O Brasil que toca no rádio, domina o streaming e lota arenas pelo país inteiro começa a despertar o interesse de quem vive de números. A música sertaneja, fenômeno cultural e comercial sem paralelo na cena brasileira, está no centro de uma movimentação inédita no mercado de direitos musicais.
A Piunti Records, sob o comando de André Piunti, e a Flowinvest, fundo especializado em crédito estruturado, formalizaram uma parceria voltada à aquisição de catálogos e royalties do gênero, unindo pela primeira vez, o mercado financeiro e o coração da indústria sertaneja no Brasil.
De um lado, a Piunti Records assume o relacionamento direto com artistas, compositores e detentores de direitos, nome que já circula com credibilidade no meio. Do outro, a Flowinvest, com mais de uma década de atuação no setor de entretenimento e cerca de R$ 2 bilhões movimentados em operações, assume a estruturação financeira do projeto, conectando capital, inteligência financeira e visão estratégica para impulsionar o desenvolvimento do mercado de royalties musicais no Brasil.
Um fundo internacional, ainda não revelado, também participa da iniciativa, reforçando o apetite externo pelo que o sertanejo representa em receita recorrente.
E os números justificam o interesse. O gênero lidera há anos os rankings de streaming no país, movimenta turnês milionárias e alimenta um ecossistema que vai das gravadoras às plataformas digitais, passando por licenciamentos, execuções em rádios e shows ao vivo. Todo esse movimento gera royalties, e é exatamente aí que a parceria enxerga valor.
Para Piunti, o que está em jogo é também o reconhecimento do que o sertanejo já é. “A música passa a ser enxergada como um ativo estratégico, capaz de gerar valor de longo prazo para artistas, investidores e para toda a cadeia do entretenimento.”
Para os artistas e compositores do gênero, o modelo abre uma porta até então pouco acessível: a possibilidade de monetizar catálogos consolidados sem abrir mão da carreira. É liquidez imediata sobre um patrimônio que, muitas vezes, ficava represado em contratos sem estrutura de aproveitamento financeiro.
“Existe uma geração de artistas e compositores que acumulou um patrimônio valioso em forma de música, mas que raramente teve acesso a soluções capazes de transformar esse valor em novas oportunidades. Queremos abrir esse mercado, mostrando que os royalties podem financiar novos projetos, impulsionar carreiras e permitir que o artista usufrua hoje de parte do valor que levaria anos para receber. É uma nova forma de olhar para a música: não apenas como arte, mas também como um ativo capaz de gerar desenvolvimento”, comenta Marcos Carlesse, Head da Área de Entretenimento da Flowinvest.
O movimento acompanha uma tendência já consolidada lá fora, em que grandes fundos internacionais compraram catálogos de nomes como Bob Dylan, Bruce Springsteen e Neil Young.




