Nova chamada vai destinar R$ 3 milhões para apoiar iniciativas lideradas por juventudes periféricas e de comunidades tradicionais para ações de justiça climática, comunicação comunitária e fortalecimento territorial.
A crise climática já transformou o cotidiano de milhões de jovens brasileiros. Enchentes, queimadas, falta de água, insegurança alimentar, remoções forçadas e ausência de saneamento atingem principalmente periferias urbanas, territórios indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Mas, apesar de estarem entre os grupos mais impactados, jovens que atuam diretamente nesses territórios ainda enfrentam enormes barreiras para acessar financiamento climático.
A maior parte dos recursos internacionais e nacionais destinados ao clima continua concentrada em grandes instituições, consultorias e organizações com alta capacidade burocrática. Na prática, isso significa que coletivos jovens, movimentos periféricos e organizações comunitárias seguem fora dos espaços de decisão e distantes dos recursos necessários para ampliar soluções já existentes nos territórios.
Especialistas e lideranças do campo socioambiental têm alertado que enfrentar a emergência climática sem fortalecer organizações de base aprofunda desigualdades históricas e limita a capacidade de resposta das próprias comunidades. Em muitos casos, são esses grupos que organizam ações de prevenção a enchentes, comunicação comunitária, educação ambiental, defesa dos rios, proteção de biomas e mobilização contra o racismo ambiental.
É nesse contexto que o Fundo Casa Socioambiental lança uma nova chamada Juventudes e Justiça Climática – Apoio a soluções lideradas por juventudes periféricas e de comunidades tradicionais. A proposta busca ampliar o acesso ao financiamento direto para grupos que atuam na linha de frente do enfrentamento à emergência climática e ao racismo ambiental.
A nova chamada dá continuidade a uma estratégia iniciada em 2024, quando o Fundo Casa apoiou 35 organizações e movimentos juvenis em diferentes regiões do país. As iniciativas apoiadas demonstraram como soluções territoriais conseguem responder diretamente aos impactos climáticos enfrentados pelas comunidades.
Em São Paulo, jovens do projeto Ciclo Ambiental Rádio Favela, da organização Ciclolog, levou debates sobre racismo ambiental e justiça climática para as ruas, becos e vielas do Jardim Lapenna, na zona leste de São Paulo, por meio de uma rádio itinerante em cima de uma bicicleta. A iniciativa produziu áudios comunitários, oficinas e encontros com jovens, crianças e moradores para discutir os impactos das enchentes, da falta de saneamento e das desigualdades ambientais no território.
Além das ações de educomunicação, o projeto fortaleceu redes locais, ampliou o diálogo sobre justiça climática nas periferias e criou o jogo de tabuleiro “Juventudes Periféricas no Combate ao Racismo Ambiental”, distribuído em 300 cópias para escolas, coletivos e comunidades. O jogo transforma temas como enchentes, desigualdade e soluções comunitárias em uma experiência educativa e acessível para jovens e moradores do território.
A juventude participou das oficinas, expedições, plantios, produções audiovisuais e atividades educativas sobre a Caatinga, ajudando a fortalecer o debate sobre conservação ambiental e justiça climática no território. O projeto alcançou mais pessoas do que o previsto inicialmente e mobilizou jovens que passaram a atuar como multiplicadores das ações ambientais nas próprias comunidades.
Os resultados desses projetos reforçam um debate crescente dentro do campo socioambiental: as soluções climáticas já existem nos territórios, mas ainda enfrentam barreiras históricas para acessar financiamento direto.
Para o Fundo Casa socioambiental, ampliar o apoio a iniciativas juvenis é estratégico para fortalecer respostas locais à crise climática, e também para democratizar o acesso aos recursos e garantir maior participação das comunidades nos processos de decisão.




