Líderes indígenas da Amazônia brasileira e guianense estão em Paris.
Crédito da imagem: Basile Barjon / Greenpeace
10 de junho de 2026 – Lideranças indígenas da Amazônia e o Greenpeace estão na Europa, desde o dia 6, em reuniões com líderes políticos, sociedade civil, jornalistas e outros atores influentes da União Europeia para mostrar como a expansão do garimpo tem provocado desmatamento, contaminação por mercúrio, conflitos e ameaças às comunidades amazônicas e povos tradicionais, além de denunciar como o ouro ilegal extraído da Amazônia tem entrado no mercado global sem a devida atenção dos diversos países envolvidos nas operações.
Intitulada “O Verdadeiro Custo do Ouro”, a viagem vai até 19 de junho e passará pela França, Holanda, Bélgica e Itália. Participam da missão junto ao Greenpeace:
- Alessandra Korap Munduruku, reconhecida internacionalmente por sua atuação contra atividades predatórias na Amazônia e vencedora do Goldman Environmental Prize;
- Cacique Megaron Txucarramãe, uma das principais referências históricas da luta pelos direitos indígenas no Brasil;
- Beptuk Metuktire, representante da nova geração de lideranças Kayapó e membro da coordenação do Instituto Raoni;
- Cacica Juma Xipaia, cacica da aldeia Kaarimã na TI Xipaia.
“Queremos saber para onde vai o ouro roubado das terras indígenas. Queremos saber quem está comprando esse ouro. Queremos falar com quem está comprando. Estamos sofrendo e eles precisam saber disso!”, demanda o cacique Megaron Txucarramãe.
“O leite materno, que deveria dar saúde aos nossos filhos, está matando as crianças porque ele está contaminado pelo mercúrio vindo do garimpo. Uma doença que está matando o nosso povo!”, alerta Alessandra Korap Munduruku.
Lavagem de ouro retirado ilegalmente na Amazônia
A viagem “O Verdadeiro Custo do Ouro” ocorre logo após o Greenpeace Brasil publicar a investigação “Lavagem de Ouro na Amazônia: Anatomia de uma Fraude“, que detalha a dinâmica utilizada no país para “lavar” o ouro extraído ilegalmente da Amazônia e inseri-lo no mercado nacional e no sistema financeiro global como um ativo “limpo”.
Em 2024, um relatório anterior do Greenpeace Brasil, “Ouro Tóxico”, já havia apontado que irregularidades no mercado internacional do ouro brasileiro indicam que uma grande parte do metal extraído ilegalmente na Amazônia está sendo lavado e legitimado no mercado global, sem transparência e responsabilidade.
“Apoiar as vozes de lideranças indígenas para que elas cheguem nos principais centros de decisão internacional é uma forma de aproximar o debate global da realidade vivida na Amazônia e ampliar a pressão por mecanismos que garantam maior transparência na produção e comercialização do ouro e respeito aos direitos dos povos originários”, afirma o Coordenador da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, Danicley de Aguiar.
Além de denunciar os impactos enfrentados pelas populações tradicionais frente ao avanço do garimpo sobre Terras Indígenas e áreas protegidas, a iniciativa também pretende destacar experiências lideradas pelos próprios povos indígenas na proteção da floresta e da biodiversidade, reforçando o papel estratégico dessas comunidades no enfrentamento da crise climática global.
Imagens para uso da imprensa podem ser baixadas aqui.
Sobre o Greenpeace Brasil
O Greenpeace Brasil é uma organização ativista ambiental sem fins lucrativos, que atua desde 1992 na defesa do meio ambiente. Ao lado de todas as pessoas que buscam um mundo mais verde, justo e pacífico, a organização atua há mais de 30 anos pela defesa do meio ambiente, denunciando e confrontando governos, empresas e projetos que incentivam a destruição das florestas.




