Estudos clínicos são fundamentais para o desenvolvimento de novos tratamentos e podem representar uma perspectiva para pacientes com doenças que ainda não possuem terapias específicas
O diagnóstico do influenciador e especialista em aviação Lito Souza trouxe visibilidade para a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição rara e neurodegenerativa associada ao acúmulo de proteínas priônicas anormais no cérebro. A doença provoca comprometimento neurológico progressivo e, atualmente, não há tratamento capaz de interromper ou reverter sua evolução.
O caso também chama atenção para o papel da pesquisa clínica na busca por novas alternativas terapêuticas, especialmente para doenças raras. Esses estudos são realizados com voluntários para avaliar a segurança e a eficácia de medicamentos, vacinas e outros tratamentos antes que possam ser disponibilizados à população.
Segundo Fernando de Rezende Francisco, diretor-executivo da Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica (ABRACRO), a participação em um estudo depende de critérios previamente estabelecidos.
“Para participar de um estudo que já está em andamento, é necessário que o recrutamento ainda esteja aberto e existam vagas disponíveis. O primeiro passo é verificar se o paciente atende aos critérios de inclusão e não apresenta nenhum dos critérios de exclusão definidos no protocolo”, explica.
No caso das doenças raras, o desenvolvimento de pesquisas enfrenta desafios adicionais. Como existem poucos pacientes com determinadas condições e eles podem estar distribuídos por diferentes regiões ou países, os estudos frequentemente exigem a colaboração entre centros de pesquisa, instituições e pesquisadores de diferentes localidades.
Todo ensaio clínico também precisa seguir um protocolo previamente definido e passar pelas avaliações éticas e regulatórias exigidas em cada país.
Para quem busca informações sobre pesquisas em andamento, a orientação é conversar com o médico responsável pelo tratamento e procurar instituições de pesquisa, organizações de apoio a pacientes e bases públicas de estudos clínicos.
Com a Lei nº 14.874/2024, que estabelece diretrizes para pesquisas com seres humanos no Brasil, o país também busca ampliar sua participação no cenário internacional da pesquisa clínica.
“A pesquisa clínica não representa apenas uma etapa para testar um novo medicamento. Ela é essencial para desenvolver tratamentos seguros e eficazes, baseados no processo científico de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Para pacientes com doenças raras e ainda sem terapias específicas, cada avanço científico pode representar uma nova perspectiva”, finaliza Francisco.
Sobre a ABRACRO
A Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica é responsável pela grande mudança na reputação dessa área tão importante para a saúde no Brasil. Desde 2005, ela representa as ORPCs (Organizações Representativas de Pesquisa Clínica) e contribui para a melhoria dos processos e atividades do setor. Hoje, são fonte para os órgãos reguladores do setor que, pela rigidez dos processos e questões éticas, muitas vezes a consulta antes da publicação de uma nova norma. A ABRACRO também realiza eventos e workshops para aproximar o paciente e o público leigo dos profissionais da área.







