Artistas Huni Kuin apresentam sua produção na principal feira de arte do Rio de Janeiro, reafirmando a potência da arte indígena contemporânea no circuito institucional e comercial
IMAGENS: MAHKU
PREVIEW DA SELEÇÃO DE OBRAS: https://privateviews.artlogic.net/2/1b39d82d96e62ea04988b5
Obras e fichas técnicas. Cortesia: Carmo Johnson Projects. Ph: Samuel Esteves.
O MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin participa da 16ª edição da ArtRio, um dos principais encontros de arte contemporânea do país, por meio da Carmo Johnson Projects. A presença do coletivo na feira amplia a visibilidade da produção artística Huni Kuin e evidencia a força de uma linguagem que articula território, espiritualidade, memória, ancestralidade e experiência coletiva.
Formado por artistas do povo Huni Kuin, do Acre, o MAHKU desenvolve uma produção que parte de conhecimentos e experiências vinculados às tradições de seu povo. Em suas pinturas, os artistas elaboram visualmente as mirações, através de narrativas, cantos, visões e elementos de um universo cosmológico que atravessa diferentes dimensões da vida Huni Kuin. Mais do que representar uma cultura, suas obras constituem espaços de transmissão e elaboração de conhecimentos.
No stand BC2 da Carmo Johnson Projects, no setor Brasil Contemporâneo, Pavilhão MAR da ArtRio, a galeria apresenta obras do MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin (Aldeia Chico Curumin, Acre, Brasil, 2012), coletivo representado pela galeria. As pinturas traduzem visualmente cantos que orientam experiências rituais com ayahuasca, transformando som e conhecimento oral em imagens de cores vibrantes. Entre as obras apresentadas, aquelas relacionadas ao canto Nahene Wakamen, o canto de cura das águas, ressaltam a centralidade da água como elemento de vida, cura e continuidade. Em sua prática, o MAHKU transforma o canto em imagem e materializa conhecimentos ancestrais que articulam natureza, corpo e espiritualidade, fazendo da pintura um caminho entre povos e mundos e do conhecimento ancestral uma força viva para o presente e o futuro.
Nesta edição da ArtRio, a participação do MAHKU integra o projeto da Carmo Johnson Projects, galeria que realiza a representação do MAHKU há 5 anos e se dedicada à pesquisa e à apresentação de artistas cujas práticas se conectam com a ancestralidade da cultura brasileira, apoiando artistas emergentes de diversas regiões do território nacional. Além do MAHKU a galeria apresenta trabalhos de Kassia Borges, Nara Guichon e Roney George em torno da ideia de passagem e transformação. A seleção parte do Rio de Janeiro como um território de caminhos migratórios, culturais, espirituais e naturais, onde natureza e urbano se encontram e se transformam. A partir de diferentes linguagens e perspectivas, os artistas aproximam território, memória e natureza, criando outras possibilidades de relação entre corpo e experiência.
MAHKU NO MUSEU DE ARTE DO RIO
A trajetória do MAHKU vem ganhando crescente reconhecimento no Brasil e no exterior. O coletivo tem ocupado espaços relevantes de exposição e pesquisa, contribuindo para uma transformação importante no modo como a arte indígena é apresentada e compreendida no sistema da arte contemporânea. Hoje o coletivo está com uma grande exposição no Museu de Arte do Rio (MAR), onde propõe outras formas de relação entre arte, conhecimento, território e coletividade.
A exposição Cipó, mostra inédita do MAR, apresenta ao público um conjunto de pinturas produzidas pelo povo Huni Kuin, além de três grandiosos painéis pintados pelo próprio coletivo nas instalações do museu. A exposição destaca a riqueza estética, simbólica e espiritual dessa produção artística, reafirmando o compromisso da instituição com a preservação e difusão do patrimônio cultural dos povos originários. A curadoria é assinada pela equipe MAR.
Artistas Carmo Johnson Projects na ArtRio 2026
Kassia Borges (Goiânia, Goiás, Brasil, 1962) desenvolve uma pesquisa que articula espiritualidade, pertencimento, memória e experiência a partir de referências indígenas e afro-brasileiras. Retomando a tradição Karajá da cerâmica e deslocando-a para o campo da arte contemporânea, a artista preserva a força simbólica de saberes ancestrais enquanto aborda questões do presente. Nas séries de totens Vovó Pajé, Rezo da Mulher Pajé e Yuxin, explora, a partir de uma perspectiva feminina indígena, temas como espiritualidade, gênero, pertencimento e as violências vividas por mulheres indígenas. Yuxin, que significa espírito em Hatxa Kuin, idioma Huni Kuin, nasce de sua relação com esse povo, do qual também faz parte por seu casamento. Sua produção estabelece um diálogo entre diferentes tradições indígenas e a linguagem contemporânea, tendo a cerâmica e os elementos rituais como instrumentos de reflexão sobre corpo, memória e transformação.
Roney George (Itapetinga, Bahia, Brasil, 1971), em suas pinturas Àdúrà II e Caboclo Barroco, aproxima mistério e ancestralidade, fazendo da obra um espaço de revelação. Em Àdúrà II, o artista abandona o esboço e constrói a imagem a partir do encontro entre imaginação, memória e gesto, transformando o próprio ato de pintar em uma experiência de fé. O título, palavra iorubá que significa oração, súplica e agradecimento, reforça essa dimensão de invocação. Já em Caboclo Barroco, referências do sertão brasileiro e da diáspora africana se encontram na figura representada, articulando memória e identidade. Em ambas, o tecido africano funciona como suporte para a coexistência de diferentes matrizes culturais, enquanto símbolos ligados ao Candomblé ampliam a dimensão espiritual das pinturas.
Na obra de Nara Guichon (Santa Maria, Rio Grande do Sul, 1955), a relação com a natureza se estabelece por meio de uma prática ativa de reparação e cuidado. Desde o final dos anos 1990, a artista e ativista ambiental trabalha com redes de pesca descartadas, retiradas do ambiente costeiro e transformadas por processos manuais e têxteis. Em O Manto, o gesto de cobrir e acolher se amplia para o ambiente, fazendo da obra um território de proteção. Já em Flor de Restinga e Cipó de Restinga, a artista aproxima sua prática do território carioca, tomando a vegetação costeira como matéria e referência. Em seu trabalho, a natureza deixa de ser tema para se tornar matéria de ação.
Nessa sucessão de caminhos, o Rio de Janeiro reaparece como uma cidade marcada pela presença simultânea do mar, da floresta, das religiões afro-brasileiras e de uma natureza que atravessa e transforma a vida urbana.
ART RIO 2026
Carmo Johnson Projects
16–20 Setembro 2026
Marina da Glória — Rio de Janeiro, Brazil
Stand BC2
Pavilhão MAR – Setor Brasil Contemporâneo
ArtRio 2026
Marina da Glória
Av. Infante Dom Henrique, s/nº — Glória, Rio de Janeiro — RJ, Brazil
Press & Media: Carmo Johnson Projects
https://www.carmojohnsonprojects.com | contact@carmojohnsonprojects.com







