Cardiologista do HUGV-Ufam explica quem precisa de maior atenção e quais sintomas podem indicar infarto e outras doenças cardiovasculares

Manaus (AM) – Pressão alta, diabetes e colesterol elevado podem permanecer por anos sem provocar sintomas enquanto aumentam o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações. Por isso, mesmo quem não apresenta sintomas deve ficar atento aos fatores de risco. O alerta é da cardiologista Tatiane Aguiar, gerente de Atenção à Saúde do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado à HU Brasil.

No Setembro Vermelho, mês de conscientização sobre a saúde cardiovascular, a especialista chama atenção para a importância de identificar e controlar fatores de risco. Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e consumo excessivo de álcool estão entre os fatores que podem ser prevenidos ou controlados. Doença renal crônica, privação de sono e estresse crônico também podem aumentar os riscos.

De acordo com a médica, entre as doenças cardiovasculares mais frequentes estão a doença arterial coronariana, que pode levar ao infarto; as doenças cerebrovasculares, relacionadas ao AVC; a insuficiência cardíaca; as arritmias e as doenças hipertensivas.

O perigo pode ser silencioso

A ausência de sintomas não significa ausência de risco. Segundo Tatiane, a hipertensão, por exemplo, submete as artérias e o coração a uma pressão excessiva e, ao longo do tempo, pode contribuir para infarto, insuficiência cardíaca, arritmias, AVC e lesões renais. Já o diabetes pode provocar danos aos vasos sanguíneos, enquanto o colesterol LDL elevado favorece a formação de placas de gordura nas artérias.

“Não devemos esperar o aparecimento de sintomas para medir a pressão, a glicemia e o colesterol. Quando essas doenças começam a causar manifestações clínicas, pode já existir comprometimento de órgãos importantes”, alerta a médica.

 A identificação do risco começa com a avaliação da pressão arterial, do peso, dos hábitos de vida, das doenças associadas e do histórico familiar. Exames como glicemia e perfil lipídico podem ser indicados conforme cada caso.

Isso não significa que toda pessoa sem sintomas precise realizar uma bateria de exames cardiológicos. “A escolha dos exames deve ser orientada pelo risco individual e pela avaliação médica. O objetivo não é realizar o maior número possível de exames, mas identificar corretamente quem tem maior risco e direcionar a prevenção”, explica.

Genética não é destino

Segundo a médica, ter casos de doenças cardiovasculares na família também não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá o mesmo problema. Embora algumas condições tenham forte componente hereditário, na maioria dos casos o risco resulta de uma combinação entre predisposição genética, hábitos de vida e fatores ambientais.

“Genética não é destino. Mesmo quem apresenta histórico familiar pode reduzir significativamente o risco mantendo pressão, glicemia e colesterol controlados, não fumando, praticando atividade física, adotando alimentação equilibrada, mantendo peso saudável e realizando acompanhamento médico regular”, destaca Tatiane.

A atenção deve ser maior quando há familiares de primeiro grau que tiveram infarto, AVC ou morte súbita precocemente, em geral antes dos 55 anos nos homens e dos 65 nas mulheres.

Sinais de alerta

Dor, pressão, aperto ou queimação no peito não devem ser ignorados, principalmente quando acompanhados de falta de ar, suor frio, náuseas ou mal-estar. Palpitações persistentes, desmaios, tontura intensa, redução inexplicada da capacidade física e inchaço nas pernas também merecem avaliação.

No infarto, o desconforto pode ocorrer no centro do peito e irradiar para braços, ombros, costas, pescoço ou mandíbula, explica a especialista. Diante da suspeita de infarto, a orientação é interromper qualquer esforço e acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.

“Quanto mais cedo a artéria for desobstruída, maior a quantidade de músculo cardíaco que poderá ser preservada. Em cardiologia, tempo é músculo”, reforça a cardiologista.

Sinais neurológicos súbitos, como dificuldade para falar, desvio da boca ou perda de força em um lado do corpo, também exigem atendimento imediato, pois podem indicar um AVC.

Prevenir antes de tratar

A prevenção cardiovascular começa ainda na infância, com alimentação adequada, atividade física e prevenção da obesidade e do tabagismo. Para quem já apresenta fatores de risco, identificá-los e tratá-los precocemente pode evitar complicações no futuro.

Algumas doenças cardiovasculares podem ser corrigidas por procedimentos ou cirurgias, mas condições como hipertensão, aterosclerose, insuficiência cardíaca e grande parte das doenças coronarianas são crônicas e precisam ser controladas ao longo da vida.

“O diagnóstico precoce permite agir antes que ocorram infarto, AVC, insuficiência cardíaca ou lesões irreversíveis nos rins e no cérebro. É sempre mais efetivo controlar os fatores de risco antes do primeiro evento cardiovascular do que tratar suas consequências”, conclui Tatiane.

Sobre a HU Brasil

O HUGV-Ufam faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

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