia Marques e Marcos Carlucci

Observar a natureza há tempos tem intrigado os estudiosos da biodiversidade e aqueles que se beneficiam de recursos naturais. A princípio, as observações poderiam surgir por mera curiosidade ou sem objetivo claro. Podemos imaginar que aquelas espécies de plantas e animais que estivessem ao alcance do olhar atento dos observadores seriam as primeiras estudadas.

Se pensarmos em uma planta, sua altura poderia ser medida, seu caule analisado, suas flores e folhas desenhadas em seus detalhes e estruturas, e seus frutos saboreados. Essas plantas seriam aquelas que costumamos encontrar em quintais, praças, ruas e florestas.

Dentre elas, estariam plantas comuns e que não são facilmente prejudicadas pelas alterações que o homem realiza na paisagem e plantas com alguma utilidade, cultivadas ou exploradas em seu habitat natural para fins alimentícios ou de matéria prima para móveis, construção civil e fibras, por exemplo.

No decorrer da história, informações sobre tais plantas poderiam ser transmitidas, acumuladas, armazenadas, discutidas e utilizadas para diversos fins científicos e não-científicos.

Por outro lado, aquelas espécies de plantas que fossem dificilmente encontradas, por serem naturalmente raras por exemplo, ou que não possuíssem um uso claro e direto para os homens, não teriam a mesma quantidade de informações disponíveis.

Ou seja, para algumas espécies até mesmo o conhecimento oriundo de observações corriqueiras poderia ser deficiente, como por exemplo, informações de onde a espécie pode ser encontrada ou se troca ou perde as folhas ao longo do ano.

A diferença entre o que não sabemos e o que deveríamos saber a respeito das espécies é chamada de lacuna de conhecimento da biodiversidade.

Mesmo que uma espécie possa ser mais conhecida que outras, devido a trajetórias históricas da ciência, ou devido a interesses em matéria prima, ela pode ter importância na regulação e no funcionamento de ecossistemas.

Processos fundamentais para o funcionamento de ecossistemas em si e para a qualidade de vida dos seres humanos são resultado da interação entre animais, plantas e a matéria orgânica e inorgânica e são chamados de funções ecossistêmicas. As funções são, por exemplo, a produção de biomassa, o sequestro de carbono atmosférico, a ciclagem de matéria orgânica e inorgânica e a resistência à seca.

Essas funções ecossistêmicas são intermediadas por características do organismo vivo, os quais podem ser mais ou menos influentes em funções ecossistêmicas. Isso porque as características das plantas (ou características funcionais) podem representar o bom desempenho em determinadas funções, enquanto são prejudicadas em outras, algo que também é chamado de estratégia ecológica.

Por exemplo, suponha que duas espécies apresentem folhas completamente diferentes. Em uma, a folha é larga e sua grande área permite maior captação de luz solar para a fotossíntese. No entanto, devido ao alto investimento energético na produção da folha larga, a planta deixa de gastar energia com a produção de tecidos mais resistentes para a folha. A folha produzida é macia e suscetível a perda de água, o que reduz seu tempo de sobrevivência e torna necessário que a planta produza novas folhas.

(Continua)

Confira a matéria: https://ciencia.ufpr.br/portal/?p=21748 (copie e cole em caso de falha)

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