Por: Wilson Bicalho
A greve geral anunciada para esta semana em Portugal chega em um momento particularmente sensível.
Coincide com o início da alta temporada turística, com problemas já identificados no controle de fronteiras dos aeroportos e, de forma muito simbólica, com a realização da XIV edição do Fórum de Lisboa, um dos maiores encontros jurídicos do espaço lusófono, que mobiliza centenas de autoridades, acadêmicos, empresários e profissionais brasileiros entre Portugal e o Brasil.
Tenho acompanhado com preocupação os relatos de longas filas nos aeroportos portugueses, especialmente em Lisboa. O próprio operador aeroportuário recomendou que passageiros de voos extra-Schengen cheguem com antecedência reforçada, enquanto companhias aéreas já registram cancelamentos e alterações de voos.
O problema não se resume ao incômodo de esperar mais algumas horas. Estamos falando de impacto direto na mobilidade internacional, em viagens de negócios, eventos acadêmicos, turismo e encontros familiares. Para muitos brasileiros, Portugal é hoje uma das principais portas de entrada para a Europa, e qualquer falha operacional acaba tendo repercussão imediata na imagem do país.
A situação se torna ainda mais relevante porque ocorre em uma semana em que Lisboa recebe um enorme contingente de visitantes brasileiros para o Fórum de Lisboa. São magistrados, advogados, professores, empresários, jornalistas e representantes institucionais que chegam e partem justamente em um período de maior tensão operacional.
É importante reconhecer que o direito à greve é legítimo e faz parte de qualquer democracia madura. Mas também é legítimo esperar que serviços estratégicos, especialmente aqueles ligados à mobilidade internacional e ao controle de fronteiras, tenham capacidade de resposta adequada para minimizar impactos sobre cidadãos e empresas.
Portugal vive um momento de grande exposição internacional. O país tem atraído investimentos, turismo, estudantes e profissionais qualificados de todo o mundo. Por isso, a eficiência dos seus aeroportos e dos seus sistemas de controle migratório deixou de ser apenas uma questão operacional. Tornou-se uma questão de competitividade, reputação e confiança institucional.
O desafio não está apenas em responder às crises quando elas surgem, mas em construir sistemas mais resilientes, tecnológicos e preparados para um país que recebe cada vez mais pessoas e que depende, cada vez mais, da mobilidade internacional para sustentar seu crescimento econômico.




