Sob o tema do Dia Mundial da Saúde 2026, “Juntos pela saúde. Apoie a ciência.”, encontro em 2 de junho discute o impacto da nova vacina nacional contra a dengue, do método Wolbachia e da vigilância epidemiológica baseada em inteligência artificial
Em 2024, o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, número quatro vezes maior do que o do ano anterior, segundo o Ministério da Saúde. Desde o início dos anos 2000, mais de 20 milhões de brasileiros já tiveram a doença, em ciclos sazonais que pressionam de forma severa o sistema de saúde. Nesse contexto, a aprovação da Butantan-DV pela Anvisa, em novembro de 2025, marca uma virada estratégica: trata-se da primeira vacina contra a dengue do mundo em dose única, com produção 100% nacional, ofertada exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 2026, com foco inicial em crianças e adolescentes.
Os avanços científicos e tecnológicos no desenvolvimento da vacina são tema central do II Simpósio Vacinas & Vacinação Pela Saúde Universal, promovido pela Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) no dia 2 de junho, no Instituto Butantan. A conferência “Inovações científicas e tecnológicas no desenvolvimento da vacina antidengue” será conduzida pelo Dr. Esper Georges Kallás, diretor técnico do Instituto Butantan.
Nos resultados de fase 3, acompanhados ao longo de cinco anos e encaminhados à Anvisa, a Butantan-DV apresentou eficácia geral de 74,7%, eficácia de 91,6% contra dengue grave e com sinais de alarme, e 100% contra hospitalizações na faixa etária de 12 a 59 anos. A tecnologia utiliza vírus vivo atenuado e protege contra os quatro sorotipos do vírus (DENV-1 a DENV-4). O contrato inicial do Ministério da Saúde com o Instituto Butantan prevê 3,9 milhões de doses, e uma parceria internacional do Butantan com a empresa chinesa WuXi deve ampliar a produção para cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.
A estratégia brasileira combina a nova vacina a outras frentes igualmente reconhecidas internacionalmente. O método Wolbachia, que consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti com uma bactéria que os impede de transmitir os vírus da dengue, zika e chikungunya, já é realidade em diversos municípios brasileiros, com reduções drásticas na incidência de casos nas áreas cobertas. Em paralelo, ferramentas de vigilância epidemiológica baseadas em inteligência artificial e o monitoramento climático em tempo real têm permitido que governos estaduais e prefeituras se antecipem a surtos e aloquem recursos de saúde antes que a transmissão atinja níveis críticos.
“O Brasil mostra, com a Butantan-DV, que é capaz de produzir ciência de fronteira e responder a problemas reais de saúde pública. Mas é importante reforçar que vacina é parte de uma estratégia mais ampla: o controle do Aedes aegypti continua sendo decisivo, e o manejo clínico ágil, com reconhecimento precoce de sinais de alarme como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, segue sendo a chave para reduzir a letalidade da doença. Imunização, controle vetorial e cuidado em rede são complementares, não substitutos”, afirma o Acad. Lauro D. Moretto, coordenador da Comissão Organizadora do simpósio.
Serviço:
Evento: II Simpósio Vacinas & Vacinação Pela Saúde Universal: Imunizações e Prevenção de Doenças no Contexto do Dia Mundial da Saúde 2026
Data: 2 de junho de 2026 (terça-feira)
Horário: 8h45 às 13h (credenciamento a partir das 8h)
Local: Escola Superior do Instituto Butantan, Auditórios Amarelo e Branco. Avenida da Universidade, 210, Butantã, São Paulo (SP)
Formato: Presencial com transmissão simultânea
Inscrição gratuita: https://www.sympla.com.br/evento/ii-simpOsio-vacinas–vacinaCAo-pela-saUde-universal/3353053
Realização: Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil




