Novos exames e recursos tecnológicos ampliam as ferramentas utilizadas na investigação de diferentes tipos de câncer

O câncer é um dos principais desafios da saúde pública no país. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio de 2026 a 2028. O volume projetado reforça a importância de estratégias voltadas à prevenção, ao rastreamento e à identificação da doença em fases iniciais.

O Outubro Rosa coloca o câncer de mama em evidência e amplia a discussão sobre a importância do diagnóstico precoce. Contudo, para além desse tipo de tumor, a medicina diagnóstica vem incorporando tecnologias capazes de analisar diferentes características do organismo e fornecer novas informações para a investigação de outras doenças. A evolução inclui desde exames de imagem e análises laboratoriais até recursos moleculares e ferramentas computacionais aplicadas à interpretação dos resultados.

A identificação inicial pode contribuir para decisões mais direcionadas ao longo do cuidado. Novos métodos não substituem as estratégias já recomendadas para cada tipo de câncer, mas podem acrescentar informações à investigação, ampliando as possibilidades de análise conforme a indicação médica.

Diferentes tecnologias participam da investigação

O diagnóstico precoce não depende de uma única tecnologia. A escolha dos exames considera fatores como o tipo de câncer investigado, os sinais apresentados pelo paciente, histórico familiar, idade e outras características clínicas.

No câncer de mama, por exemplo, a mamografia permanece entre os principais métodos utilizados no rastreamento. Outros exames, como ultrassonografia e ressonância magnética, também podem ser indicados em situações específicas. Fora desse contexto, exames laboratoriais, testes genéticos, métodos de imagem e análises moleculares são utilizados de acordo com as características de cada doença.

A inovação aparece justamente na ampliação das formas de obter e interpretar essas informações. Além de produzir imagens ou medir determinadas substâncias, algumas tecnologias analisam características moleculares das células e do material genético. Recursos computacionais também podem auxiliar na interpretação dos resultados.

Esse processo permite explorar informações que, isoladamente, poderiam não estar disponíveis em métodos tradicionais de investigação.

Análises moleculares ampliam o alcance dos exames

Um exemplo dessa abordagem é o Galleri, exame disponibilizado pelo Grupo Fleury que utiliza uma amostra de sangue para procurar sinais associados a mais de 50 tipos de câncer. O teste, desenvolvido pela Grail, e que chegou recentemente ao Brasil, analisa padrões de metilação do DNA livre de células presente na circulação sanguínea por meio de sequenciamento de nova geração.

A análise também utiliza machine learning para identificar padrões relacionados à presença de câncer e estimar o tecido ou órgão de origem do sinal encontrado. Essa informação pode ajudar a direcionar a investigação médica para exames diagnósticos posteriores.

Segundo informações do Fleury, em estudos clínicos relacionados ao teste, 53,5% dos cânceres detectados estavam nos estágios I e II. Entre os cânceres identificados nesses estágios, 74% pertenciam a tipos para os quais não há rastreamento recomendado para a população geral.

O exame é um exemplo de como a medicina diagnóstica pode combinar biologia molecular e recursos computacionais para investigar diferentes tumores a partir de uma mesma amostra. Sua proposta é complementar, e não substituir, os métodos de rastreamento já recomendados para tipos específicos de câncer. Um resultado que indique um possível sinal também precisa ser investigado por outros exames e avaliação médica.

Inteligência artificial também entra na análise dos dados

A incorporação de machine learning aos exames representa outra frente da evolução tecnológica na área. Algoritmos podem ser treinados para reconhecer determinados padrões em grandes conjuntos de informações, apoiando a interpretação de dados obtidos por exames de imagem ou análises moleculares.

No caso de testes que avaliam o DNA circulante, por exemplo, a tecnologia pode auxiliar na identificação de padrões de metilação associados a diferentes tipos de tumores. Em exames de imagem, os recursos computacionais também podem ser utilizados para analisar características de lesões e apoiar o trabalho dos profissionais responsáveis pela interpretação.

O uso dessas ferramentas não elimina a avaliação médica. Os resultados precisam ser considerados junto às informações clínicas do paciente e, quando necessário, complementados por outros procedimentos para confirmar ou descartar uma hipótese diagnóstica.

Novas ferramentas complementam o cuidado

A evolução da medicina diagnóstica amplia o conjunto de recursos disponíveis para investigar doenças em estágios iniciais. Métodos já consolidados continuam fazendo parte das estratégias de rastreamento, enquanto novas tecnologias acrescentam outras formas de observar características biológicas e interpretar informações.

Apesar do foco na importância sobre o diagnóstico do câncer de mama, o Outubro Rosa também abre espaço para discutir a importância do diagnóstico precoce em diferentes tipos de câncer. A combinação entre acompanhamento médico, exames indicados para cada situação e novas ferramentas de investigação amplia os recursos disponíveis para identificar alterações em fases iniciais.

A incorporação de tecnologias à medicina diagnóstica, como análises moleculares e recursos de inteligência artificial, acrescenta novas possibilidades à investigação e pode contribuir para decisões mais direcionadas ao longo da jornada diagnóstica.

Share.
Leave A Reply