Estudo da Universidade de Cambridge aponta aumento dos casos de shigelose transmitida por relação sexual no Reino Unido e alerta para cepas cada vez mais resistentes aos antibióticos, elevando a preocupação das autoridades de saúde
A disseminação de uma forma de diarreia transmitida durante relações sexuais tem colocado as autoridades de saúde do Reino Unido em estado de alerta. Dados recentes mostram aumento expressivo dos casos de shigelose no país, impulsionado por variantes da bactéria resistentes aos principais antibióticos utilizados no tratamento. A shigelose é uma infecção intestinal provocada por bactérias do gênero Shigella. Extremamente contagiosa, ela costuma causar diarreia intensa, que pode vir acompanhada de sangue, além de cólicas abdominais, febre e náuseas. Em todo o mundo, estima-se que a doença seja responsável por mais de 200 mil mortes por ano. De acordo com números da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA), o país registrou 2.560 casos da infecção em 2025, contra 2.052 em 2023. O aumento de aproximadamente 25% acendeu o sinal de alerta, especialmente porque mais da metade das notificações ocorreu em Londres.
Um estudo publicado em 8 de julho por pesquisadores da Universidade de Cambridge identificou que as cepas transmitidas por contato sexual estão se espalhando mais rapidamente do que aquelas adquiridas por outras formas de contágio. Os cientistas também observaram que essas variantes apresentam níveis mais elevados de resistência aos medicamentos disponíveis.
Como ocorre a transmissão?
Na maioria das vezes, a shigelose é contraída pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes ou pelo contato com superfícies infectadas. No entanto, a bactéria também pode ser transmitida durante práticas sexuais que envolvam contato com material fecal, especialmente no sexo anal.
A pesquisa analisou 3.514 amostras da bactéria e constatou que cerca de um terço dos casos estava relacionado à transmissão sexual entre homens que fazem sexo com homens. Outro terço foi associado a outras formas de infecção, enquanto os demais registros estavam ligados a viagens para regiões da África, Ásia, América Latina e Caribe.
Resistência preocupa especialistas
Embora muitos pacientes se recuperem apenas com hidratação e repouso, os quadros mais graves exigem tratamento com antibióticos. O problema é que as cepas associadas à transmissão sexual vêm apresentando resistência crescente a esses medicamentos. Segundo a geneticista Kate Baker, principal autora do estudo e pesquisadora da Universidade de Cambridge, cerca de 70% das infecções sexualmente transmissíveis analisadas eram resistentes a pelo menos um antibiótico, percentual superior ao observado nos demais tipos de infecção.
Para os pesquisadores, esse cenário representa uma ameaça crescente à saúde pública e exige reforço nas estratégias de prevenção, diagnóstico e vigilância epidemiológica.
Especialistas da UKHSA também recomendam que pessoas pertencentes aos grupos mais afetados adotem medidas rigorosas de higiene e procurem atendimento médico ao apresentar sintomas como diarreia intensa, sangue nas fezes, febre ou dor abdominal persistente.
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