A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) reforça a importância da radioterapia nos cuidados paliativos para o controle da dor e de sangramentos, além do alívio de sintomas provocados pelo tumor, como falta de ar, dificuldade para engolir e alterações neurológicas. A entidade explica ainda que o tratamento pode ser utilizado em diferentes momentos da evolução do câncer, inclusive de forma simultânea a terapias destinadas ao controle da doença
O Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, celebrado neste sábado, dia 10, chama a atenção para a importância de ampliar o acesso a esse tipo de cuidado. O tema do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos de 2026 é “Pain Management: An Essential Part of Palliative Care”, que significa “manejo da dor: uma parte essencial dos cuidados paliativos”, destacando o controle da dor como componente fundamental da assistência paliativa. A campanha é coordenada pela WHPCA (Worldwide Hospice Palliative Care Alliance), que coordena o World Hospice and Palliative Care Day.
A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) reforça a importância de reconhecer precocemente situações em que a radioterapia pode contribuir para o controle de sintomas e para a qualidade de vida do paciente, principalmente quando há dor, sangramento, falta de ar, dificuldade para engolir, sintomas neurológicos e outras manifestações que podem comprometer o bem-estar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cuidados paliativos são uma abordagem que busca melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam doenças graves e potencialmente ameaçadoras à vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual.
A radio-oncologista Izabela Lourenço, membro da diretoria da SBRT, explica que é importante desfazer uma ideia ainda muito presente de que cuidados paliativos significam que não há mais nada a fazer. “Os cuidados paliativos não são sinônimo de cuidados exclusivos para os últimos dias de vida. Eles podem ser iniciados precocemente, paralelamente aos tratamentos destinados a controlar a doença. A OMS destaca justamente que os cuidados paliativos podem ser integrados desde fases iniciais da doença e simultaneamente a tratamentos como quimioterapia e radioterapia. O objetivo é cuidar da pessoa como um todo, respeitando seus valores, suas preferências e seus objetivos de tratamento”, explica a especialista.
Ao contrário do que muitos associam, os cuidados paliativos podem ser inseridos ainda no começo do tratamento e não apenas quando todas as possibilidades de tratamento antitumoral se esgotam. A radioterapia paliativa é uma abordagem possível dentro dos cuidados paliativos, principalmente quando existe uma lesão tumoral que está causando ou pode apresentar risco significativo de causar dor ao paciente.
Confira as situações em que a radioterapia mais atua nos cuidados paliativos
- Metástases ósseas dolorosas, uma das indicações mais frequentes;
- Compressão da medula espinhal ou da cauda equina, situação potencialmente urgente;
- Tumores ou metástases cerebrais com sintomas neurológicos ou em situações selecionadas em que o tratamento local pode trazer benefício;
- Sangramentos provocados pelo tumor;
- Tumores que provocam obstrução ou compressão de estruturas importantes;
- Tumores localmente avançados que causam dor ou outros sintomas importantes;
- Algumas situações de recorrência ou progressão tumoral em que o objetivo é aliviar sintomas ou prevenir complicações.
Além de atuar no controle da dor, a radioterapia é uma modalidade terapêutica que age diretamente na causa de determinados sintomas e não apenas em suas consequências. “Ela pode, por exemplo, reduzir sangramentos tumorais, aliviar sintomas relacionados à compressão de órgãos ou estruturas nervosas e controlar manifestações neurológicas decorrentes de determinadas metástases. No caso das metástases ósseas sintomáticas, a radioterapia é uma das principais estratégias para controle da dor. A diretriz mais recente da ASTRO recomenda fortemente a radioterapia para o controle da dor e de outros sintomas provocados por metástases ósseas ou da coluna”, exemplifica a rádio-oncologista.
Embora o controle da dor, especialmente em pacientes com metástases ósseas, seja uma das aplicações mais conhecidas, a radioterapia paliativa pode ser utilizada para controlar diferentes sintomas e complicações, podendo ainda ser considerada antes que o paciente chegue a uma situação de sofrimento intenso ou deterioração clínica importante. “Inclusive, o encaminhamento tardio pode fazer com que uma oportunidade de controle de sintomas seja perdida ou que o paciente não tenha condições clínicas de realizar um tratamento que poderia ter sido mais simples anteriormente. Por isso, a decisão não deve ser tomada somente quando ‘não há mais nada a fazer’. Pelo contrário, a radioterapia deve ser considerada quando o tratamento pode melhorar a vida daquele paciente”, explica.
Com a radioterapia paliativa, nem sempre são necessárias muitas sessões. A depender da situação clínica do paciente, da localização da lesão, do estadiamento, do prognóstico, dos tratamentos anteriores e dos objetivos do paciente, o tratamento pode ser realizado em uma única sessão ou em poucas sessões. “Para metástases ósseas não complicadas, por exemplo, existem diferentes esquemas de tratamento eficazes, incluindo uma única aplicação. A escolha depende das características individuais de cada paciente”, completa a rádio-oncologista. Para um paciente com expectativa de vida limitada, muitas vezes é mais importante oferecer um tratamento curto, com poucos deslocamentos e menor impacto na rotina, quando clinicamente apropriado.
Em pacientes com câncer avançado ou metastático, a abordagem paliativa pode caminhar junto com o tratamento oncológico. Isso permite identificar e tratar sintomas mais cedo, discutir objetivos de cuidado e oferecer suporte também aos familiares. “Quando bem indicada e no momento adequado, a radioterapia pode transformar sintomas importantes em uma situação mais controlável, muitas vezes com tratamentos rápidos e pouco invasivos. O mais importante é entender que a abordagem de cuidados paliativos não significa desistir do tratamento, mas oferecer ao paciente o cuidado mais adequado às suas necessidades, com foco também em qualidade de vida e controle de sintomas”, finaliza Izabela Lourenço.
Sobre a Sociedade Brasileira de Radioterapia
A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), fundada em 1998, é uma associação civil, associativa e científica, sem fins lucrativos, que representa os médicos radio-oncologistas registrados no Brasil. Mais informações em: https://sbradioterapia.com.br/







