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    Home»Meio Ambiente»FAS reforça urgência do acesso à energia na Amazônia durante a COP30
    Meio Ambiente

    FAS reforça urgência do acesso à energia na Amazônia durante a COP30

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM19 de novembro de 2025Nenhum comentário5 Mins Read
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    Belém (PA), novembro de 2025 — Durante o lançamento do livro “Amazônia: A cultura dos povos originários mantém vivo o saber da floresta e o testemunho de seus personagens”, ontem, dia 18 de novembro, na COP30, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) chamou atenção para um dos problemas estruturais mais profundos enfrentados pelas populações tradicionais da região: a falta de acesso contínuo à energia elétrica.

    O debate foi conduzido por Valcléia Lima, superintendente geral-adjunta da FAS, que apresentou dados sobre como a ausência de eletrificação impacta diretamente a economia, a educação, a saúde e a autonomia produtiva das comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas.

    Segundo pesquisa da ACTION Pesquisas de Mercado, 42,2% dos moradores da Amazônia apontaram, em 2019, a energia elétrica como um dos principais desafios estruturais da região. Já dados do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) indicam que mais de 990 mil pessoas na Amazônia Legal ainda não têm acesso à energia — muitas dependem apenas de geradores movidos a combustíveis fósseis, que funcionam poucas horas por dia e elevam as emissões de gases de efeito estufa.

    Hoje, 313 das 582 comunidades onde a FAS atua utilizam geradores, funcionando em média 4 horas por dia, consumindo milhares de litros de diesel ao ano, gerando custos elevados e emissões de CO₂ que poderiam ser evitadas com soluções renováveis. Durante a apresentação, Valcléia reforçou que a transição energética é fundamental para que os povos da floresta tenham meios de produção sustentável, geração de renda e acesso a direitos básicos como saúde e educação.

    “Nós entendemos que sem energia não haverá prosperidade na Amazônia. São quase um milhão de amazônidas que não têm energia 24 horas por dia. Às vezes têm quatro horas de abastecimento, e geralmente não é suficiente para armazenar, nem para beneficiar e, muito menos, agregar valor aos produtos, uma vez que a energia é essencial para que nós consigamos desenvolver as atividades.”

    Nos últimos anos, a FAS tem investido em parcerias para ampliar o acesso à energia em comunidades amazônicas. Um desses projetos apresentados durante a apresentação foi o que beneficiou mais de 530 famílias com o sistema de energia solar instalado na comunidade Bauana, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, no município de Carauari (distante a 787 quilômetros de Manaus), interior do Amazonas. A iniciativa visa fortalecer o empreendedorismo sustentável, alinhado à bioeconomia, e melhorar os indicadores socioeconômicos da população regional.

    A partir da instalação do sistema, foi possível o funcionamento de duas miniusinas para produção de óleos de andiroba e murumuru, buriti, açaí, e outros produtos da bioeconomia amazônica. O sistema solar possui 80 painéis e 32 baterias de lítio. Além do Bauana, o sistema beneficiará outras 10 comunidades, entre a RDS Uacari e a Reserva de Extrativista (Resex) Médio Juruá. São elas: Santo Antônio, Vila Ramalho, São Raimundo, Bom Jesus, Imperatriz, Roque, Nova Esperança, Novo Horizonte, Pupuaí e Gumo do Facão.

    O sistema de energia é fruto do projeto “Sempre Luz”, realizado entre a FAS e a multinacional brasileira UCB Power. Em 2021, a mesma iniciativa levou abastecimento para aproximadamente 130 pessoas da comunidade ribeirinha Santa Helena do Inglês, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Negro, no município de Iranduba (distante a 64 quilômetros de Manaus). O local sofria com constantes interrupções de energia e, após o projeto, passou a ter o fornecimento de eletricidade 24 horas.

    “Para a minha comunidade principalmente, que reside dentro da unidade de conservação, a instalação de uma usina de beneficiamento de óleos vegetais pode representar não apenas uma fonte de renda adicional, mas também uma oportunidade de promover a sustentabilidade socioeconômica e ambiental. Essa usina oferece benefícios significativos para todas as famílias locais”, destaca o extrativista Caio Gondim do Carmo, comunitário do Bauana.

    Projeto-piloto de energia renovável aposta em tecnologia inédita no Brasil

    A comunidade do Tumbira, na RDS do Rio Negro (AM), recebeu em agosto o primeiro sistema de armazenamento com baterias de sódio do Brasil, instalado pela UCB Power em parceria com a FAS. A solução combina 20 módulos fotovoltaicos (7,50 kWp) e 16 baterias de sódio (38,40 kWh), oferecendo energia limpa, contínua e com vida útil projetada entre 4.000 e 6.000 ciclos — mais de uma década de operação mesmo em regiões remotas.

    Com investimento de cerca de R$ 1,2 milhão, o projeto beneficia 43 famílias e viabiliza refrigeração de pescado, produção de sorvetes, armazenamento de alimentos, conectividade e atividades produtivas comunitárias, ampliando renda e autonomia local. Além de reduzir a dependência de diesel e as emissões de CO₂, o piloto funciona como laboratório para futuras instalações na Amazônia Legal e reforça o papel do armazenamento como peça-chave da transição energética no Brasil.

    Mais comunidades beneficiadas em 2026

    O governo brasileiro e a GEAPP firmaram, em Belém durante a COP30, um protocolo de intenções com duração de cinco anos para expandir o acesso à energia renovável em comunidades remotas da Amazônia, com foco nas regiões do Amazonas, Pará e Roraima. A iniciativa busca eliminar a pobreza energética, fortalecer a bioeconomia local e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Como primeira etapa, a GEAPP aportou US$ 3 milhões num piloto que será implementado pela FAS.

    A estratégia envolve dois eixos principais: apoiar políticas públicas que ampliem o acesso à energia e à geração de renda; e financiar sistemas de micro-redes solares comunitárias com baterias, especialmente em zonas sem conexão à rede elétrica. A meta é que essas soluções promovam autonomia energética, ampliem serviços essenciais (saúde, educação) e fomentem atividades produtivas nas comunidades da “Amazônia profunda”.

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