Lançamento aconteceu em escola da zona sul de Manaus, com aula-piloto que será replicada em instituições de ensino públicas e privadas
Calor intenso, descida rápida dos rios, isolamento geográfico de cidades e comunidades no interior e dificuldade de acesso a serviços básicos. Esses são alguns impactos causados pela seca, que podem ser agravados com a possibilidade do pior El Niño dos últimos anos, segundo agências climáticas globais. É nesse contexto que a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) lançou o projeto “Sementes do Amazonas”, nesta sexta-feira (24/07), na Escola Estadual Sant’Ana, localizada no bairro Petrópolis, com a proposta de conscientização ambiental e social em escolas públicas e privadas e espaços comunitários.
A iniciativa atuará com palestras e dinâmicas de conscientização na capital e no interior, tornando alunos e gestores das unidades de ensino instrumentos de transformação social, além de mapear, em todos os municípios do Amazonas, a existência ou a ausência de legislação que torne obrigatória a educação ambiental escolar.
Em Manaus, cidade escolhida para sediar a abertura, a aula-piloto foi ministrada pela defensora pública e diretora da Escola Superior da Defensoria (Esudpam), Karoline Santos, que destacou, durante a apresentação, o papel da Instituição na proteção do meio ambiente e das populações vulneráveis, bem como a importância da participação da sociedade nessa causa.
“Hoje, nós desenvolvemos um dos eixos do projeto, que é a apresentação do que é essa iniciativa para estudantes. A mensagem principal, nessa etapa, é que as questões ambientais não afetam as pessoas da mesma forma, pois existem grupos mais vulneráveis que precisam de uma proteção maior”, destacou.
Letícia Rezende, de 19 anos, entende bem essa dificuldade. Uma parte da família da estudante mora em Tapauá, município distante 449 quilômetros da capital, na Calha do Purus. Segundo a adolescente, as mudanças climáticas já são um grande problema na cidade, que, durante períodos de seca, sofre com as queimadas e com a dificuldade de locomoção devido à baixa do rio.
“Precisamos cuidar do meio ambiente, principalmente nós, que moramos no meio da Amazônia e precisamos da nossa floresta preservada e em pé. Eu tenho uma família ribeirinha, que sofre muito com essa questão, porque está começando a época das queimadas em Tapauá, onde boa parte da minha família vive. Acho muito legais essas palestras, porque nos ajudam a entender mais sobre esse problema, e eu espero que essas palestras cheguem por lá também”, disse.
Avanço do El Niño e impacto do projeto
Em junho deste ano, o Governo do Amazonas decretou estado de emergência climática e ambiental em todos os 62 municípios. O decreto foi instituído de maneira preventiva, diante das previsões meteorológicas do avanço do El Niño para o ano de 2026, que pode se estender até o início de 2027.
De acordo com a 2ª subdefensora pública geral, Sarah Lobo, o projeto tem o objetivo de introduzir o tema meio ambiente nas escolas e leva em consideração o cenário ambiental crítico pelo qual o mundo todo está passando. Segundo dados do Inep, a forma mais comum de o tema aparecer nas aulas é por meio de projetos transversais e interdisciplinares (64% dos colégios), seguida de conteúdos presentes no currículo (52%); 11% relataram possuir componente curricular específico sobre o assunto e apenas 10% desenvolvem a educação ambiental como eixo principal.
“O projeto surgiu para criar esse senso coletivo do que é o meio ambiente e como podemos trabalhar juntos para essa conscientização ambiental. A escola é o ambiente perfeito, pois é o ambiente do ‘aprender’, e é importante que alunos e professores conheçam nossa atuação, enquanto Defensoria Pública, nesta causa”, disse.
Por meio da iniciativa, a Defensoria Pública atuará de maneira preventiva, utilizando a educação ambiental para conscientizar famílias, comunidades e estudantes sobre os riscos socioambientais e os meios de evitá-los, reduzindo vulnerabilidades e fortalecendo a capacidade das próprias comunidades de proteger seu território.
Programação do Sementes do Amazonas
No início de julho, a Defensoria promoveu um curso de educação ambiental com o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira. A iniciativa abriu a programação de atividades do projeto e abordou a “Agenda 2030 nos municípios da Amazônia Legal e as desigualdades intrarregionais”, na qual o diretor e pesquisador destacou projeções e desafios para o desenvolvimento territorial e a proteção do meio ambiente.
A partir do lançamento oficial, realizado em Manaus nesta sexta-feira, o projeto será apresentado a membros e servidores da capital e do interior na terça-feira (28/07), com um balanço do que foi observado e discutido durante a aula-piloto do projeto e do que pode ser replicado nas próximas ações em escolas de todo o estado.
Texto: Camila Andrade
Foto: Lucas Silva / DPE-AM







