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    Home»Cidades»Falta de saneamento adequado causa mais de 160 mil internações hospitalares ao ano
    Cidades

    Falta de saneamento adequado causa mais de 160 mil internações hospitalares ao ano

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM3 de junho de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    No Amazonas, investimentos conduzidos pela Sedurb e UGPE buscam estruturar serviços de água e esgoto na capital e no interior

    Mais de 160 mil internações hospitalares foram registradas em 2024, em decorrência de doenças associadas à veiculação hídrica, conforme aponta o estudo “Saneamento e Saúde”, publicado em março de 2025 pelo Instituto Trata Brasil. O levantamento relaciona quadros como diarreias e parasitoses aos impactos da ausência de serviços adequados de água tratada e rede de esgoto, infecções que poderiam ser evitadas com investimentos em infraestrutura sanitária.

    Para o médico sanitarista e ex-secretário de Saúde de Manaus, Homero de Miranda Leão, os números refletem uma realidade crônica em regiões vulneráveis. “A ausência de água tratada e de esgoto cria o ambiente ideal para doenças como diarreia, hepatite A, febre tifoide e parasitoses”, explica.

    Segundo o especialista, os impactos vão além dos leitos hospitalares. A maior circulação dessas doenças afeta a população de forma ampla, comprometendo a qualidade de vida coletiva e mantendo uma pressão constante sobre o sistema de saúde. “Investimentos contínuos em saneamento reduzem a exposição a agentes contaminantes e produzem efeitos duradouros na saúde pública, diminuindo os riscos associados à água contaminada”, afirma.

    O diagnóstico apontado pelo Trata Brasil e a análise do médico sanitarista ajudam a compreender por que expandir a infraestrutura básica ainda exige atenção especial na região. No Amazonas, esse cenário pede um olhar ainda mais focado quando o assunto é o avanço do esgotamento público.

    De acordo com o Ranking do Saneamento de 2026, baseado em indicadores da mesma instituição, o estado vive um forte contraste: embora Manaus registre atendimento de água tratada acima de 97%, a rede de coleta de esgoto atende apenas cerca de um terço da capital (32%). No interior, a disparidade é ainda mais acentuada: o acesso à água encanada atende cerca de 81% da população, enquanto a rede de esgoto chega a menos de 14% das residências.

    O saneamento básico é um direito garantido pela Constituição, mas ainda distante do cotidiano de muitas cidades, como explica o engenheiro civil Marcellus Campêlo. Especialista em Saneamento Básico, Campêlo afirma que as prefeituras, que administram o sistema, têm dificuldade para manter os investimentos necessários para a universalização dos serviços. O Marco Legal do Saneamento estabelece como meta para isso o ano de 2033.

    Por conta disso, conforme ele relata, nos últimos anos o Governo do Estado fez investimentos significativos e deu apoio técnico para que os municípios possam enfrentar esse desafio, sobretudo no interior.

    As ações foram executadas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), órgãos que Marcellus Campêlo conduziu de 2019 a março de 2026, quando se desincompatibilizou para colocar o nome à disposição da Federação União Progressista (UP), como pré-candidato a deputado estadual. Campêlo é segundo vice-presidente do União Brasil no Amazonas e membro titular do diretório da UP no estado.

    Conforme ele, os avanços alcançados nesse período demonstram que é possível reduzir o déficit de saneamento com planejamento, investimentos e gestão integrada. Ele cita como exemplos, os programas Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), na capital, e de Saneamento Integrado (Prosai), em Maués e Parintins, além da criação da Microrregião do Saneamento Básico (MRSB).

    Em Manaus, pelo Prosamin+, foram construídos 100 quilômetros de redes de coleta de esgoto (com meta de atingir 160 km até 2027). Foram implantadas as Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) Educandos, a maior da região Norte, construída pela UGPE, e Raiz, esta última erguida pela Águas de Manaus em terreno cedido pelo estado.

    Já em Maués, onde o Prosai já foi concluído, o município passou a contar com mais de 50% de cobertura de rede de tratamento de esgoto e uma capacidade de reserva de água sete vezes superior à anterior, saindo de 227 mil litros para 1,7 milhão de litros.

    Em Parintins, onde o Prosai iniciou em setembro de 2024, os resultados já são sentidos. O programa eliminou o problema de poços contaminados por metais pesados e hoje a cidade já recebe água 100% tratada nas torneiras. A implantação de rede de esgoto também começou e a cidade sairá do zero para a cobertura de 25%.

    AVANÇO CONTÍNUO

    Com a criação da MRSB, o saneamento básico poderá ser, agora, gerenciado e compartilhado entre estado e municípios, permitindo o financiamento para projetos de água e esgoto, com recursos federais e da iniciativa privada. “Essa regionalização permite que municípios pequenos tenham melhores condições de estruturar projetos e acessar recursos para o saneamento”, observa Marcellus Campêlo.

    Outra atuação importante nessa área que ele destaca é o programa Água Boa, da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), órgão da Sedurb, em parceria com a Defesa Civil do Estado. O programa leva sistemas simplificados de abastecimento a comunidades isoladas, com instalação de caixas d’água e purificadores para ampliar o acesso à água de qualidade. Já implantou 670 sistemas simplificados em 56 municípios do interior. Somente em 2024, mais de 4,7 mil caixas d’água e 41 purificadores foram distribuídos em comunidades de difícil acesso, ampliando o acesso à água de qualidade.

    Marcellus Campêlo ressalta que o desafio do saneamento no Amazonas exige soluções permanentes e integradas. “O Norte ainda convive com os menores índices de cobertura de água e esgoto do país. O caminho técnico para a região é a consolidação de projetos contínuos, capazes de apoiar os municípios a vencer esse déficit de forma planejada, garantindo que os resultados positivos cheguem de forma definitiva à mesa e à saúde da população”, conclui.

    FOTO: Caio de Biasi

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