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    Home»Economia»Endividamento recorde reforça necessidade urgente de educação financeira no Brasil
    Economia

    Endividamento recorde reforça necessidade urgente de educação financeira no Brasil

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM6 de maio de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    O avanço do endividamento das famílias brasileiras continua em ritmo acelerado e expõe um problema estrutural: a falta de educação financeira. Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostram que cerca de 80,4% das famílias estavam endividadas em março, alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e 3,3 pontos acima do registrado no mesmo período do ano passado.

    Levantamento da Serasa Experian reforça esse cenário ao indicar que o país já soma mais de 82 milhões de inadimplentes. A pesquisa, realizada com 1.904 pessoas, revela que 38% apontam o desemprego ou a perda de renda como principal motivo para não conseguir pagar as dívidas. No entanto, fatores ligados à gestão financeira — como desorganização (13%), gastos emergenciais (16%), apoio a terceiros (10%) e atraso em contas básicas (7%) — já representam, juntos, 46% dos motivos.

    Outro dado que chama atenção é o aumento do valor das dívidas. Em média, cada brasileiro inadimplente deve R$ 6.728,51, distribuídos em cerca de quatro dívidas diferentes. O volume total já chega a R$ 557 bilhões, com crescimento de 3,35% em relação ao levantamento anterior.

    Para Kelvia Carneiro, presidente da Cactvs e doutora em Administração, os números evidenciam que o problema vai além da renda. “Existe, sim, um impacto de fatores econômicos como emprego e renda, mas uma parcela significativa do endividamento está ligada à falta de planejamento. Sem educação financeira, o consumidor fica mais vulnerável a imprevistos e decisões pouco estratégicas”, afirma.

    Na prática, essa desorganização aparece em comportamentos cotidianos. “Muitas pessoas não sabem exatamente quanto ganham ou gastam. O primeiro passo é organizar o orçamento doméstico: listar todas as receitas, mapear despesas e separar o que é essencial do que pode ser reduzido”, orienta.

    Outro ponto crítico é o uso inadequado do crédito. Segundo a especialista, ele tem sido utilizado como complemento da renda, o que agrava o problema. “Quando o crédito entra para cobrir despesas básicas, os juros passam a consumir uma parte crescente da renda. É nesse momento que a renegociação pode ser necessária, especialmente em dívidas com taxas mais altas, como cartão de crédito e cheque especial”, explica.

    Kelvia também chama atenção para erros recorrentes que alimentam o ciclo de inadimplência: parcelamentos sem planejamento, falta de acompanhamento dos gastos, desconsideração dos juros e ausência de uma reserva de emergência. “São decisões do dia a dia que, acumuladas, levam ao descontrole financeiro”, pontua.

    Ferramentas digitais podem ajudar a reverter esse cenário. Aplicativos de controle financeiro, planilhas e soluções oferecidas por bancos e fintechs permitem monitorar despesas, estabelecer metas e melhorar a gestão do dinheiro. “A tecnologia já oferece suporte, mas é preciso criar o hábito de usar essas ferramentas de forma consistente”, diz.

    Além dos impactos econômicos, o endividamento também afeta diretamente o bem-estar. “Estamos falando de um problema que gera estresse, ansiedade e impacta a qualidade de vida. Por isso, educação financeira não deve ser vista como algo opcional, mas como uma habilidade essencial”, reforça.

    Diante do cenário de endividamento crescente, Kelvia defende que a educação financeira seja tratada como prioridade. “Quando o consumidor entende como administrar seus recursos, ele ganha autonomia, evita dívidas desnecessárias e consegue planejar o futuro com mais segurança”, conclui.

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