Estado registrou 926 internações por quedas em 2025; trânsito e intoxicações também tiveram participação proporcional superior à média nacional

Amazonas, setembro de 2026 – As quedas foram responsáveis por 926 das 1.841 hospitalizações de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos por acidentes no Amazonas em 2025, correspondendo a 50,3% do total. O dado significa que mais da metade das internações por lesões não intencionais no Estado ocorreu em razão de quedas. É o que informa levantamento inédito da Aldeias Infantis SOSorganização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, realizado a partir de dados do Ministério da Saúde.  

A participação das quedas no Amazonas supera a média brasileira. No país, foram 55.814 hospitalizações por essa causa em 2025, equivalentes a 43,4% das 128.466 internações por acidentes. Assim, a proporção amazonense ficou 6,9 pontos percentuais acima da nacional.

Para José Carlos Sturza de Moraes, cientista social e pesquisador do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS, os números reforçam a importância de ações preventivas. “As quedas fazem parte do cotidiano de crianças e adolescentes e podem acontecer em diferentes ambientes, muitas vezes em situações aparentemente simples. O fato de representarem mais da metade das hospitalizações por acidentes no Amazonas mostra a importância de ampliar a prevenção das quedas graves, com informação, supervisão e medidas de segurança adequadas a cada espaço”, afirma.

O peso das quedas entre crianças e adolescentes também aparece quando o universo é ampliado para todas as faixas etárias. As 926 internações de pessoas até 14 anos equivalem a 42,8% do total de 3.088 hospitalizações por quedas registradas no Amazonas. Esse percentual foi o maior entre as unidades federativas analisadas.

No conjunto das categorias pesquisadas, as 1.841 internações amazonenses correspondem a 1,4% dos 128.466 casos registrados no Brasil. A taxa estadual foi de 47 hospitalizações por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional de 63. Em média, o Estado registrou aproximadamente cinco internações por dia.

Trânsito e intoxicações superam médias nacionais

Os sinistros de trânsito terrestre também têm peso relevante no perfil do Amazonas. Foram 233 hospitalizações de crianças e adolescentes em 2025, equivalentes a 12,7% das internações  no estado por acidentes e sinistros. A proporção supera a média nacional de 11,3%, colocando o Estado entre as unidades federativas acima desse patamar. Chamando a atenção também no estado, outros sinistros de trânsito não especificados e aqueles que acontecem nas águas, que somaram 123 registros em 2025, correspondendo a 4,8% de todos os casos registrados no país.

As intoxicações apresentam diferença ainda mais acentuada: representam 9,2% das hospitalizações por acidentes no Amazonas (total de 170 casos), mais que o dobro da média brasileira, de 4,3%. O Estado ficou entre os maiores percentuais nacionais nessa categoria.

Já as queimaduras somaram 169 hospitalizações, correspondentes a 9,2% dos acidentes no Amazonas, participação inferior à média brasileira de 16,6%. Ainda assim, quando consideradas todas as faixas etárias, crianças e adolescentes responderam por 54,2% das hospitalizações por queimaduras no Estado, segunda maior proporção do país.

“O retrato amazonense combina uma forte concentração das hospitalizações infantis em quedas com participação proporcionalmente elevada de sinistros de trânsito terrestre e aquático e intoxicações. Os dados reforçam a necessidade de estratégias de prevenção específicas que considerem as características dos diferentes tipos de acidentes, do fator amazônico e dos diferentes ambientes em que crianças e adolescentes vivem, estudam e circulam”, analisa Sturza.

Mortes

O estudo da Aldeias Infantis SOS também traz dados referentes a mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos em todo o Brasil no ano de 2024. A soma das oito categorias analisadas revela que, naquele ano, foram registradas 3.341 mortes. No levantamento, as sufocações foram a principal causa, com 1.039 óbitos (ou 31,1% do total de casos registrados), seguidas por acidentes de trânsito, com 922 (27,6%), e afogamentos, com 850 (25,4%). Juntas, essas três causas responderam por, aproximadamente, 84,1% das mortes totais do período analisado.

O perfil da mortalidade também muda conforme a idade. Crianças de 1 a 4 anos concentraram 1.095 mortes, ou 32,8% do total, enquanto os menores de 1 ano somaram 930 óbitos (27,8%). Entre as sufocações, 75% das mortes vitimaram bebês, enquanto os afogamentos concentraram vítimas de 1 a 4 anos. Já os acidentes de trânsito atingiram diferentes perfis, incluindo ocupantes de automóveis e caminhonetes, pedestres, motociclistas e ciclistas.

Para Sturza, os dados reforçam, no conjunto, a necessidade de ampliar a prevenção e qualificar as informações sobre acidentes e riscos de morte.

“A Aldeias Infantis SOS defende que famílias, profissionais de saúde, gestores públicos e demais atores envolvidos na proteção da infância atuem conjuntamente para engajar a sociedade em campanhas de conscientização e promover ambientes mais seguros e efetivamente protetores. O desafio, para todos nós, é fomentar uma cultura de cuidado e de responsabilidade coletiva sobre a segurança e o bem-estar de nossas crianças e nossos adolescentes, para que possam se desenvolver plenamente como indivíduos”, conclui o pesquisador.

Sobre a Aldeias Infantis SOS

A Aldeias Infantis SOS é a maior organização não-governamental do mundo dedicada a apoiar crianças e jovens sem cuidados parentais ou em risco de perdê-los.

A negligência, o abuso e o abandono infantil estão presentes em toda parte. As famílias correm o risco de se separarem. Liderados localmente, a Aldeias Infantis SOS está presente em mais de 130 países e territórios, onde trabalha para fortalecer as famílias sob pressão, de modo a permitir que permaneçam unidas. Quando isso não for do interesse da criança ou do jovem, a Organização oferece cuidados de qualidade, de acordo com as suas necessidades específicas.

Em colaboração com parceiros, doadores, comunidades, crianças, jovens e famílias, a Aldeias Infantis SOS garante que as crianças cresçam com os laços de que necessitam para se desenvolverem e se tornarem a melhor versão de si mesmas. A Organização defende os direitos de cada criança e promove mudanças para que todas possam crescer num ambiente acolhedor.

Para saber mais: www.aldeiasinfantis.org.br

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