Votação foi prorrogada em seções ainda abertas após relatos de dificuldade para eleitores chegarem às urnas; autoridades investigam por que centenas de veículos permaneceram nas garagens.

Um áudio atribuído ao presidente do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, Fábio Primo, trouxe um novo elemento à investigação sobre os problemas no transporte público durante o segundo turno das eleições, em 25 de outubro. Divulgada pelo Metrópoles, a gravação contém orientações para que integrantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) adesivassem ônibus que sairiam das garagens no dia da votação.

Naquele domingo, eleitores relataram dificuldade para chegar aos locais de votação. A Prefeitura de Salvador afirmou que a colocação de propaganda eleitoral nos ônibus atrasou a saída dos veículos, pois os adesivos precisariam ser retirados. O sindicato repudiou a atribuição de responsabilidade pela retenção da frota e defendeu a apuração dos fatos.

O problema no transporte foi um dos motivos apresentados à Justiça para pedir mais tempo de votação. Por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, o horário foi estendido até as 19h apenas nas seções que ainda estavam abertas às 17h. O Tribunal Superior Eleitoral suspendeu temporariamente a totalização e a divulgação dos resultados, retomadas após as 19h. Segundo o TSE, as duas candidaturas à Presidência haviam relatado dificuldades no deslocamento de eleitores.

A investigação, porém, não se encerra com a divulgação do áudio. Uma fiscalização do Procon da Bahia encontrou 944 ônibus parados em garagens de Salvador e informou que a maioria dos veículos vistoriados não tinha adesivos eleitorais. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinou o envio do caso à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal para apurar possíveis crimes eleitorais relacionados à redução da frota.

A gravação levanta perguntas sobre a adesivagem. A fiscalização levanta outras sobre a quantidade de ônibus que deixou de circular. Quem decidiu manter os veículos nas garagens e em que medida os adesivos afetaram a operação? A resposta depende da análise dos registros das empresas, da Prefeitura e das demais provas reunidas pelas autoridades.

Com informações do Metrópoles, TSE, TRE-BA e Procon-BA.

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