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    Economia

    Inadimplência rural bate recorde e acende alerta sobre gestão financeira no campo

    Redação Fatos AMBy Redação Fatos AM8 de junho de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Estados do Norte lideram índice de dívidas no agronegócio; especialista aponta educação financeira e microcrédito como caminhos para evitar o agravamento do problema

    A inadimplência no agronegócio brasileiro atingiu o maior nível da série histórica em 2025. Dados do Boletim Agro da Serasa Experian mostram que 8,2% da população rural encerrou o ano com dívidas em atraso superior a 180 dias, evidenciando os desafios financeiros enfrentados pelos produtores em um cenário marcado por custos elevados, instabilidade climática, oscilações de mercado e crédito mais caro.

    Além do avanço nacional da inadimplência, o levantamento revela diferenças importantes entre os estados brasileiros. O Rio Grande do Sul registrou o menor índice de inadimplência rural do país, com 5,3%, seguido por Paraná e Santa Catarina. Na outra ponta, o Amapá apresentou o maior percentual, alcançando 19,9% dos produtores rurais inadimplentes. Regionalmente, o Norte lidera o ranking, com taxa de 12,5%, seguido pelo Centro-Oeste (9,6%) e Nordeste (9,4%). Já a Região Sul apresentou o melhor desempenho nacional, com índice médio de 5,7%.

    Para Kelvia Carneiro, presidente da Cactvs, os números mostram que a saúde financeira do produtor rural depende não apenas da produtividade, mas também da capacidade de planejamento e gestão.

    “Os desafios enfrentados pelo agronegócio nos últimos anos impactaram diretamente o caixa das propriedades. O aumento dos custos de produção, somado às oscilações climáticas e de mercado, reduziu as margens e elevou a necessidade de financiamento. Nesse contexto, a organização financeira passa a ser tão importante quanto a gestão da produção”, afirma.

    Segundo a especialista, embora fatores externos influenciam o endividamento, existem medidas capazes de reduzir riscos e fortalecer a capacidade financeira dos produtores.

    Como evitar o endividamento

    Entre as principais recomendações está a separação das finanças pessoais das contas da atividade rural. Misturar despesas familiares e custos de produção dificulta a visualização dos resultados do negócio e pode comprometer decisões financeiras.

    Outra prática importante é o acompanhamento constante do fluxo de caixa. Registrar receitas, despesas, financiamentos e investimentos permite identificar períodos de maior pressão financeira e agir preventivamente.

    A criação de uma reserva para emergências também é considerada fundamental, especialmente em um setor sujeito a perdas causadas por fatores climáticos. Além disso, especialistas recomendam que toda contratação de crédito seja precedida por uma análise da capacidade de pagamento e do retorno esperado do investimento.

    “Nem sempre o problema está na contratação do crédito, mas na falta de planejamento sobre como aquele recurso será utilizado e pago. O crédito deve ser uma ferramenta de crescimento e não uma fonte permanente de preocupação”, destaca Kelvia.

    O que fazer quando as dívidas já existem

    Para os produtores que já enfrentam dificuldades financeiras, a orientação é agir rapidamente. O primeiro passo consiste em realizar um diagnóstico completo das dívidas, identificando credores, valores, taxas de juros e prazos.

    A partir desse levantamento, torna-se possível priorizar os débitos com custos mais elevados e buscar renegociações antes que os encargos aumentem ainda mais.

    “A pior decisão é ignorar o problema. Quanto mais cedo o produtor procurar alternativas, maiores são as possibilidades de renegociar condições e reorganizar a atividade sem comprometer sua capacidade produtiva”, explica.

    A especialista também recomenda evitar a contratação de empréstimos com juros elevados para quitar dívidas anteriores, prática que frequentemente gera um ciclo de endividamento ainda mais difícil de romper.

    Microcrédito rural pode ajudar na recuperação financeira

    Em meio ao aumento da inadimplência, o microcrédito rural vem ganhando espaço como ferramenta de reorganização financeira para pequenos produtores. Com acesso simplificado e foco no fortalecimento da atividade produtiva, a modalidade pode auxiliar no financiamento de capital de giro, aquisição de insumos e investimentos capazes de gerar renda e melhorar o fluxo de caixa.

    Segundo Kelvia Carneiro, o microcrédito deve ser utilizado de forma estratégica, permitindo que o produtor mantenha sua atividade em funcionamento e recupere sua capacidade de pagamento.

    “Os estados que apresentam maiores índices de inadimplência também costumam concentrar produtores com mais dificuldade de acesso a soluções financeiras adequadas. O microcrédito pode ser um instrumento importante para evitar que problemas momentâneos se transformem em situações permanentes de endividamento”, afirma.

    Ela ressalta que o ideal é que o crédito seja utilizado de forma preventiva e planejada, contribuindo para o fortalecimento da produção e para a geração de receita.

    “O produtor não deve buscar crédito apenas quando a situação já está crítica. Quando bem aplicado, o recurso ajuda a ampliar a capacidade produtiva, melhorar a renda e criar condições para enfrentar períodos de instabilidade sem comprometer a sustentabilidade do negócio”, conclui.

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