Agosto é o mês dedicado ao patrimônio histórico, período que convida a sociedade a reconhecer e valorizar os lugares, edificações, saberes e manifestações que ajudam a contar a história das cidades. Em Manaus, a prefeitura convida a população a redescobrir memórias presentes em ruas, praças, monumentos, imóveis e conjuntos urbanos que atravessaram diferentes momentos da formação da capital e que, ainda hoje, ajudam a preservar a identidade e a história local.
Mais do que construções antigas, o patrimônio histórico reúne referências que carregam memórias, afetos, culturas e modos de viver. No Centro Histórico de Manaus, essa história pode ser percebida na arquitetura herdada do período da Belle Époque, resultado de um momento de intenso crescimento econômico e de uma cidade que se desenvolveu em meio à Amazônia, incorporando diferentes influências culturais.
Para a gerente de Patrimônio Histórico do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), arquiteta e urbanista Landa Bernardo, preservar é também garantir que a história continue sendo conhecida pelas próximas gerações.
“Não podemos esquecer da importância das origens das cidades, das nossas histórias e das nossas culturas. Manaus cresceu no meio da selva amazônica não apenas como uma questão de edificação e evolução, mas também culturalmente, pela miscigenação e pela mistura de várias culturas, o que gerou uma cidade completamente eclética e muito bonita”, destacou.
Segundo Landa, o patrimônio tem papel importante na construção do sentimento de pertencimento. “O patrimônio histórico tem o poder de mudança e pertencimento dessa história das cidades. Por isso, temos a satisfação de ter um período em que podemos celebrar o Mês do Patrimônio Histórico, mas não apenas o mês. É algo que deve ser preservado todos os dias, para manter um legado, uma história e o pertencimento das gerações que já passaram e das que estão chegando”, afirmou.
Patrimônio que ganha novos usos
Preservar não significa congelar a cidade no tempo. Pelo contrário: a conservação de áreas históricas pode caminhar junto com novos usos, circulação de pessoas, moradia, atividades econômicas e requalificação dos espaços urbanos.
É nessa perspectiva que se insere o programa “Nosso Centro”, da Prefeitura de Manaus, que reúne ações de recuperação e valorização de áreas históricas da região central, buscando devolver vitalidade a espaços que perderam parte de sua função urbana ao longo dos anos.
“O ‘Nosso Centro’ veio trazer vida, qualidade, habitação e também a questão econômica, com muito mais postos de trabalho. A população vai entender ainda mais a importância da parte do centro histórico e fazer com que isso fique ainda mais dentro dos nossos corações”, explicou Landa.
O que faz o Patrimônio Histórico?
Dentro do Implurb, a Gerência de Patrimônio Histórico (GPH) atua no acompanhamento e monitoramento de imóveis e unidades históricas, contribuindo para que intervenções realizadas nesses espaços respeitem as características e as normas de preservação.
O trabalho também alcança imóveis abandonados e situações que podem representar riscos ao patrimônio ou à segurança da população. Atualmente, a GPH trabalha ainda na atualização do Decreto nº 7.176, além de realizar vistorias periódicas em imóveis da região central.
A arquiteta e urbanista Lorena Cunha explica que o acompanhamento é realizado de forma contínua pelas equipes técnicas. “As atribuições da GPH são justamente fazer o monitoramento não só das unidades históricas, mas também como um todo. Nós também atuamos com os imóveis abandonados e agora estamos trabalhando para a atualização do Decreto 7.176. Toda quarta-feira estamos in loco para fazer a vistoria desses imóveis”, explicou.
O decreto estabelece o setor especial das Unidades de Interesse de Preservação, localizado no centro antigo de Manaus, listando imóveis, a área portuária e praças públicas, e está passando por revisão.
Orientação
Um dos pontos mais importantes do trabalho de preservação é a orientação aos proprietários. Antes de iniciar uma reforma, alterar uma fachada ou realizar qualquer intervenção em um imóvel localizado em área de interesse histórico, é necessário buscar orientação técnica.
“Você que é proprietário de imóvel no centro histórico, antes de começar sua reforma ou qualquer alteração na sua fachada, procure o Implurb. Aqui estamos dispostos a ajudar e contribuir com mais informações”, orientou Lorena. A orientação prévia permite que o proprietário conheça as regras aplicáveis ao imóvel e evita intervenções que possam comprometer características arquitetônicas importantes ou gerar problemas posteriormente.
Uma cidade feita de camadas
O Centro Histórico de Manaus reúne diferentes períodos e linguagens arquitetônicas, formando uma paisagem urbana marcada pela diversidade. Edificações históricas convivem com construções mais recentes, enquanto praças, ruas e espaços públicos ajudam a formar um conjunto que ultrapassa o valor individual de cada imóvel.
Entre os símbolos dessa memória estão o Teatro Amazonas, o largo de São Sebastião, a igreja de São Sebastião e o mercado municipal Adolpho Lisboa, referências que fazem parte não apenas da paisagem, mas também da memória afetiva de gerações de manauaras.
O Centro Histórico de Manaus também integra o patrimônio cultural protegido em âmbito nacional, com bens inscritos nos livros de Tombo Histórico e de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. O Mês do Patrimônio Histórico vai além de uma celebração. É um convite para que Manaus reconheça sua própria história, compreenda o valor de seus espaços e perceba que preservar o passado também é uma forma de construir o futuro.
Texto – Divulgação/Implurb
Foto – Valdo Leão/Semcom e Maxwell Oliveira/Implurb







