Estados que registram a menor participação do pai na criação dos filhos registram taxas mais altas de mortes violentas intencionais contra menores de 18 anos
A presença paterna ativa e o reconhecimento legal dos filhos contribuem para a redução profunda nos índices de violência contra crianças e adolescentes. É o que aponta o Relatório das Paternidades Brasileiras, que traça um raio X do Índice de Desenvolvimento das Paternidades (IDP). Os dados apontam que quanto mais ausente é o pai, maior o índice de mortes violentas intencionais contra menores de 18 anos. Estados como Santa Catarina (SC), São Paulo (SP) aparecem entre os menores índices de mortes violentas – menos de 5 a cada 100 mil habitantes) – associados a melhores resultados no IDP.
Na outra ponta, estados como Bahia (BA), Ceará (CE), Pernambuco (PE) e Espírito Santo (ES) registram algumas das maiores taxas de mortes violentas contra crianças e adolescentes. A Bahia lidera o ranking negativo, com índice próximo de 25 mortes por 100 mil crianças e jovens. No Ceará, são cerca de 18 óbitos a cada 100 mil habitantes. O gráfico elaborado com dados do UNICEF e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta uma relação entre o Índice de Desenvolvimento das Paternidades (IDP) e as taxas de mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes nos estados brasileiros em 2022. A linha de tendência descendente indica que, quanto melhor o desempenho no indicador ligado ao desenvolvimento das paternidades, menores tendem a ser os índices de violência letal contra crianças e jovens.
O levantamento sugere que fatores relacionados à presença paterna, vínculos familiares e condições sociais podem ter impacto direto na proteção da infância e adolescência, embora o próprio gráfico mostra diferenças regionais e exceções que indicam a influência de outros fatores socioeconômicos e de segurança pública.
Outros dados
O relatório do Instituto Promundo apresenta o novo Índice de Desenvolvimento das Paternidades (IDP), criado para medir o nível de participação dos pais na vida familiar e no cuidado com os filhos em todos os estados brasileiros. O estudo utiliza quatro indicadores principais: divisão do trabalho doméstico, registros de nascimento sem o nome do pai, participação masculina no pré-natal e proporção de domicílios chefiados por mulheres. A pesquisa mostra que ainda há grande desigualdade na divisão de tarefas dentro de casa, já que, em média, as mulheres dedicam mais do que o dobro do tempo dos homens ao trabalho doméstico e aos cuidados familiares.
O ranking nacional aponta fortes diferenças regionais. Santa Catarina lidera o IDP, com índice de 0,9484, sendo destacado pelo alto envolvimento paterno no pré-natal e melhores indicadores de corresponsabilidade familiar. Paraná e Rio Grande do Sul aparecem logo em seguida. Na outra ponta, Sergipe registrou o pior desempenho do país, seguido por Bahia e Maranhão. O levantamento também chama atenção para estados com resultados contraditórios, como o Amapá, que apresenta melhor equilíbrio na divisão das tarefas domésticas, mas lidera o número de registros de nascimento sem filiação paterna.
Outro destaque do relatório é a associação entre participação dos pais e indicadores de saúde pública. A pesquisa sugere que o envolvimento masculino desde a gestação favorece o aumento das taxas de amamentação e da cobertura vacinal infantil. O documento ressalta ainda a importância da Estratégia Pré-Natal do Parceiro, iniciativa do Ministério da Saúde voltada ao incentivo da participação dos homens durante a gravidez, no parto e nos primeiros anos de vida da criança.
Marcus Renato, médico graduado pela UFRJ, mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz e docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRJ, destaca que o aleitamento materno também exige um compromisso masculino. “Mais investimentos em aleitamento poderia salvar 800 mil crianças por ano, de acordo com o The Lancet. Estamos muito aquém do índice adequado de amamentação. Menos de 50% das mulheres conseguem amamentar até o período correto, que seria até o sexto mês. As taxas de amamentação são maiores com a evolução do índice de desenvolvimento de paternidade. Temos que chamar os homens à realidade. A mulher amamenta, mas ela não amamenta sozinha. Ela só amamenta se tiver uma rede de apoio e participação do homem”, disse.
Além de apresentar dados inéditos, o relatório defende a ampliação de políticas públicas voltadas à paternidade ativa. Entre as recomendações estão o fortalecimento da licença-paternidade, campanhas de conscientização, programas de apoio às famílias e ações para incentivar a presença dos pais no cuidado cotidiano dos filhos. Para o Instituto Promundo, investir no engajamento paterno pode contribuir diretamente para a redução das desigualdades de gênero e para a melhoria das condições de desenvolvimento de crianças e adolescentes no Brasil.
Marcus Renato, médico graduado pela UFRJ, mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz e docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRJ, destaca que o aleitamento materno também exige um compromisso masculino. “Mais investimentos em aleitamento poderia salvar 800 mil crianças por ano, de acordo com o The Lancet. Estamos muito aquém do índice adequado de amamentação. Menos de 50% das mulheres conseguem amamentar até o período correto, que seria até o sexto mês. As taxas de amamentação são maiores com a evolução do índice de desenvolvimento de paternidade. Temos que chamar os homens à realidade. A mulher amamenta, mas ela não amamenta sozinha. Ela só amamenta se tiver uma rede de apoio e participação do homem”, disse.




