Mais do que controlar comportamentos, a resposta acolhedora contribui para o desenvolvimento da autorregulação emocional e da autoestima infantil

Hoje, 13 de julho, Dia Mundial de Conscientização e Sensibilização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), é um convite para ampliar o debate sobre a condição neurológica e compreender como fatores relacionados ao equilíbrio emocional dos responsáveis podem influenciar o manejo das crises em crianças.

Dificuldades para manter a atenção, controlar impulsos e regular as próprias emoções podem gerar frustrações constantes e afetar o comportamento, a aprendizagem e a autoestima dessas crianças.

Embora a hiperatividade física seja uma das manifestações mais conhecidas do TDAH, ela não está presente em todos os casos. Muitas crianças apresentam predominantemente desatenção, dificuldade de organização, esquecimentos frequentes e dificuldade para manter o foco. “Por serem, em geral, mais quietas e não apresentarem comportamentos que interrompam a dinâmica da sala de aula, esses sinais podem passar despercebidos por pais e educadores, retardando o diagnóstico e o acompanhamento adequado. Ainda assim, essas crianças também podem enfrentar dificuldades para regular as emoções e precisam de acolhimento, compreensão e estratégias que favoreçam seu desenvolvimento”, explica a psicopedagoga Paula Furtado.

A identificação correta é fundamental, pois, muitas vezes, o TDAH é confundido com o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), que também faz parte dos distúrbios do neurodesenvolvimento, mas se encaixa no subgrupo dos transtornos de conduta e está relacionado com a dificuldade de lidar mais com situações que envolvem limites e autoridades.

Poder do acolhimento

Em uma crise de desregulação emocional em uma criança com TDAH, pais, educadores e cuidadores precisam, antes de tudo, regular a si mesmos. Manter uma postura calma, falar com voz firme e afetuosa, usar poucas palavras, oferecer água ou contato físico (se a criança aceitar), afastar pessoas curiosas, levar a criança para um local silencioso e transmitir segurança ajudam na reorganização emocional.

Outro ponto relevante é que, após o episódio de crise, pais e responsáveis têm a oportunidade de transformar o momento em aprendizado para a criança. A abordagem do adulto deve ser respeitosa, ajudando a criança a nomear o que sentiu, compreender o que aconteceu e pensar, junto com ela, em alternativas para situações semelhantes para uma próxima vez. “Esse processo não deve envolver humilhações, sermões ou culpa excessiva, mas sim escuta, orientação e construção gradual de habilidades emocionais, um caminho que se desenvolve com o tempo”, esclarece Paula.

Ainda de acordo com a psicopedagoga, que também atua como contadora de histórias, as narrativas, os jogos, desenhos, perguntas simples (como “seu corpo está agitado ou tranquilo?”) e rotinas de conversa emocional são estratégias que pais e educadores podem adotar para ajudar as crianças a nomear suas emoções antes que a crise aconteça.

“Este é um momento propício para compreender que um olhar acolhedor contribui para a construção emocional dessas crianças”, conclui Paula.

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