Com toneladas de materiais descartados após a votação, destinação correta ganha atenção da Justiça Eleitoral

O que fazer com o lixo eleitoral depois do voto?

Com toneladas de materiais descartados após a votação, destinação correta ganha atenção da Justiça Eleitoral

 Ontem (4), milhões de brasileiros foram às urnas para o primeiro turno das Eleições 2026. Encerrada a campanha, surge um outro desafio: o que fazer com todo o material usado e que sobrou para conquistar o voto dos eleitores?

Santinhos, folhetos, cartazes, adesivos, bandeiras, banners e outros materiais fazem parte da paisagem eleitoral e podem representar um volume expressivo de resíduos. No primeiro turno das eleições municipais de 2024, somente a cidade de São Paulo recolheu 142 toneladas de resíduos das ruas, quase 150% a mais que as 57 toneladas registradas no primeiro turno de 2022.

Às vésperas da votação deste ano, a destinação desses materiais entrou na pauta da própria Justiça Eleitoral. Em São Paulo, foi lançado o projeto Eleições Sustentáveis, incentivando partidos, federações, candidatos e candidatas a encaminharem as sobras de materiais de campanha para cooperativas e associações de catadores.

No Paraná, o TRE-PR reforçou que diferentes materiais precisam de uma destinação específica. Impressos gráficos limpos e secos devem seguir para reciclagem; lonas, faixas e banners podem ser reutilizados ou destinados ao tratamento industrial; placas e cavaletes precisam passar por desmontagem e triagem; e adesivos e laminados devem ser encaminhados a unidades capacitadas para o tratamento de plásticos industriais.

Os materiais apreendidos pelas Zonas Eleitorais e os materiais não utilizados durante a campanha deverão ser descartados conforme as orientações previstas na Resolução TRE-PR nº 931/2024. A norma estabelece prazo de 30 dias após a eleição para que partidos e candidatos removam a propaganda eleitoral e promovam a restauração do bem, quando for o caso

E o que não pode ser reciclado?

 Embora a reciclagem seja uma das principais rotas para o reaproveitamento dos resíduos, nem todos os materiais encontram viabilidade nesse processo. Misturas de diferentes componentes, presença de adesivos e outros fatores podem dificultar seu retorno aos ciclos convencionais de reciclagem.

É nesse cenário que o coprocessamento se apresenta como uma solução de economia circular para resíduos não recicláveis. A tecnologia permite que materiais que já cumpriram sua função original e não podem ser reciclados sejam aproveitados na fabricação do cimento. Depois de preparados, esses resíduos podem substituir parte dos combustíveis fósseis e das matérias-primas normalmente utilizadas no processo. Seus componentes minerais também passam a fazer parte do próprio cimento, ampliando o aproveitamento dos materiais. Assim, resíduos que não voltariam ao ciclo da reciclagem encontram uma nova aplicação produtiva, contribuindo para o uso mais eficiente dos recursos e para o avanço da economia circular.

Isso não significa que todo resíduo de uma campanha eleitoral possa ser coprocessado. O primeiro passo é conhecer suas características e separar os diferentes materiais para identificar a solução mais adequada para cada um. O que pode ser reutilizado ou reciclado deve seguir por esses caminhos.

E esse é um desafio que vai muito além do período eleitoral. Empresas, indústrias e organizações de diferentes setores lidam diariamente com resíduos que não encontram viabilidade na reciclagem e precisam de soluções adequadas às suas características e aos volumes produzidos. Dar a esses materiais uma nova aplicação em outros processos produtivos é uma das formas de ampliar a circularidade e aproveitar melhor os recursos já existentes.

“Quando uma campanha termina, os materiais utilizados não precisam necessariamente se transformar em descarte. O primeiro passo é conhecer e separar esses resíduos para encontrar a destinação mais adequada para cada um. A reciclagem é uma solução fundamental e, para os materiais que não encontram viabilidade nesse processo, o coprocessamento amplia as possibilidades de aproveitamento, permitindo que sejam utilizados em uma nova cadeia produtiva. Essa combinação de diferentes soluções é essencial para avançarmos em uma economia cada vez mais circular”, explica Flavia Ferreira Cavalcante, gerente de novos negócios da Verdera.

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