Batizada de Bulma, a cadela da raça pastor-belga-malinois inicia preparação para atuar na detecção de drogas durante operações policiais
A atuação dos cães policiais tem auxiliado no combate ao tráfico de drogas no Amazonas, que já superou o recorde de apreensões registrado em 2025. Para reforçar esse trabalho, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) adquiriu uma cadela da raça pastor-belga-malinois, de seis meses de idade, que passará por treinamento especializado para atuar nas operações policiais.
Batizada de Bulma, o animal foi adquirido por meio do Fundo Estadual de Segurança Pública (Fesp). A filhote já iniciou o processo de adaptação ao novo ambiente, que inclui atividades de socialização, interação com outros cães e reconhecimento dos espaços onde será preparada para o trabalho policial.
O treinamento é realizado por policiais especializados da Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães), da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Atualmente, a unidade conta com 24 cães policiais, sendo 20 no canil, entre cães adultos, filhotes e aqueles que estão em processo de formação.
O comandante da CipCães, major Thomaz Lima, destacou a importância da chegada da nova cadela para reforçar as atividades desenvolvidas pela unidade. Segundo o comandante, a companhia já conta com cães policiais formados, como Havana, Athena, Sheriff e Arad, que se destacam nas apreensões, além de outros que ainda estão em formação.
“Ela vai iniciar os treinamentos, está com seis meses e já vai começar um treinamento intensivo, visando à sua utilização no nosso serviço policial, que é a detecção de substâncias, principalmente nas bases e nas missões em que atuamos. É muito importante essa aquisição, porque vai reforçar, como eu falei, nosso trabalho”, disse o major.
Preparação desde filhote
Mesmo com apenas seis meses, Bulma já participa de atividades que fazem parte da formação de um cão policial. Os primeiros exercícios utilizam brinquedos e estímulos para desenvolver habilidades que serão necessárias durante as operações.
Uma das etapas consiste na utilização de uma bola, que conforme avança nos treino, recebe odores específicos para que a cadela aprenda a reconhecê-los. Com o avanço da preparação, os exercícios passam a incluir ambientes externos, como embarcações, áreas movimentadas e locais com ruídos de motores.
A preparação também considera as características da região amazônica, onde os cães policiais atuam especialmente em fiscalizações fluviais. O objetivo é familiarizar a cadela com as condições que encontrará durante o serviço, evitando que ambientes desconhecidos comprometam seu desempenho.
O período de formação varia conforme o desenvolvimento de cada cão. Em média, os cães policiais começam a participar das atividades operacionais após um período de treinamento que pode durar de um ano a um ano e meio, contado a partir do início da preparação.
O chefe do Núcleo de Adestramento da CIPCães, sargento da PMAM Carlos Mendes, explicou que o treinamento dos cães policiais é realizado diariamente, respeitando cada etapa de desenvolvimento. Segundo ele, a preparação busca garantir que os cães estejam socializados e adaptados ao ambiente das embarcações.
“Desde quando o cão chega aqui ou nasce aqui, são realizados os treinamentos, respeitando cada fase. Desde filhote até os quatro meses, procuramos adaptar esses cães às embarcações. Duas vezes por semana, vamos até o porto com os cães que já estão com cinco a seis meses, para que possam se adaptar ao local de trabalho”, explicou o sargento.
Atuação nas operações
Os cães policiais são essenciais nas ações de fiscalização realizadas pelas Forças de Segurança, principalmente na identificação de entorpecentes escondidos em bagagens, embarcações, veículos e compartimentos de difícil acesso.
Nas Bases Fluviais Arpão, os cães policiais auxiliam as equipes durante as abordagens às embarcações que navegam pelos rios do Amazonas. Os animais permanecem nas bases por cerca de 30 dias. Após esse período, são substituídos por outros cães policiais, garantindo o descanso dos que atuaram nas operações e a continuidade das atividades.
Além das atividades no interior, a CIPCães também presta apoio às unidades policiais da capital em ocorrências que necessitam do emprego de cães especializados.
O major Thomaz Lima ressaltou ainda que a atuação da companhia vai além do apoio às operações de combate ao tráfico de drogas. A unidade desenvolve atividades em diferentes frentes.
“Além do faro de narcóticos, com o qual trabalhamos, temos nossos cães de guarda, que atuam nas operações de reintegração de posse, revistas em presídios e eventos esportivos. Também temos nossos cães terapeutas, que atuam na cinoterapia, com crianças especiais e idosos nos hospitais. Então, nós atuamos nessas modalidades”, pontuou o comandante da CIPCães.
Cuidados especiais
Além da preparação para as operações, a Companhia Independente de Policiamento com Cães mantém uma rotina de cuidados e acompanhamento da saúde dos animais. O trabalho inclui vacinação, administração de medicamentos, prevenção de doenças e avaliações veterinárias, garantindo condições adequadas para os treinamentos e atividades operacionais.
A companhia conta com apoio de profissionais veterinários para atendimentos e procedimentos de saúde. Em situações que exigem cuidados mais complexos, os cães são encaminhados para atendimento especializado. O acompanhamento também considera a necessidade de descanso e recuperação após os períodos de trabalho nas operações.
Fotos: Anabelle Freire/SSP-AM







