Com crédito mais seletivo e famílias mais cautelosas, consumidores avaliam com mais atenção a compra de motos, enquanto crescimento dos emplacamentos reforça o papel do veículo na mobilidade e na geração de renda

MANAUS (AM) — Comprar uma motocicleta continua fazendo parte dos planos de muitos consumidores, mas a forma de tomar essa decisão vem mudando. Em um cenário de crédito mais caro e maior comprometimento da renda, a aquisição passou a exigir mais pesquisa e atenção às condições de pagamento.

A mudança de comportamento acontece, porém, em um momento de forte crescimento do setor. Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) mostram que as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) produziram 1.254.191 motocicletas entre janeiro e julho de 2026, volume 9,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e o melhor resultado para os primeiros sete meses do ano desde 2008.

Somente em julho, foram fabricadas 190.794 unidades, o maior volume já registrado para o mês na história da indústria de motocicletas. O resultado representou crescimento de 36% em relação a julho de 2025 e de 45,8% na comparação com junho de 2026, segundo a Abraciclo.

Os números reforçam a importância do setor para a economia amazonense, mas também revelam uma transformação no perfil da demanda. A motocicleta deixou de ser apenas uma alternativa de transporte e passou a ocupar um espaço cada vez maior como ferramenta de trabalho e geração de renda.

Para Oduénavi Ribeiro, Diretor Executivo da operação, que acompanha o comportamento do consumidor por meio da atuação da TV Lar Motors e do Club7, o momento combina crescimento do mercado com um comprador mais criterioso.

“Hoje, o cliente quer entender qual será o impacto daquela aquisição no seu orçamento, avaliar entrada, prazo de pagamento e o valor final do compromisso. Ao mesmo tempo, percebemos que a motocicleta tem uma importância cada vez maior na vida econômica das pessoas, principalmente para quem utiliza o veículo como ferramenta de trabalho”, afirma Ribeiro.

Emplacamentos em alta reforçam importância da motocicleta

O crescimento da indústria instalada em Manaus acompanha o avanço dos emplacamentos no país. Levantamento da Abraciclo aponta que, entre janeiro e julho de 2026, foram licenciadas 1.373.580 motocicletas no Brasil, alta de 12,3% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado representa o melhor desempenho já registrado pelo mercado para os primeiros sete meses do ano. Somente em julho, foram 199.236 motocicletas licenciadas, número 3,1% superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e 2,6% acima do resultado de junho, também segundo dados da entidade.

O avanço dos emplacamentos acompanha fatores como a busca por mobilidade urbana, economia no deslocamento e a utilização profissional do veículo.

No Amazonas, esse movimento ganha um significado ainda maior. Além de concentrar uma das principais indústrias de motocicletas do país, Manaus está inserida em uma dinâmica econômica em que a mobilidade sobre duas rodas tem papel crescente no setor de serviços.

Da mobilidade à geração de renda

A expansão das plataformas digitais e dos serviços de entrega contribuiu para ampliar o papel da motocicleta no cotidiano econômico das cidades.

Para entregadores, prestadores de serviços, trabalhadores autônomos e profissionais que atuam com aplicativos, a moto representa mais do que um meio de transporte. Em muitos casos, ela é o principal instrumento utilizado para acessar oportunidades de trabalho e gerar renda.

Os próprios números da indústria ajudam a demonstrar a força dos modelos voltados ao uso cotidiano. Segundo a Abraciclo, as motocicletas de baixa cilindrada, de até 300 cilindradas, responderam por 78,6% de toda a produção do Polo Industrial de Manaus entre janeiro e julho de 2026, com 985.788 unidades fabricadas.

A predominância desses modelos reforça a relevância das motocicletas voltadas à mobilidade urbana e ao uso diário.

“O crescimento dos emplacamentos precisa ser analisado também por essa transformação no papel da motocicleta. Para muitas pessoas, ela continua sendo uma solução de mobilidade, mas também se tornou um ativo de trabalho. É utilizada em entregas, prestação de serviços e diversas atividades ligadas à economia dos aplicativos”, destaca Oduénavi Ribeiro.

Para quem compra uma motocicleta com objetivo profissional, a decisão passa a envolver uma análise ainda mais ampla. Além do valor da parcela, entram na conta fatores como consumo de combustível, manutenção, disponibilidade de peças e o potencial de retorno financeiro proporcionado pelo uso diário.

“Quando a motocicleta também representa uma ferramenta de geração de renda, o consumidor precisa avaliar a compra dentro da sua realidade profissional. A escolha do modelo e as condições de pagamento precisam fazer sentido para o tipo de atividade que aquela pessoa exerce”, afirma Ribeiro.

Crédito exige mais atenção do consumidor

Mesmo com o mercado em expansão, o cenário econômico influencia diretamente a decisão de quem precisa recorrer ao crédito.

Juros elevados podem aumentar o custo de financiamentos e fazer com que diferenças aparentemente pequenas nas condições de pagamento tenham impacto significativo no valor final da aquisição.

Por isso, segundo Ribeiro, o consumidor está mais atento antes de fechar negócio.

“O interesse pela motocicleta continua forte, mas percebemos um cliente que pesquisa mais. Ele compara modelos, avalia as condições oferecidas e busca entender quanto aquele compromisso vai representar no orçamento ao longo do tempo”, afirma.

A análise também deixou de ser baseada exclusivamente no valor da prestação. Para muitos consumidores, o custo total de utilização passou a ter peso importante na decisão.

“É importante não olhar somente para o valor da parcela. O consumidor precisa considerar combustível, manutenção, peças e todas as despesas envolvidas no uso da motocicleta. O melhor negócio é aquele que atende à necessidade da pessoa e que ela consegue manter de forma equilibrada”, acrescenta o Diretor Executivo da operação.

Setor movimenta a economia do Amazonas

Além do impacto na mobilidade e no consumo, o mercado de motocicletas possui importância estratégica para a economia local.

O desempenho recente da indústria confirma a força do segmento no Polo Industrial de Manaus. De acordo com a Abraciclo, a produção acumulada de janeiro a julho de 2026 representa o melhor resultado para o período desde 2008, enquanto julho entrou para a história como o melhor mês de julho já registrado pelo setor.

O crescimento da produção movimenta uma cadeia que vai além das linhas de montagem, envolvendo comércio, distribuição, manutenção, peças, acessórios, serviços financeiros e seguros.

Nesse contexto, o aumento dos emplacamentos não representa apenas mais motocicletas nas ruas. O avanço também acompanha uma mudança no papel econômico do veículo, cada vez mais presente na rotina de trabalhadores que dependem da mobilidade para exercer suas atividades.

Uma decisão cada vez mais criteriosa

Antes de adquirir uma motocicleta por meio de financiamento ou outra modalidade de crédito, alguns fatores devem ser considerados:

  • verificar quanto da renda mensal já está comprometida;
  • comparar taxas, prazos e condições de pagamento;
  • avaliar o valor total da operação, e não apenas a parcela;
  • considerar gastos com combustível e manutenção;
  • verificar a disponibilidade e o custo de peças;
  • incluir equipamentos de segurança no orçamento;
  • escolher um modelo adequado ao uso pessoal ou profissional.

Com a indústria de motocicletas registrando resultados históricos no Amazonas e os emplacamentos mantendo trajetória de crescimento no país, a moto segue como um importante ativo de mobilidade e geração de renda.

Para Oduénavi Ribeiro, o momento revela duas tendências que caminham juntas: a expansão do mercado e um consumidor mais consciente sobre sua decisão.

“A motocicleta tem hoje uma importância que vai muito além do deslocamento. Ela movimenta a economia e, para muitas pessoas, representa trabalho e geração de renda. O crescimento do setor mostra essa força, mas também reforça a importância de o consumidor fazer uma escolha compatível com a sua necessidade e com a sua realidade”, conclui Oduénavi Ribeiro, Diretor Executivo da operação.

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