Iniciativa integrou programação da Operação Virtude e contou com dois painéis, ministrados pelo defensor público Marcelo Pinheiro e pela desembargadora Lia Freitas
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), por meio da Escola Superior da Instituição (Esudpam), realizou, nesta terça-feira (30/06), dois cursos voltados ao enfrentamento da violência contra pessoas idosas, no auditório da sede administrativa, localizado na Avenida André Araújo, número 679, bairro Aleixo.
A iniciativa foi ministrada pelo defensor público e coordenador do Núcleo de Atendimento, Proteção e Promoção dos Direitos da Pessoa Idosa (Nuappi), Marcelo Pinheiro, pela desembargadora Lia Freitas e integra a programação da Operação Virtude, mobilização nacional de combate à violência contra pessoas de 60 anos ou mais.
Nos primeiros quatro meses de 2026, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) registrou mais de 70 mil denúncias de violência contra a pessoa idosa, por meio do Disque 100. O número já ultrapassou o registro de denúncias em relação ao mesmo período do ano passado, quando 58 mil pessoas denunciaram algum tipo de violência.
Aos 72 anos, Ademildes Cruz vivencia no dia a dia o preconceito por conta idade. Para ela, participar dos debates é uma oportunidade de ser escutada e aprender mais sobre seus direitos.
“Muitas vezes, o apoio que a gente precisa é uma informação ou um amparo na própria legislação para nos proteger. O que a Defensoria está fazendo, nos chamando e deixando a gente se expressar também, é um reconhecimento de que somos capazes de falar sobre nossos próprios problemas”, disse.
De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que uma em cada duas pessoas no mundo tenha atitudes discriminatórias que pioram a saúde física e mental de pessoas idosas e reduzem sua qualidade de vida.
À medida que a violência e preconceito contra as pessoas idosas avançam, o Brasil vivencia o envelhecimento populacional com mais rapidez, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, o país contava com cerca de 20,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Em 2022, esse número saltou para 32,1 milhões, o que aponta um crescimento de 56% em 12 anos.
Parceria entre a Defensoria e a rede de proteção
À frente do primeiro painel, intitulado “Rompendo com o etarismo: a atuação da Defensoria no combate às violências contra pessoas idosas”, Marcelo Pinheiro pontuou a importância de ter a presença do Poder Judiciário para o fortalecimento da rede de proteção da pessoa idosa.
“Essa parceria entre a Defensoria Pública e o Judiciário vem para debater o que nós estamos fazendo para proteger a pessoa idosa e como podemos fortalecer ainda mais a nossa rede de proteção. Trazer as pessoas idosas para o evento também representa oferecer para elas o acesso facilitado à Justiça”, disse.
Para a desembargadora e mediadora do segundo painel, Lia Freitas, a iniciativa promove um acolhimento para as pessoas idosas e a ampliação do trabalho das pessoas envolvidas na proteção desse público.
“Aceitamos o convite da Defensoria para falar sobre esse enfrentamento à violência contra a pessoa idosa e a importância do tema é muito grande. Por isso, estamos aqui com o objetivo de orientar e falar sobre os direitos que esta parcela da população mais vulnerável possui”, falou.
Estiveram presentes no evento a titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Pessoa Idosa (DECCI), Larissa Barreto; promotor de Justiça Mirtil Fernandes do Vale; presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa (Cedpi), Lilia Albuquerque, entre outras autoridades da rede de proteção da pessoa idosa.
Texto: Camila Andrade
Fotos: Lucas Silva/DPE-AM




